quarta-feira, 31 de março de 2010

Em 2002, morria 1,7 negro entre 15 a 24 anos para cada jovem branco da mesma faixa etária. Em 2007, essa proporção saltou para 2,6 para 1


Para quem acompanha a vida nas cidades no seu dia-a-dia, a matéria publicada nesta semana pelo jornal O Estado de São Paulo não é novidade. Mas como o sociedade tem uma necessidade quase paranóica por números, ela torna-se necessária. Uma oportunidade de reflexão....


Fonte: Agência Estado

O risco de um jovem negro ser vítima de homicídio no País é 130% maior que o de um jovem branco, segundo o Mapa da Violência - Anatomia dos Homicídios no Brasil, estudo que compreende o período de 1997 a 2007 e que está sendo divulgado hoje em São Paulo pelo Instituto Sangari, com base nos dados do Subsistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde. A desigualdade entre as duas populações, que já era expressiva, aumentou de forma assustadora em cinco anos. Em 2002, morria 1,7 negro entre 15 a 24 anos para cada jovem branco da mesma faixa etária. Em 2007, essa proporção saltou para 2,6 para 1.O abismo entre os índices de homicídio é resultado de duas tendências opostas. Nos últimos cinco anos, o número de mortes por assassinato entre a população jovem branca apresentou uma redução significativa: 31,6%. Entre negros, o movimento na direção contrária, um aumento de 5,3% das mortes no período. "Brancos foram os principais beneficiados pelas ações realizadas de combate à violência. Temos uma grave anomalia que precisa ser reparada", diz Julio Jacobo, autor do estudo.O trabalho revela que em alguns Estados as diferenças de risco entre as populações são ainda mais acentuadas.

Na Paraíba, por exemplo, o número de vítimas de homicídio entre negros é 12 vezes maior do que o de brancos. Em 2007, a cada cem mil brancos, eram registrados 2,5 assassinatos. Entre a população negra, no mesmo ano, os índices foram de 31,9 homicídios para cada cem mil."As diferenças sempre foram históricas no Estado. Mas as mudanças nesses últimos cinco anos foram muito violentas", avalia Jacobo. Paraíba seguiu a tendência nacional: foi registrada a redução do número de vítimas entre brancos e um aumento do número de assassinatos entre negros.Pernambuco vem em segundo lugar: ali morrem 826,4% mais negros do que brancos. Rio de Janeiro ocupa a 13ª posição, com porcentual de mortes entre negros 138,7% maior do que entre brancos. São Paulo vem em 21º lugar, onde morrem 47% mais negros do que brancos.

O Paraná é o único Estado do País onde a população branca apresenta maior risco de ser vítima de homicídio - proporcionalmente morrem 36,8% mais brancos do que negros.População masculinaA esmagadora maioria dos assassinatos no País ocorre entre a população masculina. Em 2007, 92,1% dos homicídios foram cometidos contra homens. Na população de jovens, essa proporção foi ainda maior: 93,9%. O Espírito Santo foi o Estado que apresentou maior taxa de homicídios entre mulheres: 10,3 por cem mil, seguida de Roraima, com 9,6. O Maranhão foi o Estado com o menor indicador. Foram registradas 1,9 morte a cada cem mil mulheres.O estudo conclui ainda que não é a pobreza absoluta, mas as grandes diferenças de renda que forçam para cima os índices de homicídio no Brasil. O trabalho fez uma comparação entre índices de violência de vários países com indicadores de desenvolvimento humano e de concentração de renda. "Claro que as dificuldades econômicas contam. Mas o principal são os contrastes, a pobreza convivendo com a riqueza", afirma Jacobo

sexta-feira, 26 de março de 2010

Cinema na Favela, Favela no Cinema


V Festival Cine Favela de Curta-Metragem


O V Festival Cine Favela de Curta-Metragem acontece no período de 2 de abril a 8 de maio. A abertura será na sede do Cine Favela (Comunidade de Heliópolis) com exibição, às 20 h, do longa-metragem convidado “Sonhos Roubados”, de Sandra Werneck com Nanda Costa, Marieta Severo, Daniel Dantas, Kika Farias, Nelson Xavier e MV Bill.
O lançamento no Sesc Santana acontece no dia 6 de abril, terça-feira, às 20 h, com exibição do cultuado curta-metragem Carolina, de Jeferson De (diretor do longa “Bróder”, lançado recentemente no Festival de Berlim) e a última produção do Projeto Cine Favela, “Se Não Acontecesse”, coordenado pelo cineasta Luiz Adriano Daminello, além de show com o rapper Lui MR.

A Mostra Competitiva é formada por 22 títulos, dos quais um será escolhido por voto popular como Melhor Filme, recebendo prêmio de R$ 2.000 em dinheiro. Várias outras atrações movimentam a programação do Festival: Mostra Itinerante (exibição ao ar livre em três pontos da Comunidade), Cine Recreio (exibição de uma grade infantil em 12 escolas públicas), debates e Oficina de Cinema para 30 jovens, com a realização de um curta, ministrada por Luiz Adriano Daminello e participação de outros renomados profissionais do cinema (Braulio Mantovani, Thais Canjani, Monica Palazzo, Luciana Canton e Kira Pereira).


Veja a programação completa no site:

Lixo 2

Sergio Castro/Ag.Estado


Para comemorar a Semana da Água e também para incentivar postura decente perante o meio ambiente, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), em parceria com o Instituto da Criança Cidadã e com a agência Lew'Lara Propaganda, criou uma ação de intervenção urbana, às margens do Rio Pinheiros, na zona sul de São Paulo.

Bem ao lado da Ponte Eusébio Matoso, na região de Pinheiros, foram colocados duas intervenções, que podem ser vistas por terra ou pelo ar. Duas palavras, Bem-vindo e Adeus, um feita com resíduos retirados do rio e outro composta por plantas. Uma espécie de manifesto.
Para compor a palavra Bem-vindo, numa referência à adoção de uma nova postura, com menos lixo e mais verde, foram utilizadas cerca de 10 mil mudas de plantas.
Aproximadamente uma tonelada de resíduos retirados das margens do Rio Pinheiros, devidamente esterilizados e limpos, serviu de matéria-prima para mais de 40 crianças formarem a palavra Adeus, simbolizando o desejo de melhoria das águas dos rios Tietê e Pinheiros.



Programa de tv caça porquinhos na rua

A cena é comum na cidade, mas não deveria ser

Nem sempre a TV aberta vive em clima desértico de ideias. O programa VideoNews, da Band, tem um quadro ótimo: "Esse Lixo é Seu". Os produtores seguem as pessoas em locais de grande movimentação na cidade de São Paulo à caça de algum porquinho acostumado a jogar lixo no chão. Assim que o ato é flagrado pela câmera, um produtor pega o lixo, coloca no saquinho e inicia uma caçada ao porco. A pessoa é abordada e o lixo devolvido a seu devido dono. Alguns jogam na lata mais próxima, outros, negam descaradamente ou até fogem da câmera. Tocando em um assunto já abordado neste blog, o programa mostra onde mora mais da metade dos motivos das inundações que atingem São Paulo.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Quando isso muda???

No último domingo, 21 de março, foi o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial. Um dia que passou batido, com excessão das reuniões e encontros promovidos por entidades em todo o país e o show que reuniu vários artistas como Sandra de Sá, Thaíde, entre outros, no centro de São Paulo. Na mídia, também passou batido. Zero de matérias para um tema tão importante em tempos de xenofobismo exacerbado, seja aqui ou em qualquer parte do mundo. É realmente um contracenso, porque todos sabemos (ou não?) que o mundo mudou depois dos atentados de 11 de setembro. Brasileiros ainda são barrados na Espanha, mesmo portando todos os documentos, dinheiro suficiente para permanecer no país e local fixo para ficar.
Árabes são alvos ambulantes e vistos como reproduções de Bin Laden. A guerra entre Israel e Palestina não muda nunca e deixa um rastro de cadáveres a cada ano que passa. Argentinos são sempre inimigos dos brasileiros no futebol, menos, é claro, nos negócios. Uma parcela dos brasileiros que mora no sul do país continua querendo a separação do resto do país. E muitos paulistas permanecem culpando os nordestinos por nossos problemas econômicos. Os negros, são maioria absoluta nos índices de analfabetismo e pobreza. E os índios ainda têm suas terras achacadas por multinacionais sedentas por terras e poder. Enquanto esses fatos não forem encarados dentro de uma dimensão real, o dia 21 de março, estabelecido pela ONU para lembrar o massacre de Shapervile, quando a polícia sul-africana matou 69 negros que protestavam contra a lei do passe (eram obrigados a carregar cartões de identificação) na Àfrica do Sul, vai sempre passar batido. E as coisas sempre ficaram na mesma.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Daime em foco

Agora o Santo Daime é a bola da vez. Quero ver quem vai defendê-los, pois eles não tem representantes no Congresso Nacional e nem emissora de TV.....

sexta-feira, 12 de março de 2010

Paga Pau

Todo mundo ficou sabendo da palhaçada que o Axl Rose aprontou, deixando um monte de endinheirados esperando um show secreto, em uma boate badaladíssima de São Paulo. Brigas e discussões deram lugar ao que seria um show histórico. Não deixa de ser engraçado aquela gente bem vestida e cheirosa esperando um cara que não tinha a mínima condição de subir no palco. Um show "secreto" que os colunistas sociais passaram o dia tentando descobrir o local. Pô, com tanta coisa legal acontecendo por aí. Tanta importância e perda de tempo em torno de um cara que está pouco se lixando para o nosso país, ou, para qualquer outro lugar.. Na periferia diriam "é para aprender e deixar de ser paga pau".

Pedaço de adolescência perdida agora


Um pedaço da minha adolescência se foi com a morte do cartunista Glauco. O que o Henfil representou para a geração 1970, Glauco, ao lado do Laerte e do Angeli, representaram para mim na geração 1980. Lembro-me de fazer coleção da Chiclete com Banana. Geraldão e Bob Cuspe eram os meus prediletos. Se naquela época (idos de 1985/1986) existisse Avatar, certamente, os dois seriam os meus. Eles eram tudo o que eu não tinha coragem de ser. O Bob cuspia na sociedade e o Geraldão era escroto e mal-educado. Eram os meus ídolos, ao lado dos Titãs (que na época eram os Titãs do Iê-Iê), da Plebe Rude e dos Replicantes.

O Glauco tinha medo que seu traço morresse, porque, segundo ele, poderia com o tempo não mais fazer a cabeça da moçada. Talvez isso realmente aconteça (espero que não). Do jeito que as coisas andam, tanta babaquice, caretice, jovem que já tem até cabelo branco.. O que quero dizer é que esses caras oxigenavam nossas mentes com criatividade e modernidade em formato de quadrinho. Antes de frequantar o meio underground (com excessão de umas idas e vindas no Madame Satã), eu já conhecia o comportamento dos seres que habitavam esse universo. Conhecia as gírias, o clima cool dos bares. E fiquei sem fôlego quando reconheci cada personagem, retratado pelo trio Glauco-Angeli-Laerte, caminhando por aí durante minhas primeiras incursões pela madrugada paulista (a velha Lira Paulista). Quem nunca trabalhou ao lado de uma D. Marta na vida? Ou nunca encontrou um Faquinha pelas ruas de SP....Glauco foi e deixa seu legado. Seus personagens são reais e vamos continuar encontrando muitos deles no nosso dia-a-dia. É só deixar de pensar somente nos problemas comuns e prestar atenção nas pessoas, principal matéria-prima dessa geração de cartunistas.