quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Veja imagens da audiência que selou a permanência do Manos e Minas

Maria Amélia Rocha ao lado do Ricardo Gianazzi

Thaíde levanta a platéia e deixa seu recado

Wesley Noog e Fabiana Cozza cantam um samba na palma da mão

O Senador Eduardo Suplicy fala sobre cultura periférica
Platéia tomou quase que totalmente o auditório

Fotos - Cris Gomes

Artistas lotam Assembléia em audiência pública. Manos e Minas fica!

Manos Minas fica no ar pela TV Cultura. Foi essa a notícia que Maria Amélia Rocha, editora chefe do único programa da TV brasileira que reflete a cultura das periferias, recebeu na tarde da última terça-feira. À noite, durante uma grande audiência pública realizada na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, contou que foi chamada pelo presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, para ser comunicada que a direção havia resolvido reverter a situação. O programa voltaria, porém, reformulado. "Mas só vou comemorar quando ver o Max B.O comandando o programa aos sábados", ressaltou a jornalista.

A preocupação por um desmonte da TV e da Rádio Cultura e também indignação perante a falta de projeto político para a TV pública deu o tom da noite. Na bancada da assembléia, entidades importantes como o sindicato dos radialistas de São Paulo, o sindicato dos jornalistas de São Paulo, o deputado estadual e presidente da Comissão dos Direitos Humanos, José Cândido e o deputado estadual Ricardo Gianazzi, além da própria Maria Amélia Rocha.

Na platéia, gente como Sergio Vaz, da Cooperifa, a cantora Fabiana Cozza, o cantor Wesley Noog e os rappers Thaide, Kamau, Max B.O e Emicida. Thaíde, de microfone em punho e DJ nas caixas, cantou, em plena Assembléia, "Senhor Tempo Bom", acompanhado pelo público. "Lembro que a TV Cultura foi uma das primeiras a mostrar o movimento hip hop na São Bento", disse. O deputado José Cândido foi fundo - "Um evento como esse, com o povo do hip hop, afronta a elite da Assembléia Legislativa"", disse sob aplausos do público que ainda recebeu o Senador Eduardo Suplicy, durante o encerramento do evento. O clima no final era de alívio, mas ao mesmo tempo, de preocupação. Como disse um amigo: "esse foi apenas o primeiro round!"

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

"Bróder" vence Gramado!



Jeferson De recebe o Kikito durante a festa da premiação da 38ª edição do Festival de Gramado



“Bróder”, de Jeferson De, foi o grande vencedor do 38o Festival de Gramado, levando três troféus: melhor filme, diretor e ator (Caio Blat).
A vitória deste longa é importante e significativa por diversos aspectos. Mostra que um longa nacional pode perfeitamente discutir o tema "periferia" sem mostrar violência nas telas. O que sobressai e faz o filme especial é justamente a narrativa, a forma em que a história é contada. Outro fato importante, e que não é novidade para muita gente, é a participação da própria comunidade do Capão Redondo no longa, que, incluse, teve Mano Brown como consultor.

“Cada família ali tem um Macu dentro de casa. Este prêmio vai pra eles, pra eles mudarem essa história”, disse o ator Caio Blat referindo-se ao seu personagem e homenageando o povo do Capão, que participou ativamente das filmagens. É a força da periferia saindo dos guetos e projetando-se nacionalmente. Apesar de já termos falado sobre isso no último post, é impossível deixar de comentar que esta força não recebe o devido reconhecimento de alguns dirigentes do poder público do Estado de São Paulo, como a Prefeitura de São Paulo (que limou o Rap da programação da Virada Cultural 2010) e o Estado (que limou o programa Manos e Minas da grade de programação da TV Cultura). Destaque para Jeferson De, prova maior de que a negritude também se revela atrás das câmeras. Dá-lhe "Bróder"!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Burrocracia

O poder não tem contribuído com a divulgação da cultura popular (em especial o hip hop) em 2010. Depois de limarem o rap dos grandes palcos da Virada Cultural, cai essa bomba da extinção do ótimo programa Manos e Minas, da TV Cultura. Parece que querem calar a voz da periferia. É como se fosse algo que incomodasse, ou, não fizesse a menor diferença. Fica a pergunta: que tipo de TV Pública o sr. Sayad quer realizar se com dois meses de cadeira na presidência ele acaba com o único programa que retratava a cultura do povo, das ruas? Isto porque no seu discurso de posse ressaltou, com todas as letras, que iria qualificar o popular. Com uma atitude dessas, qual o conceito de popular do presidente? O Festival de Inverno de Campos de Jordão? Nada contra música clássica, mas quanto custa ao cidadão a cobertura desse evento, considerando que muitos nem apreciam o estilo?Tem uma informação rodando na internet de que a TV Cultura e Rádio Cultura, juntas, custam R$ 2,18 para cada cidadão e cidadã paulista. Dá para sentir o cheiro do favorecimento às elites no ar, da cultura de escritório, da burrocracia. As eleições estão aí e é bom ficar esperto. Seu candidato pode pensar igualzinho ao sr. Sayad.