quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Dia do Samba é todo dia



Anos 50, carnaval de rua de São Paulo. Pierrôs e colombinas, desfiles em carros abertos pelas ruas da capital paulista. Serpentina, lança-perfume (na época ainda podia). Foi nesse contexto que meus pais se conheceram, causando o ódio mortal da minha avó paterna. Vinda de educação rígida e tradicional, para ela, samba e carnaval eram coisa de vagabundo. O filho, ela até tolerava, “mas moça de família, boa para casar, não pode vir do samba não”, disse ela. Retrocedendo no tempo, meu avô materno, era um dançador de roda de coco. Calça arriada, pé descalço, tambor esquentado na fogueira, rodopiava noite adentro honrando suas tradições..

Mais á frente, anos 1980. Minha irmã descobre a Rosas de Ouro por meio da ex-esposa de um primo. Porta-bandeira de qualidade, respeitada no meio do samba, facilitou os acessos e minha mana conheceu a escola e resolveu que defenderia aquele pavilhão. Curiosamente, e por um desses reveses do destino, meus pais eram contra. “O samba mudou muito. Hoje as mulheres saem nuas e filha minha não anda nesse meio”, dizia meu pai. Lembro-me que, durante um fevereiro de 1983, ajudei minha irmã a sair de casa com a fantasia que brilharia na avenida Tiradentes naquela noite. Enquanto ela “enrolava” os velhos, eu saia, sorrateiramente, com a fantasia enrolada em um saco preto de lixo debaixo do braço. Fui esperar a injustiçada sambista no bar seu Zé, que não entendeu nada, mas, lusitano discreto que era, não se atreveu a abrir a boca. Anos depois, perceberam o erro cometido. E nos carnavais seguintes lá estavam eles na arquibancada, acenando e gritando, orgulhosos da filha-destaque. O samba. O samba está na minha raiz, na minha alma. Demorei a descobri-lo, mas quando o conheci, foi amor à primeira vista. O samba tem os sintomas da paixão: faz suar, o coração bate forte. O samba não tem fronteira, não tem limite. Suas letras, enaltecem a cultura afrobrasileira, os costumes das comunidades, a vida cotidiana, o amor, a dor da perda, a alegria da amizade, a consciência social. O samba... Viva o Dia Nacional do Samba!

3 comentários:

  1. Saravá Babel.. adorei o texto, tambem me pego neste sentimento.. Viva o samba!!

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  2. Lá na Rádio me disseram, você vai abrir com um samba o programa. Eu falei tem samba em todas as horas e todos os dias na minha programação, se acha que vai faltar no dia dele?,

    Abraços Lau!

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  3. sei que está beeem atrasado, mas estava procurando por fotos e achei essa, e consequentemten seu blog e esse texto incrível. amei! =D
    eu que sou fã de história, história do Brasil, cultura e cultura brasileira não poderia deixar de elogiar esse texto. =)

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