quarta-feira, 7 de abril de 2010

Feridas abertas

Dizem que feridas cicatrizam. Mas as feridas da alma não. Elas permanecem, e, vez em quando são abertas. O assassinato do líder segregacionista Eugene Terreblanche, 69, na África do Sul, que foi morto a pauladas em sua fazenda, perto da cidade de Ventersdorp, no noroeste do país, por dois empregados em uma disputa sobre falta de pagamento, colocou o continente que vai receber a próxima Copa do Mundo de futebol em estado de atenção. Após ameaças de vingança de seus companheiros de partido, o AWB, defensores da supremacia branca, vemos que o caldeirão não deixou de ferver, mesmo depois do fim do Apartheid e da libertação de Nelson Mandela. Percebemos que as diferenças raciais na África ainda são latentes e que esse acontecimento é apenas o pico do iceberg de uma série de conflitos armados, guerras étnicas, genocídios, seca, fome, entre outros fatores, que assolam o continente e passam de forma desapercebida aos olhos do mundo.
Sim, porque os grandes jornais, a TV e a mídia no geral não se preocupa com que acontece na África. Esquecem ou se fazem de esquecidos. É fato isolado, não reflete aqui mesmo, né? A verdade é que a situação política e social da África não vende jornal. Só que eles (a mídia, os políticos, a ONU e os países de primeiro mundo) esquecem que esta situação é o espelho da nossa sociedade, do que pensamos ou nos preocupamos. È o espelho da fome do poder econômico e da lei do mais forte. O custo econômico que os conflitos armados que explodiram entre 1990 e 2005 tiveram para o desenvolvimento africano foi de pelo menos de US$ 300 bilhões - cerca de R$ 600 bilhões, segundo um relatório da Oxfam (grupo não-governamental) e outras duas organizações. O custo econômico de uma guerra que teve início lá atrás, assim que as grandes potências perceberam o filão africano e passaram a explorá-lo indiscriminadamente. A Copa do Mundo não pode servir apenas como mero perfume, diversão. Ela precisa ser uma oportunidade para que os africanos contem ao mundo a sua realidade. Alô correspondentes e enviados internacionais, editores, pauteiros, produtores! Não façam como a ONU, não fechem os olhos diante do problema.

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