sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Enchente é excesso de lixo e falta de Educação

Meu filho tem 7 anos. Qualquer papel de bala ele joga no lixo ou, se não encontra (o que é muito comum em uma cidade como São Paulo) guarda no bolso ou dá para eu guardar. Nunca, nunca joga no chão. Expliquei para ele uma vez que todo o lixo acumulado nas ruas vão parar nos bueiros e daí são dois os possíveis destinos: ou aquele lixo se junta a centenas de milhares de outros lixos jogados por outras pessoas e acaba entopindo toda a rede de esgoto ou vai parar no pobre do Rio Tietê. Certa vez, passando pela ponte Bernardo Goldfarb, que cruza o Rio Tietê e a Marginal Pinheiros, ele ficou espantado com o cinturão de lixo que formava uma ilha no meio do rio. Perguntou o que era aquilo e respondi que se tratava do resultado da falta de consciência e educação das pessoas. "O Rio tem peixe?", perguntou. "Não, ele está morto, infelizmente". "Ahhh" lamentou.. Desde então sempre quando vê alguém sujundo a rua reclama da porquice e conta o que viu sobre o rio..
Ver a situação das enchentes em São Paulo hoje me sugere algumas perguntas: será que as pessoas que jogam toda sorte de lixo nas ruas e nos córregos tiveram a mesma sorte de ter a mesma orientação? E se tiveram, onde foi parar essa informação? Esqueceram? Desprezaram? Acham uma tremenda besteira? A imprensa vem questionando nas últimas semanas o que fazer para melhorar, culpam a população que tratam a cidade porcamente, culpam os políticos que não tomam atitudes concretas, pedem verbas, culpam a empresas de lixo que atrasam o recolhimento, culpam as indústrias, culpam São Pedro que vem mandando muita, muita chuva, os reservatórios que não comportam tanta água.... mas até agora não ví ninguém falar de EDUCAÇÃO. Esse seria o foco. Preocupação ambiental deveria fazer parte do repertório dos professores nas redes públicas e particulares (sabemos que isso já acontece em muitas escolas, mas ainda não é unanimidade); o assunto teria de ser parte integrante de um orçamento fixo para educação da população, com agentes ambientais agindo nas periferias da cidade, fazendo corpo-a-corpo com a população, orientando e educando. Há uma difusão das idéias de "Salve o Planeta" por parte das ongs ambientalistas, mas nunca vi um slogam como "Salve seu bairro, depois o seu planeta". É tudo uma questão filosófica. Primeiro o micro (os bairros), depois o macro (o país, o mundo).
Sem Educação fica impossível resolver algo. Pelo menos por agora. Neste momento não há o que fazer, a não ser assistir, todos os anos, gente morrendo afogada, perdendo seus bens materiais, trânsito caótico...É Lei da Causa e do Efeito.. se o prefeito Gilberto Kassab tivesse a Educação como prioridade em sua pauta, não daria uma resposta tão óbvia e abusurda, culpando (ai, de novo) o crescimento mal planejado de São Paulo.. Pô, isso todo mundo já sabe, Kassab! (isso daria até um belo slogam). É como ir para Brasília e dizer para um cidadão local que tudo aquilo foi planejado... O que é preciso, gente, é Educação, a começar pelos pequenos, que são nosso futuro, e também, porque não, para os marmanjos. Essa estória de pau que nasce torto, morre torto, eu não acredito. Se houver ação, e positiva, podemos mudar qualquer coisa. Até o Zé Ruela que joga lixo na rua..

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