terça-feira, 27 de abril de 2010

Radiografia da periferia


Rappin'Hood e Nelson Triunfo fazem nesta terça-feira, dia 27 de abril, o primeiro show de uma programação especial que vai de hoje a dezembro. O projeto Radiografia Cultural: Periferia e Underground em SP, reunirá em encontros mensais artistas de diferentes áreas, como grafite, música, cinema, teatro, literatura e dança.

Logo depois do show, haverá um debate sobre o tema periferia e cultura de resistência, com a participação de Triunfo e King Nino Brown, fundador da Casa do Hip-Hop de Diadema. "A ideia é mapear as diferentes manifestações artísticas da periferia, valorizar o trabalho dessa rapaziada toda e possibilitar uma troca de experiências entre os artistas e o público", explica Luiz Nunes, um dos idealizadores do evento.


Radiografia Cultural: Periferia e Underground em SP Hoje, às 18h (retirar ingresso a partir das 10h). No Centro Cultural Banco do Brasil (r. Álvares Penteado, 112, centro, tel. 0/xx/11 3113-3651). Grátis. 12 anos.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Hoje é Dia Nacional do Choro. Hoje é dia de Pixinguinha

Pixinguinha, de chinelo e pijama, num típico boteco de bambas.
Foto histórica do Instituto Moreira Salles
Hoje é Dia Nacional do Choro. Estilo genuinamente brasileiro e carioca e com uma história de 150 anos recheados com músicos considerados pioneiros, como Anacleto de Medeiros, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Garoto, Jacob do Bandolim e Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha, o maior chorão de todos os tempos. O Dia Nacional do Choro é comemorado no dia 23 de abril por ser uma data especial, é o dia do nascimento do Pixinguinha. Tenor, pianista, saxofonista, arranjador, e compositor de música popular brasileira. Responsável direto por firmar o Choro como um gênero musical. Pixinguinha inovou o ritmo, acrescentou leveza, ritmo, graça, improviso.

O Choro entra na cena musical brasileira em meados e finais do século 19. Inicialmente, o gênero mesclava elementos da música africana e européia e era executado principalmente por funcionários públicos, instrumentistas das bandas militares e operários têxteis. Segundo José Ramos Tinhorão, “o termo choro resultaria dos sons plangentes, graves das modulações que os violonistas exercitavam a partir das passagens de polcas que lhes transmitiam os cavaquinistas, que induziam a uma sensação de melancolia". Voltando a Pixinguinha, o músico deixou um legado de inúmeros clássicos, arranjos e interpretações como flautista e saxofonista. Carinhoso, Lamento, Rosa, 1 x 0, Ainda Me Recordo, Proezas de Solon, Naquele Tempo, Vou Vivendo, Abraçando Jacaré, Os Oito Batutas, Sofres Porque Queres, Fala Baixinho, Ingênuo, figuram entre as suas principais composições.

O apelido Pixinguinha veio da união de pizindim – menino bom – como sua avó o chamava, e bexiguento, por ter contraído a varíola, que lhe marcou o semblante. Mário de Andrade registrou a presença do mestre na cena carioca, criando em seu livro “Macunaíma”, um personagem: “um negrão filho de Ogum, bexiguento e fadista de profissão” (Andrade, 1988). A passagem se dá quando o “herói sem nenhum caráter” freqüenta uma “macumba” em casa de tia Ciata.

segunda-feira, 19 de abril de 2010



COREOGRAFIAS DA CIA. SANSACROMA NARRAM


VIDA E OBRA DO POETA SOLANO TRINDADE


O TD - TEATRO DE DANÇA (instituição vinculada à Secretaria Estadual de Cultura de São Paulo, gerenciada pela Associação Paulista de Amigos da Arte - APAA) traz para o seu palco o espetáculo “SOLANO EM RASCUNHOS”, da Cia. Sansacroma, que se apresenta entre os dias 23 e 25 de abril de 2010.

O espetáculo retrata vida e obra do poeta negro Solano Trindade. Com direção e concepção da atriz, dançarina e coreógrafa Gal Martins, “Solano em Rascunhos” faz parte do projeto“Trilogia Militantes do Ideal e une teatro e dança para contar a história do poeta do povo, que foi tema da escola de samba da paulistana Vai-Vai e um dos artífices do pólo cultural do Embu das Artes. Solano ganhou notoriedade no mundo da poesia por escrever sua obra sob inspiração de suas preocupações relativas à valorização da cultura negra e à luta contra a desigualdade social e racial no Brasil.

Gal Martins usou como base a coreodramaturgia para desenvolver a narrativa deste espetáculo. Este processo interpretativo criou infinitas possibilidades de expressar as poesias da obra “Cantares ao Meu Povo”, acompanhado de algumas adaptações. Para transmitir o poder dos versos que narram a realidade dos morros e as mazelas do país adepto de um racismo cordial, Gal Martins focou, para a construção do espetáculo, em diversas técnicas da dança e teatro contemporâneo. Projeções de imagens, somadas a uma trilha sonora realizada ao vivo com instrumentos percussivos, fazem de Solano em Rascunhos um momento de homenagem e reflexão sobre essa figura histórica que foi Solano Trindade.

SOLANO TRINDADE
Solano nasceu no bairro de Bom Jesus, em Recife, Pernambuco. Filho da quituteira Emerenciana e do sapateiro Manoel Abílio, viveu em um lar católico, apesar de seu pai incorporar entidades às escondidas. Solano chegou ao cargo de diácono na Presbiteriana, mas abdicou da vida cristã ao perceber que a instituição religiosa não se preocupava com as dificuldades enfrentadas pelos negros, nem com os problemas sociais. De cristão presbiteriano o poeta passa a militante comunista assim que chega ao Rio de Janeiro, em meados da década de 40. Após filiar-se ao partido de Luiz Carlos Prestes, Solano Trindade fez em Caxias a célula Tiradentes na qual se reuniam operários e camponeses. Por sua poesia carregada de significado e em virtude de seu engajamento político, Solano foi preso duas vezes pela ditadura militar do Estado Novo. Além de poeta, Solano Trindade era artista plástico, teatrólogo, ator e com a primeira de suas três esposas, Margarida da Trindade, aprendeu o ofício de folclorista. Foi na companhia de Margarida, e do etnólogo Edson Carneiro que, em 1950, ele funda o Teatro Popular Brasileiro – TPB.
O casal Trindade ainda ajudou Aroldo Costa a montar o Teatro Folclórico, rebatizado posteriormente como Brasiliana. Em 1961, recém-chegados da Europa, Solano e um grupo com mais de trinta bailarinos estavam em São Paulo para a apresentação de um espetáculo, quando receberam do escultor Claudionor Assis Dias, o Assis do Embu, um convite para visitar a cidade paulistana. Com a chegada de Solano, montou-se um movimento artístico coletivo no “Barraco do Assis”. Eles começaram a fazer festas que duravam três dias, faziam espetáculos na rua, exposições na rua, tudo isso em 1961. Essas manifestações ajudaram a dar origem ao nome Embu das Artes, que fez do município paulistano um lugar conhecido internacionalmente. Solano faleceu em 1974, aos 66 anos, no Rio de Janeiro, para onde voltou já doente. Foi sepultado no Cemitério da Pechincha, em Jacarepaguá.



A CIA. SANSACROMA
A Cia. Sansacroma é um grupo da cidade de São Paulo, criado em 2002 pela atriz, dançarina e coreógrafa Gal Martins, que desenvolve trabalhos baseados na interdisciplinaridade artística, através de técnicas e vivências em teatro contemporâneo e dança contemporânea. Tem como foco fomentar temas que são pertinentes na sociedade atual, mediadas principalmente, por questões que afetam a todos diretamente, seja na rua, conceitos, relações pessoais, mídia e na própria arte. Atua diretamente na região do extremo sul da cidade de São Paulo, propondo uma descentralização e difusão da produção da dança contemporânea na cidade, onde sua sede, o Ninho Sansacroma, oferece para a região uma programação de espetáculos de diversas companhias buscando esse elo entre a produção central e a local.
Com apoio dos parceiros, a Cia tem a oportunidade de mostrar seus trabalhos, em diversos locais para inúmeras pessoas “vivenciarem” a arte contemporânea, através de uma leitura sensível e assim construírem novas diretrizes sobre conceitos e preconceitos embutidos na sociedade. Dentre os trabalhos em destaque estão: Negro Por Brasil, Orfeu Dilacerado e Identifique-se, uma intervenção urbana em feiras públicas da Cidade de São Paulo.

“Solano em Rascunhos” - 23 a 25 de abril
Sexta às 21h, sábado às 20h, domingo às 18 h
50 minutos de duração, classificação 12 anos


Solano em Rascunhos
Cia. Sansacroma/SP
Direção e Concepção: Gal Martins
Coreografia: Gal Martins e Intérpretes-Criadores Assistência de Coreodramaturgia: Rodrigo Cândido e Siva Nunes Produção Executiva: Marina Hohne Adaptação de Textos: O elenco Trilha Sonora: Cláudio Miranda Percussão ao Vivo: Alan Bernardino Edição de Imagens: Rodrigo Cândido Intérpretes-Criadores: Bárbara Santos, Cléia Varges, Felipe Santana, Jean Valber, Lenny de Sousa, Marcela Teixeira, Mazé Soares, Mirela Pizani, Rodrigo Cândido e Welton Silva

TD - Teatro de Dança - Secretaria de Estado da Cultura
APAA - Associação Paulista dos Amigos da Arte
Avenida Ipiranga, 344 - Subsolo, Edifício Itália - São Paulo, SP, Brasil - Metrô República - Email:
mailto:inf.teatrodedanca@apaa.org.br Telefone da bilheteria: 2189 2555 /// Informações: 2189 2557 Capacidade: 278 lugares/Ar-condicionado ///Acessibilidade para pessoas com necessidades especiais /// Ingresso: R$ 4,00 e R$ 2,00 (meia) /// Estacionamento: R$ 15,00 com manobrista /// Bilheteria, abertura: Vendas para o dia do espetáculo - 4ª a domingo, a partir das 14h/// http://www.apaacultural.org.br/


quarta-feira, 7 de abril de 2010

Osso roído é mais gostoso


Sarney é um homem cheio de tentáculos. Vinte e cinco anos após assumir a presidência da República com a morte de Tancredo Neves, José Sarney voltará a responder pelo cargo. Ele deve assumir interinamente a presidência da República no próximo domingo, quando o presidente Lula embarcará para os Estados Unidos. O vice Alencar e Michel Temer saltaram de banda, porque, se aceitassem o cargo temporário, tornariam-se inelegíveis nas próximas eleições. Pensando bem, é preferível ter o Sarney como presidente interino por uns dias do que suportar aquele bigode de Sancho Pança cravado nas telas das tvs pedindo votos mais uma vez naquele velho discurso mais batido que chão de terra no interior: "brasileiros e brasileiras!"...Deus me livre e guarde!!

Feridas abertas

Dizem que feridas cicatrizam. Mas as feridas da alma não. Elas permanecem, e, vez em quando são abertas. O assassinato do líder segregacionista Eugene Terreblanche, 69, na África do Sul, que foi morto a pauladas em sua fazenda, perto da cidade de Ventersdorp, no noroeste do país, por dois empregados em uma disputa sobre falta de pagamento, colocou o continente que vai receber a próxima Copa do Mundo de futebol em estado de atenção. Após ameaças de vingança de seus companheiros de partido, o AWB, defensores da supremacia branca, vemos que o caldeirão não deixou de ferver, mesmo depois do fim do Apartheid e da libertação de Nelson Mandela. Percebemos que as diferenças raciais na África ainda são latentes e que esse acontecimento é apenas o pico do iceberg de uma série de conflitos armados, guerras étnicas, genocídios, seca, fome, entre outros fatores, que assolam o continente e passam de forma desapercebida aos olhos do mundo.
Sim, porque os grandes jornais, a TV e a mídia no geral não se preocupa com que acontece na África. Esquecem ou se fazem de esquecidos. É fato isolado, não reflete aqui mesmo, né? A verdade é que a situação política e social da África não vende jornal. Só que eles (a mídia, os políticos, a ONU e os países de primeiro mundo) esquecem que esta situação é o espelho da nossa sociedade, do que pensamos ou nos preocupamos. È o espelho da fome do poder econômico e da lei do mais forte. O custo econômico que os conflitos armados que explodiram entre 1990 e 2005 tiveram para o desenvolvimento africano foi de pelo menos de US$ 300 bilhões - cerca de R$ 600 bilhões, segundo um relatório da Oxfam (grupo não-governamental) e outras duas organizações. O custo econômico de uma guerra que teve início lá atrás, assim que as grandes potências perceberam o filão africano e passaram a explorá-lo indiscriminadamente. A Copa do Mundo não pode servir apenas como mero perfume, diversão. Ela precisa ser uma oportunidade para que os africanos contem ao mundo a sua realidade. Alô correspondentes e enviados internacionais, editores, pauteiros, produtores! Não façam como a ONU, não fechem os olhos diante do problema.