quinta-feira, 31 de março de 2011

Di Melo faz apresentação única na Galeria Olido

Di Melo, o mestre da Black Music, apresentação única e gratuita na Galeria Olido nesta sexta-feira, dia 01 de abril, às 19h. Di Melo - O Imorrível, marca o retorno de Di Melo aos palcos. O cantor e compositor pernambucano, considerado um dos maiores nomes da Black Music Nacional esteve fora dos palcos por 35 anos. Contudo, embora distante do público, Di Melo manteve sua produção artística constante, sendo sua obra hoje estimada em mais de 400 canções, a maior parte delas inéditas. No show além das canções do álbum de 1975 eternizadas pelos amantes do Soul e Djs do mundo todo, Di Melo apresenta canções inéditas de seu baú, algumas delas criadas em parceria com grandes nomes da música brasileira como Geraldo Vandré e Jair Rodrigues. Para provar que é “Imorrível” e não está de brincadeira, Di Melo está de volta com todo charme, elegância, persistência e provocância. Como o figurino manda!


DI MELO – O IMORRÍVEL

Dia: 01/04/2011 – SEXTA-FEIRA

Horário: às 19h

Local: GALERIA OLIDO – SALA OLIDO (ao lado da Galeria do Rock)

End.: Av. São João, 473 – Centro – São Paulo

terça-feira, 15 de março de 2011

Tim: nosso outsider brazuca



Há 13 anos Tim Maia passava para o andar de cima. O grande boca-dura da soul music brasileira e da MPB saiu do palco direto para o plano superior. Tim Maia foi, na minha opinião, um artista pouco compreendido (com pessoa), apesar de sua obra ser eterna. Explico. Ele viu de perto a soul music americana. Bebeu direto da fonte a água cristalina,  escutando os discos que nunca ou raramente chegavam aqui no Brasil. Frequentou os bares de música ao vivo que nós, reles mortais, temos apenas uma vaga ideia  por intermédio dos filmes setentistas ou seriados ao melhor estilo Blaxpoitation.

Ele usou black power sob a inspiração dos grandes mestres, como James Brown. Presenciou o poder da black music nascendo dos guetos, das ruas, das esquinas lotadas de bluseiros, que passavam o dia tocando com seus cases abertos às contribuições, mesmo que não fossem generosas. E quando ele voltou, deportado pela imigração americana, foi condenado a passar o resto da vida cobrando um bom retorno de som dos técnicos brasileiros, que, atônitos, não compreendiam o que ele desejava. O "olha o retorno!!" de Tim foi visto de forma alegórica, ou quase um jargão. Para mim, trata-se da mais pura expressão de um ser que tinha o ouvido absoluto, que compunha como um maestro, sabendo os timbres certos para cada um dos instrumentos. Pedir mais retorno sintetizava  o inconformismo com técnicos brazucas que não sabiam acertar os tons que a black music (verdadeira, original) exigia. Tons que os ouvidos atentos de Tim já estavam habituados. 

E foi assim durante muitos, muitos anos. Talvez ele tenha ido, sem ficar satisfeito. E o que era o brado da mais pura indignação contra a ignorância musical, virou folclore. Nunca entenderam o Tim nesse ponto. Nunca entenderam que seu estilo "foda-se" era uma forma que ele encontrou de manifestar o seu rancor e a sua dor por terem reconhecido tardiamente seu valor musical. Rancor contra os donos do mercado fonográfico, que o achavam feio e gordinho demais para fazer sucesso. Contra o Roberto e o Erasmo que viraram sucesso, sendo que o Tremendão apresendeu a tocar violão com o Tim e Roberto ganhou a primeira oportunidade em uma banda por causa dele também.  Por ser chamado de "marmiteiro", quando pequeno, e também porque as mulheres nunca davam muita bola para ele. Tim era um sobrevivente. Um sobrevivente que sempre foi medido e julgado pelas manchetes produzidas pelas suas faltas aos shows ou alguma arruaça cometida. Tim foi o nosso verdadeiro ousider.