sexta-feira, 12 de março de 2010

Pedaço de adolescência perdida agora


Um pedaço da minha adolescência se foi com a morte do cartunista Glauco. O que o Henfil representou para a geração 1970, Glauco, ao lado do Laerte e do Angeli, representaram para mim na geração 1980. Lembro-me de fazer coleção da Chiclete com Banana. Geraldão e Bob Cuspe eram os meus prediletos. Se naquela época (idos de 1985/1986) existisse Avatar, certamente, os dois seriam os meus. Eles eram tudo o que eu não tinha coragem de ser. O Bob cuspia na sociedade e o Geraldão era escroto e mal-educado. Eram os meus ídolos, ao lado dos Titãs (que na época eram os Titãs do Iê-Iê), da Plebe Rude e dos Replicantes.

O Glauco tinha medo que seu traço morresse, porque, segundo ele, poderia com o tempo não mais fazer a cabeça da moçada. Talvez isso realmente aconteça (espero que não). Do jeito que as coisas andam, tanta babaquice, caretice, jovem que já tem até cabelo branco.. O que quero dizer é que esses caras oxigenavam nossas mentes com criatividade e modernidade em formato de quadrinho. Antes de frequantar o meio underground (com excessão de umas idas e vindas no Madame Satã), eu já conhecia o comportamento dos seres que habitavam esse universo. Conhecia as gírias, o clima cool dos bares. E fiquei sem fôlego quando reconheci cada personagem, retratado pelo trio Glauco-Angeli-Laerte, caminhando por aí durante minhas primeiras incursões pela madrugada paulista (a velha Lira Paulista). Quem nunca trabalhou ao lado de uma D. Marta na vida? Ou nunca encontrou um Faquinha pelas ruas de SP....Glauco foi e deixa seu legado. Seus personagens são reais e vamos continuar encontrando muitos deles no nosso dia-a-dia. É só deixar de pensar somente nos problemas comuns e prestar atenção nas pessoas, principal matéria-prima dessa geração de cartunistas.

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