sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Mano Brown vai estrear na TV



Mano Brown vai ser apresentador de um programa de TV. Ele acaba de assinar contrato com a produtora M3 Criatividade. O site da empresa informa que o primeiro piloto do programa será gravado no dia 26 de janeiro de 2011 e o nome da atração é "Boogie Naipe". Algumas colunas de TV afirmam que o programa vai ser veiculado na Rede TV ou SBT, mas sinceramente, isso já especulação. É esperar para ver o que acontece...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Dia do Samba é todo dia



Anos 50, carnaval de rua de São Paulo. Pierrôs e colombinas, desfiles em carros abertos pelas ruas da capital paulista. Serpentina, lança-perfume (na época ainda podia). Foi nesse contexto que meus pais se conheceram, causando o ódio mortal da minha avó paterna. Vinda de educação rígida e tradicional, para ela, samba e carnaval eram coisa de vagabundo. O filho, ela até tolerava, “mas moça de família, boa para casar, não pode vir do samba não”, disse ela. Retrocedendo no tempo, meu avô materno, era um dançador de roda de coco. Calça arriada, pé descalço, tambor esquentado na fogueira, rodopiava noite adentro honrando suas tradições..

Mais á frente, anos 1980. Minha irmã descobre a Rosas de Ouro por meio da ex-esposa de um primo. Porta-bandeira de qualidade, respeitada no meio do samba, facilitou os acessos e minha mana conheceu a escola e resolveu que defenderia aquele pavilhão. Curiosamente, e por um desses reveses do destino, meus pais eram contra. “O samba mudou muito. Hoje as mulheres saem nuas e filha minha não anda nesse meio”, dizia meu pai. Lembro-me que, durante um fevereiro de 1983, ajudei minha irmã a sair de casa com a fantasia que brilharia na avenida Tiradentes naquela noite. Enquanto ela “enrolava” os velhos, eu saia, sorrateiramente, com a fantasia enrolada em um saco preto de lixo debaixo do braço. Fui esperar a injustiçada sambista no bar seu Zé, que não entendeu nada, mas, lusitano discreto que era, não se atreveu a abrir a boca. Anos depois, perceberam o erro cometido. E nos carnavais seguintes lá estavam eles na arquibancada, acenando e gritando, orgulhosos da filha-destaque. O samba. O samba está na minha raiz, na minha alma. Demorei a descobri-lo, mas quando o conheci, foi amor à primeira vista. O samba tem os sintomas da paixão: faz suar, o coração bate forte. O samba não tem fronteira, não tem limite. Suas letras, enaltecem a cultura afrobrasileira, os costumes das comunidades, a vida cotidiana, o amor, a dor da perda, a alegria da amizade, a consciência social. O samba... Viva o Dia Nacional do Samba!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Mestre Di Melo em Sampa em show imperdível




A festa mensal Criolina, que acontece no Tapas Club, no próximo sábado, dia 04/12, encerra o ano em grande estilo, recebendo a maior lenda viva do Recife, o cantor e compositor, Roberto de Melo Santos, mais conhecido como Di Melo.

Este pernambucano, que sempre se ramificou e perseguiu o rumo das artes, cantando, compondo, pintando e interpretando, define-se como um artista que se apega por inteiro e se entrega de corpo, coração e mente em tudo que toca, literalmente. Amigo de Gonzaguinha, fã de Chico Buarque, o cantor já se apresentou com grandes mestres da música, como Geraldo Vandré e Hermeto Pascoal. Suas composições recebem influências de Jackson do Pandeiro, misturado com a soul music norte-americana, formando um caldeirão de ritmos.

Di Melo gravou apenas um único disco, o álbum épico Homônimo, em 1975, considerado como um dos mais originais e importantes da geração black da década de 70. A produção desse LP é baseada na soul music e no samba-rock brasileiro. De característica anônima, Di Melo que já foi dado como morto, é dono de uma poderosa voz e de um repertório sensacional juntamente com sua luxuosa banda formada em sua maioria por músicos olindenses. A estimativa é de que hoje sua obra possua mais de 400 canções ainda não oficialmente gravadas. Além da grande lenda musical viva conhecida como Di Melo, o público confere também os DJs Brechó e Samuca.

Serviço
Tapas Club
R. Augusta, 1246 - informações: 2574-1444

Confiram o site do Di Melo
http://www.dimeloimorrivel.com.br/

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Para entender o que acontece no Rio



O Rio de Janeiro está em guerra. Todos acompanham na TV e nos jornais. Só que muita verdade deixa de ser dita pela mídia, que se preocupa inteiramente em mostrar as imagens (um show, que dá muita, muita audiência) que chocam e espalham medo na população. Análise da situação, é o que falta. Entender o problema a fundo. Saber onde ficam os pingos nos "ís', e entender porque chegamos a tal ponto. Os traficantes estão acuados, a polícia invade os morros. Mas estas são ações de momento. Medidas paleativas, de impacto. Ninguém falou de ações de longo prazo. Postos de saúde presentes nas comunidades e com médicos à disposição. Escolas decentes. Ações que livrariam o cidadão da necessidade da presença do tráfico. Se ele está lá, é o porque o Estado não se fez presente.

Agora, "mija" no território usando fuzis e tanques. O governo do RJ estava tranquilo com as UPPs, matérias na TV disseminavam essa falsa ideia de tranquilidade. Poucos tiveram a coragem de apontar o dedo e denunciar que essas unidades estavam em pontos estratégicos e não onde realmente deveriam estar, ou seja, onde os índices de violência estavam sempre acima da média. Para entender um pouco mais esse jogo de xadrez sem vencedor, leiam o artigo do jornalista Gustavo Barreto, do site "Consciência Net". Precisamos entender para poder opinar....

http://www.consciencia.net/o-jornalismo-desonesto-e-o-mito-do-crime-organizado/

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Para quem está ansioso em ver o Manos e Minas logo

Para quem está na ansiedade total, esperando a reestreéia do Manos e Minas, sábado próximo, dá uma click no link do Flickr do programa com fotos inéditas produzidas pelo Coletivo PESO e assessoria do Dexter. São fotos da gravação do programa que vai ao ar.

http://www.flickr.com/photos/periferiasoberana/sets/72157625328801291/

Sábado (27) tem IV Encontro Paulista de Hip Hop

Começa na sexta-feira (26), em São Paulo, o IV Encontro Paulista de Hip Hop. Com o tema "Do Gueto pros Mundos”, o objetivo é ampliar as discussões sobre o Hip-Hop como uma cultura e um movimento de negritude, afirmação e política, além de incentivar políticas públicas voltadas para o segmento. O encontro inicia com o lançamento do documentário '"Nos tempos da São Bento" no Cine Olido na sexta-feira (26), às 19h. O filme resgata a memória e a história do Hip-Hop no espaço do Metrô São Bento, no centro de São Paulo.

No sábado (27), o evento será realizado no Memorial da América Latina a partir das 11h, com apresentações, bate-papo, workshops, batalha de break, oficinas de graffiti, exposições e atividades para crianças. Figuras como MV Bill, Mc Enézimo e o DJ Erick Jay – Bicampeão do DMC Brasil participam do encontro, que terá ainda a junção entre repentistas, Mc’s, partideiros e capoeiristas, em uma troca de experiência sobre a improvisação feita no rap e na embolada. Todas as atividades são gratuitas.

Programação


Dia 26/11

19h – Lançamento do Documentário “Nos tempos da São Bento – Galeria Olido, Av. São João, nº 473, Centro

Dia 27/11 a partir das 11h – Memorial da América Latina

Apresentação

MAX B.O

10h – NO ROLÊ COM OS LOW RIDER

Saída da Av. São João, em frente à Galeria, rumo ao Memorial da América Latina

OTRA VIDA BIKE CLUB convida: VIDA REAL CAR CLUB, NEW MAFIA CAR CLUB, GUADALUPE CAR CLUB, CLÃ MUNHÃO BIKE CLUB,

Área externa:

TROCANDO IDÉIA

11h às 18h – Low Rider e Low Bikes

OUTRA VIDA BIKE CLUB, GUADALUPE CAR CLUB, VIDA REAL CAR CLUB, CLÃ MUNHÃO BIKE CLUB, NEW MAFIA CAR CLUB

BAOBÁ

12h abertura do evento

Márcio Santos – Assessor Especial de Projetos para Hip Hop

Ana Lú Silva Souza – Curadora

Toddy OPNI – Criação da Arte

MC – ENÉZIMO

12h às 13h30min

Bate papo I

Do Gueto pros Mundos

Do Gueto Pros Mundos pretende trazer à tona a notoriedade do hip-hop como uma cultura, como um movimento de negritude, de afirmação, de política. Fala do hip-hop como um universo que multiplica em incontáveis pedaços as possibilidades de atuação, de alcance e de influência dos quatro elementos – MC, DJ, Gaffiti, a Dança. O que se pode dizer das maneiras de como o hip-hop faz e acontece nos guetos, nos mundos!

MV BILL convida:

ERICA PEÇANHA

MESTRE MARROM (GRUPO DE CAPOERA ANGOLA IRMÃOS GUERREIROS)

LEITORES CRÍTICOS: KIZIE DE PAULA AGUIAR SILVA (RIO CLARO/SP). FÁBIO “CORVO” VIEGAS (PORTO FELIZ/SP) e RODRIGO DE OLIVEIRA “DIMENOR” VICENTE (CAPITALSP)

13h30min às 14h30min

Work Shop de DJ c/ DJ KL JAY

15h30min às 17h

Bate papo II


Estilo, estética e ética!

Estilo, ética e estética tratam de um modo de dizer, de agir, de revelar-se em meio a sociedade com a intenção de ser algo ou alguém marcando presença. A ideia é tratar a estética entrelaçada com ética. Dessa forma a estética para muito além do senso comum da aparência, mostra-se como estilo, estilo de vida retratado no modo de vestir-se, da maneira do cabelo ou forma de circular com o corpo negro ou da cultura negra.

FABIANA COZZA convida:

GEVANILDA SANTOS

RINCON SAPIÊNCIA

LEITORES CRÍTICOS: ANA LUCIA “ZULU QUEEN ANA” BRAZ (PIRACICABA/SP), MARILUCY “MARY” OLIVEIRA (CAPITAL/SP) e MARCIO BROWN (SOROCABA/SP)

17h – Apresentação CIA ECLIPSE ART

Graffitando no encontro

12h às 18h30min – OPNI convida TIKKA E PAM

13h30min às 14h30min – oficina de graffiti I

15h30min às 16h30min – oficina de graffiti II


RAPentinaMENTE
Encontro entre Repentistas, Mc’s, Partideiros e Capoeiristas, numa troca de experiência sobre a improvisação, apresentando ao público a versatilidade da cultura brasileira e a agilidade da rima de improviso feita no rap e na embolada.



14h30min às 15h30min

Embolada – PENEIRA E SONHADOR

Free Style – KAMAU E MARCELLO GUGU

Beat Box – FERNANDINHO BEAT BOX

Samba de Improviso – RODRIGO CAMPOS

Roda de capoeira – GRUPO DE CAPOEIRA ANGOLA IRMÃOS GUERREIROS

Sobrevivendo na arena

17h às 17h30min

Batalha de Break

17h30min às 18h

Batalha de MC’S

Inscrições 1 hora antes


Àrea interna: Auditório Simon Bolívar

FOYER - Lançamento da Exposição Consciência Negra em Cartaz


11h – Exposição de graffiti – Graffiteiras BR – Có – Curadoria TIKKA


Na Literatura – Livrarias KITABU (RJ) e SOBÁ (BH)

Espaço Erê

12h às 13h – Oficina de Breaking I (B.Boying / BGirling) para crianças de 05 a 12 anos com BISPO SB

13h às 13h30min – Hora do conto I com INAIÁ ARAÚJO

15h30 às 16h30 – Oficina de Breaking II (B.Boying / BGirling) para crianças de 05 a 12 anos com BISPO SB

16h30min às 18h – Hora do conto II com MARIA EDITHE (BH)


Espaço Omim - 18h às 19h

Elizandra Souza convida:


AKINS KINTÊ
RAQUEL ALMEIDA


Auditório - Show

19h30min

DJ ERICK JAY – BICAMPEÃO DO DMC BRAZIL 2010

20h

DESCONTROLE

20h30min

MV BILL

Izzy Gordon e Paul McCartney juntos no palco?




Izzy cantou bossa nova e samba para Paul

No último sábado (20), no aniversário da namorada de Paul McCartney, Nancy Shevell, a cantora brasileira Izzy Gordon foi convidada de surpresa para a festa particular do ex-beatle no bar do hotel Grand Hyatt, em São Paulo. Detaque: ela já havia cantado para o U2 em uma das suas passagens pelo país. "Só soube que era o Paul depois do ensaio, lá dentro do bar. A partir daí, ninguém da minha equipe pôde sair, usar celular ou mesmo fotografar o momento", declarou a cantora ao site R7.

O repertório da cantora foi composto por bossa nova e samba. "Quando Paul e Nancy entraram no salão cantamos Happy Birthday e depois eu mostrei músicas típicas do nosso país, como Chega de Saudade e Garota de Ipanema. Ele é muito humilde e deixou todos bem a vontade. Fez brincadeiras o tempo todo e até apresentou meus músicos para a plateia formada pela equipe dele. Fizemos um dueto, dividindo meu microfone, em É com Esse que eu Vou. Parecia que ele estava em casa…", disse Izzy.

Manos e Minas tá na área!



Se existe um pingo de justiça em um mundo tão injusto com a cultura negra, ela será feita no próximo sábado, dia 27 de novembro, às 18h, na TV Cultura, quando as telinhas serão invadidas pela energia black do programa Manos e Minas. Depois de sua estreia ser adiada, agora, a volta está confirmada.

O comando continua com o MC Max B.O, que, desta vez, tem a companhia da cantora Anelis Assumpção na apresentação. Com uma banda residente, a ProjetoNave, o Manos e Minas volta para a grade com tudo e com todos, como os b-boys, as b-girls, Erick Jay, a repórter Cris Gomes, Alessandro Buzo, grafiteiros e MCs, além de um quadro fixo com o rapper Emicida. O cenário também traz mudanças.

O público agora fica juntinho com os artistas, perto do palco e em pé. Telas espalhadas pelo palco foram grafitadas pelo grupo Opni (Objetos Pixadores Não Identificados). Para marcar a volta em grande estilo, no palco, o som do rapper Dexter. 

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Dia da Consciência Negra com shows na Praça da Sé

Toni Tornado se apresenta na Praça da Sé


A capital paulista tem uma programação musical especial para comemorar o Dia da Consciência Negra, celebrado neste sábado, 20 de novembro. A Praça da Sé, assim como em 2009, será palco para shows de Rap, Samba, Soul e Funk. Estão confirmadas as apresentações do rapper Emicida, da banda Funk Como Le Gusta, de Toni Tornado, Arlindo Cruz, Dona Ivone Lara, Chico César, Lady Zú e Gerson King Combo, além da discotecagem de DJs Théo Werneck.

As atividades de celebração pelo Dia da Consciência Negra começam às 10h00 com uma Missa Afro. Ao meio-dia será realizado o Encontro de Congadas, com cinco grupos de congadas e samba de bumbo do interior do Estado se apresentando no palco. Logo em seguida começam os shows. O primeiro artista a subir no palco é o rapper Emicida, que deve tocar as músicas novas de sua mixtape.

Ainda dentro das festividades, no dia 27 de novembro será realizado o IV Encontro Paulista de Hip Hop, no Memorial da América Latina. O evento terá palestras, oficinas e outras atividades relacionadas ao mundo do Hip Hop, inclusive - é claro - shows, como do rapper MV Bill. Confira as informações dos eventos:

20/11/2010 - São Paulo/SP

Show da Consciência Negra - Praça da Sé, s/n

Horário: a partir das 10h00

Ingressos: Grátis


27/11/2010 - São Paulo/SP

IV Encontro Paulista de Hip-Hop

Memorial da América Latina - Rua Auro Soares de Moura Andrade, 664

Horário: a partir das 11h00

Ingressos: Grátis

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Milton Nascimento homenageado pelo Troféu Raça Negra 2010




                    Um bom ano para Milton Nascimento
(texto enviado pelo departamento de comunicação da Faculdade Zumbi dos Palmares)



Este é realmente um ano repleto de novidades para o cantor e compositor Milton Nascimento, após o anúncio da homenagem no maior evento da raça negra do Brasil, o Troféu Raça Negra, uma realização da Afrobras – Sociedade Afrobrasileira de Desenvolvimento Sócio Cultural e Faculdade Zumbi dos Palmares, agora é a vez de lançar seu mais novo cd “...E a Gente Sonhando”.

Assim como no Troféu Raça Negra (que acontece no próximo dia 15 de novembro, a partir das 20h, na Sala São Paulo), onde a idéia é levar a obra de “Bituca”, como é conhecido entre amigos, para as novas gerações, este novo trabalho também promove um encontro do artista com jovens que fazem parte do cd. Ao todo são 30 músicos e compositores de Três Pontas, no interior de Minas Gerais, sua cidade natal, que até mesmo fazem dueto com o cantor.

Baladas como “O Sol” do grupo Jota Quest, “Resposta”, do Skank e “Adivinha o Quê” de Lulu Santos compõem o trabalho que tem ao todo 16 faixas. A participação na cerimônia de entrega do Troféu já está mais do que garantida. Inclusive num encontro vocal a ser realizado com o Coral Zumbi dos Palmares, para cantar a “bandeira” de todos os estudantes, em todas as épocas, a inesquecível “Coração de Estudante” que dá nome ao evento deste ano.

Além disso, grandes nomes da música brasileira vão interpretar canções do compositor. Alcione, Luiz Melodia, Isabel Filardis, Jorge Vercillo, Simoninha, Leny Andrade, Lenine, Izzy Gordon e Ronnie Marruda prometem transformar o palco da Sala São Paulo numa grande festa. O show tem direção artística do também cantor e compositor Altay Veloso.

Além de Milton, outras autoridades e personalidades, que se destacaram no ano, escolhidas através de consenso pelo Conselho de Honrarias da Afrobras, também irão receber a estatueta do Troféu 2010, como os ministros Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF) e Miguel Jorge, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento. Personalidades internacionais também serão premiadas como a Primeira Dama de Angola, Ana Paula dos Santos, que é Presidente do Comitê Internacional para a Promoção Econômica da Mulher Rural, o vice-presidente de relações governamentais da American Express, David Morgan, o Rev. Dr. Jerome King Del Pino, Secretário Geral das Instituições Metodistas em todo o mundo e o Dr. Ken Yamada, assistente Especial da Secretaria Geral e responsável pelo Fundo Metodista de Educação Global e Desenvolvimento de Lideranças, que figuram no rol de homenageados.

Um dos momentos de muita emoção será a divulgação dos escolhidos pelo voto popular, que disputam as categorias de: Cinema (Ator e Atriz), Televisão (Ator e Atriz), Jornalismo (Apresentador (a)/Repórter), Música e Teatro. A escolha dos favoritos termina nesta quarta-feira (10), através do site: http://www.trofeuracanegra.com.br/2010/onde podem ser encontradas mais informações sobre a cerimônia desta oitava edição do Troféu Raça Negra.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Veja imagens da audiência que selou a permanência do Manos e Minas

Maria Amélia Rocha ao lado do Ricardo Gianazzi

Thaíde levanta a platéia e deixa seu recado

Wesley Noog e Fabiana Cozza cantam um samba na palma da mão

O Senador Eduardo Suplicy fala sobre cultura periférica
Platéia tomou quase que totalmente o auditório

Fotos - Cris Gomes

Artistas lotam Assembléia em audiência pública. Manos e Minas fica!

Manos Minas fica no ar pela TV Cultura. Foi essa a notícia que Maria Amélia Rocha, editora chefe do único programa da TV brasileira que reflete a cultura das periferias, recebeu na tarde da última terça-feira. À noite, durante uma grande audiência pública realizada na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, contou que foi chamada pelo presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, para ser comunicada que a direção havia resolvido reverter a situação. O programa voltaria, porém, reformulado. "Mas só vou comemorar quando ver o Max B.O comandando o programa aos sábados", ressaltou a jornalista.

A preocupação por um desmonte da TV e da Rádio Cultura e também indignação perante a falta de projeto político para a TV pública deu o tom da noite. Na bancada da assembléia, entidades importantes como o sindicato dos radialistas de São Paulo, o sindicato dos jornalistas de São Paulo, o deputado estadual e presidente da Comissão dos Direitos Humanos, José Cândido e o deputado estadual Ricardo Gianazzi, além da própria Maria Amélia Rocha.

Na platéia, gente como Sergio Vaz, da Cooperifa, a cantora Fabiana Cozza, o cantor Wesley Noog e os rappers Thaide, Kamau, Max B.O e Emicida. Thaíde, de microfone em punho e DJ nas caixas, cantou, em plena Assembléia, "Senhor Tempo Bom", acompanhado pelo público. "Lembro que a TV Cultura foi uma das primeiras a mostrar o movimento hip hop na São Bento", disse. O deputado José Cândido foi fundo - "Um evento como esse, com o povo do hip hop, afronta a elite da Assembléia Legislativa"", disse sob aplausos do público que ainda recebeu o Senador Eduardo Suplicy, durante o encerramento do evento. O clima no final era de alívio, mas ao mesmo tempo, de preocupação. Como disse um amigo: "esse foi apenas o primeiro round!"

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

"Bróder" vence Gramado!



Jeferson De recebe o Kikito durante a festa da premiação da 38ª edição do Festival de Gramado



“Bróder”, de Jeferson De, foi o grande vencedor do 38o Festival de Gramado, levando três troféus: melhor filme, diretor e ator (Caio Blat).
A vitória deste longa é importante e significativa por diversos aspectos. Mostra que um longa nacional pode perfeitamente discutir o tema "periferia" sem mostrar violência nas telas. O que sobressai e faz o filme especial é justamente a narrativa, a forma em que a história é contada. Outro fato importante, e que não é novidade para muita gente, é a participação da própria comunidade do Capão Redondo no longa, que, incluse, teve Mano Brown como consultor.

“Cada família ali tem um Macu dentro de casa. Este prêmio vai pra eles, pra eles mudarem essa história”, disse o ator Caio Blat referindo-se ao seu personagem e homenageando o povo do Capão, que participou ativamente das filmagens. É a força da periferia saindo dos guetos e projetando-se nacionalmente. Apesar de já termos falado sobre isso no último post, é impossível deixar de comentar que esta força não recebe o devido reconhecimento de alguns dirigentes do poder público do Estado de São Paulo, como a Prefeitura de São Paulo (que limou o Rap da programação da Virada Cultural 2010) e o Estado (que limou o programa Manos e Minas da grade de programação da TV Cultura). Destaque para Jeferson De, prova maior de que a negritude também se revela atrás das câmeras. Dá-lhe "Bróder"!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Burrocracia

O poder não tem contribuído com a divulgação da cultura popular (em especial o hip hop) em 2010. Depois de limarem o rap dos grandes palcos da Virada Cultural, cai essa bomba da extinção do ótimo programa Manos e Minas, da TV Cultura. Parece que querem calar a voz da periferia. É como se fosse algo que incomodasse, ou, não fizesse a menor diferença. Fica a pergunta: que tipo de TV Pública o sr. Sayad quer realizar se com dois meses de cadeira na presidência ele acaba com o único programa que retratava a cultura do povo, das ruas? Isto porque no seu discurso de posse ressaltou, com todas as letras, que iria qualificar o popular. Com uma atitude dessas, qual o conceito de popular do presidente? O Festival de Inverno de Campos de Jordão? Nada contra música clássica, mas quanto custa ao cidadão a cobertura desse evento, considerando que muitos nem apreciam o estilo?Tem uma informação rodando na internet de que a TV Cultura e Rádio Cultura, juntas, custam R$ 2,18 para cada cidadão e cidadã paulista. Dá para sentir o cheiro do favorecimento às elites no ar, da cultura de escritório, da burrocracia. As eleições estão aí e é bom ficar esperto. Seu candidato pode pensar igualzinho ao sr. Sayad.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Mal da discriminação se corta pela raiz



A prática do bullying é antiga. Só nos tempos de hoje ganhou nome e projeção. Minha mãe, dona Maria, era humilhada por alunos e professores. Por ser pobre e negra. Religiosa, quis fazer papel de anjo em uma peça teatral da escola. A professora negou. Disse que "nunca tinha visto anjo preto na vida". Morreu neste instante a única oportunidade que minha mãe teve de participar de uma atividade teatral. Comigo não foi diferente. Colégio particular, o principal da região, pago pela patroa do meu pai. Dois mil alunos, só eu de negro. Beiço de linguiça, piche, carvão, cabelo de bombril, eram alguns dos adjetivos. Após essa experiência, somente aos 17 anos, trabalhando em uma Casa de Cultura, aconselhado por um cantor de reggae de longos cabelos rasta, consegui me encontrar como negro. Fechar as feridas, resgatar e valorizar minha identidade

Ontem (25/05), a Assembleia Legislativa gaúcha aprovou, por unanimidade, uma lei que prevê políticas públicas contra o bullying nas escolas de ensino básico e de educação infantil, privadas ou do Estado, em todo o Rio Grande do Sul. A proposta classifica como bullying toda a violência física ou psicológica, intencional e repetitiva, que ocorra sem motivação evidente com o objetivo de intimidar, isolar ou humilhar uma ou mais pessoas e que cause dano emocional ou físico às vítimas, além de "desequilíbrio de poder" entre as partes envolvidas. O texto aprovado, infelizmente, ainda não prevê punições aos agressores. O bullying discrimina negros, homossexuais, pessoas de baixa renda, de baixa estatura, e por aí vai. É visto com indiferença por alguns. "Coisa de criança", dizem. Significa muito mais do que isso. Representa o estágio inicial da Homofobia, do racismo, e de todas as práticas discriminatórias neste país e no mundo. As assembléias de todo o Brasil precisam olhar para o sul e seguir o exemplo. Antes que seja tarde demais..

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Big Brother Espacial



Desde a primeira vez que ouvi essa do projeto secreto das Forças Armadas americana - uma espécie de veículo de teste orbital chamado X-37B, lançado no último dia 22 de abril, fiquei muito preocupado. Os militares se recusaram a dizer qual o propósito do projeto. Nesta semana, por acidente, um astrônomo amador registrou segundos da trajetória do veículo de teste. Kevin Fetter analisava o espaço com seu telescópio para encontrar satélites fora de serviço e avistou o objeto. "Vi por sorte", disse. O projeto sigiloso dos EUA estava a 410 quilômetros da terra e completava uma volta ao planeta a cada 90 minutos. Os leitores podem achar estranho um assunto desse vir parar aqui, mas é impossível não refletir sobre isso. Os caras estão vigiando o planeta inteiro!  Um Big Brother espacial! Com quais objetivos? Com quais propósitos? Com notícias assim é bom ficarmos muito atentos. São sinais de tempos difíceis que virão e vão explicar muita coisa que acontecerá no futuro...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Tem baiano no Festival de Cannes

Cena de "Doido Lelé", filme de Ceci Alves, curta-metragem que
será exibido em Cannes nesta semana

Conheci a cineasta baiana Ceci Alves durante o Festival Cine Cultura Viva, em Brasília. Chegou de fininho, pouco depois dos outros cineastas que já estavam presentes durante os dias do evento. Ao contrário de muitos, que colocavam seus filmes entre os melhores do mundo, falava só quando era perguntada. Fiz questão de ver seu filme. Dizem que a melhor forma de conhecer a essência da alma de um cineasta é assistindo sua obra. Exibido em dia de sessão lotada no Museu Nacional de Brasília,"Doido Lelé" mostrou-se um filme eficiente, humano. Arrancou muitas palmas do público.  Depois de Jeferson De em Berlim com "Bróder" (comentado aqui neste blog) no Festival de Berlim, Ceci desembarcou em Cannes nesta semana para mostrar seu curta. O filme se passa em Salvador, na década de 50. Caetano, pobre e mestiço, sonha em ser cantor de rádio, para deleite da mãe e contrariedade do pai. Ele foge todas as noites de casa para tentar, sem sucesso, a sorte em um programa de calouros. Até que, numa noite, ele aposta tudo numa louca, divertida e definitiva performance. Nada muito diferente se Caetano não fosse apenas um menino. Para mim, aquele menino persistente em realizar seu sonho, o de cantar, representa cada um dos afro-descendentes, que, apesar de tudo e de todos, deixa para trás as barreiras apresentadas pela vida e encara as dificuldades impostas com o talento que lhe é peculiar. Boa sorte Ceci!

Sábado 21/05 tem festa de aniversário do programa MANOS E MINAS na Matilha Cultural!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Tempos difíceis, porém, com esperança...

Um amigo me passou este texto por email. Comenta-se que é um caso verídico e que aconteceu em um voo da TAM:

Uma mulher branca, de aproximadamente 50 anos, chegou ao seu lugar. na classe econômica e viu que estava ao lado de um passageiro negro. Visivelmente perturbada, chamou a comissária de bordo. 'Qual o problema, senhora?', pergunta uma comissária..'Não está vendo?' - respondeu a senhora - 'vocês me colocaram ao lado de um negro. Não posso ficar aqui. Você precisa me dar outra cadeira'. 'Por favor, acalme-se' - disse a aeromoça - 'infelizmente, todos os lugares estão ocupados. Porém, vou ver se ainda temos algum disponível'.
A comissária se afasta e volta alguns minutos depois. 'Senhora, como eu disse, não há nenhum outro lugar livre na classe econômica. Falei com o comandante e ele confirmou que não temos mais nenhum lugar mesmo na classe econômica. Temos apenas um lugar na primeira classe'.  E antes que a mulher fizesse algum comentário, a comissária continua: 'Veja, é incomum que a nossa companhia permita à um passageiro da classe econômica se assentar na primeira classe.
Porém, tendo em vista as circunstâncias, o comandante pensa que seria escandaloso obrigar um passageiro a viajar ao lado de uma pessoa desagradável'. E, dirigindo-se ao senhor negro, a comissária prosseguiu: 'Portanto senhor, caso queira, por favor, pegue a sua bagagem de mão, pois reservamos para o senhor um lugar na primeira classe...' E todos os passageiros próximos, que, estupefatos assistiam à cena, começaram a aplaudir, alguns de pé.

'O que me preocupa não é o grito dos maus.


É o silêncio dos bons...'




Martin Luther King Jr.



quinta-feira, 13 de maio de 2010

Museu Afro abre nova exposição para lembrar 13 de maio

Fotografia de José do Patrocínio integra exposição no Museu Afro

Para marcar as comemorações dos 122 anos da abolição da escravatura no Brasil, o Museu Afro Brasil inaugura no próximo dia 13, a exposição “Tempos de Escravidão, Tempos de Abolição: Iconografias e Textos”. Com curadoria do artista plástico, Emanuel Araújo, a exposição é dividida em dois tempos diferentes e traz em seu acervo documentos históricos, fotografias de época e pinturas e esculturas de líderes negros abolicionistas.


Além da exposição, a programação conta ainda com o lançamento dos livros "De Valentim a Valentim - a Escultura Brasileira - Séculos XVIII e XX", que reconta a história da escultura européia paralelamente a da escultura brasileira e, "As Artes de Carybé - Las Artes de Carybé" , que traz as obras do artista argentino, radicado no Brasil, Hector Julio Paride Bernabó e reflete a trajetória do artista enquanto viveu em Salvador.


O evento conta ainda com o debate “Viva, Carolina Viva!”, que discute a participação da mulher negra no mercado literário brasileiro e relembra a obra de Carolina Maria de Jesus. Conta também o lançamento da nova revista do museu, Afro B e com os shows dos cantores baianos Virginia Rodrigues e Tiganá Santan.
Serviço
Exposição “Tempos de Escravidão, Tempos de Abolição – Iconografias e Textos” Abertura da exposição: Dia 13 de maio de 2010, às 19 horas
Classificação: Livre
Endereço: Av. Pedro Alvares Cabral, s/n. - Parque Ibirapuera - Portão 10
Funcionamento: terça a domingo, das 9h às 17h (permanência até 18h)
Estacionamento: Portão 3 - Zona AzulInformações: (11) 5579-0593
Agendamento de grupos e visitas monitoradas: (11) 5579-0593 ou agendamento@museuafrobrasil.com.br


quarta-feira, 12 de maio de 2010

Virada Cultural e o 13 de Maio

Lendo a entrevista do programador da Virada Cultural, José Mauro Gnaspini, na edição da terça-feira última (11/05/2010) caderno Ilustrada, da Folha de São Paulo, dizendo que o rap adquiriu um estigma, e, por isso, foi limado da programação do evento, me deu uma estranha sensação de déja vù, de algo que não faz parte somente de um acontecimento isolado, mas de um histórico processo discriminatório. O lendário Nelson Triunfo conta que as rodas de hip hop no metro São Bento, nos distantes 1980, não eram simples reuniões, mas sim, uma resistência. A polícia sempre aparecia para descer o cacete naqueles caras que insistiam em mostrar, publicamente, sua cultura, sua origem. E foi assim também com o samba. Quantos bambas no começo do século não tiveram que fugir dos golpes de cacetete da polícia montada, que aparecia de surpresa e promovia um verdadeiro “espalha-roda”. Quantos violões e pandeiros foram dilacerados pela intolerância cultural? Quantos sambas não foram interrompidos e seus compositores não conseguiram voltar para a mesma harmonia? Pensando por esse ângulo, chegamos á conclusão que o episódio Racionais na Virada Cultural de 2007 não foi novidade. A polícia bateu, e, naturalmente, houve reação.
O Sr. Mauro disse que a culpa foi de todos: da polícia que bateu, dos Racionais que não souberam controlar o público (?) e do próprio público que não soube se comportar. Mas ele acaba de assinar sua parcela de culpa também, porque dizer não é mais fácil do que articular, dialogar (com os artistas, lideranças..) e chegar a um concenso. Deixou de fora o meio de expressão mais contundente e que melhor retrata a contemporaneidade urbana nesta cidade. Percebe-se, de cara, que este indivíduo nunca pisou na periferia. Desconhece os corações feridos por metro quadrado, cansados do enquadro desnecessário na volta do trabalho, na viela escura e suspeita, á procura de documentos ou, simplesmente, de um culpado sem culpa, só para lavrar um beozinho, para não voltar à delegacia de mãos abanando. O confronto entre polícia e público no show dos Racionais não foi de graça, foi o sintoma de uma doença chamada preconceito. Felizmente, o movimento Hip Hop é maior do que isso. Tem corpo. Tem alma. Tem atitude e cabeças pensantes. E vai durar muito mais do que o um mero cargo (com muito poder de decisão, mas apenas um cargo), que, certamente vai dançar quando o atual prefeito deixar a cadeira para o próximo...
E os focos de resistência, aos poucos, saem do gueto para o outro lado da ponte. Manos e Minas, Rádio 105, Revista Raça....
Outro aspecto a ser abordado é a necessidade de termos negros gestores de cultura. Negros produtores culturais, capazes de ocupar justamente cargos como esse, do Sr. Mauro, e apresentar uma visão multicultural, sem ranço, que atenda a todos em uma São Paulo tão diversa e grande. Quero lembrá-lo, senhor programador, que esse estigma da violência, nasceu da própria sociedade, das instituições, da mídia... um esforço coletivo que tenta nos excluir e nos empurrar para o nosso canto, tendo como fator motivante, a escravidão, que, na minha humilde opinião, não terminou com o advento da Lei Áurea, apenas mudou de fase (ou de face?). E, desta forma, fica a dica para todos pensarmos sobre o Treze de Maio: ela significa a liberdade ou a escravidão contemporânea?

terça-feira, 11 de maio de 2010

III ESPELHO ATLÂNTICO - MOSTRA DE CINEMA DA ÁFRICA E DA DIÁSPORA Evento apresenta a atual produção cinematográfica africana e afro-descendente

A CAIXA Cultural apresenta a “III Espelho Atlântico – Mostra de Cinema da África e da Diáspora”, com direção geral da cineasta Lilian Solá Santiago e que leva ao Rio de Janeiro sua primorosa seleção de filmes africanos e da diáspora negra. O evento acontece de 11 a 16 de maio, com exibições simultâneas nos cinemas 1 e 2.

A mostra “Espelho Atlântico” é uma rara oportunidade de assistir a importantes títulos, alguns inéditos por aqui, capazes de provocar uma profunda reflexão sobre os pontos de identificação e convergência entre as identidades brasileira, africana e ocidental.
Esta terceira edição proporcionará uma abordagem atual e significativa da produção cinematográfica africana contemporânea e da realizada fora do continente, mas que dialoga diretamente com a herança cultural do continente africano.

Falar de diáspora é reconhecer que a África vive. Não só nos territórios africanos de hoje, com sua enorme diversidade de povos e culturas, mas principalmente na Europa e Américas. Em todos esses lugares, o que é branco, europeu, ocidental e colonizador sempre foram os elementos considerados positivos, o que reflete na cinematografia.
A mostra “Espelho Atlântico” destaca o que comumente é posicionado em termos de subordinação e marginalização: o pensamento, os sentimentos e os traços negros – de africanos, escravizados e colonizados.

SERVIÇO:
III Espelho Atlântico – Mostra de Cinema da África e da Diáspora
Local: CAIXA Cultural RJ – Cinemas 1 e 2 Endereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro (Metrô: Estação Carioca)Telefones: (21) 2544-4080Temporada: de 11 a 16 de maio de 2010Horários: Sessões a partir das 19hIngressos: R$ 4,00 (inteira), R$ 2,00 (meia-entrada)Acesso para portadores de necessidades especiais.Classificação indicativa: Consultar programação
FESTA DE ABERTURA DIA 11/05 - 21hLocal: Estrela da LapaAv. Mem de Sá, 69 (próximo aos Arcos da Lapa)DJ Zé Octavio (afro-beat, afro-cuban, afro-jazz, soul, funky e Rhythm n' blues)Preço: R$ 20,00 ou R$10,00 (Ingresso do filme ou lista: espelhoatlantico@gmail.com)

www.caixa.gov.br/caixacultural

Cia. Sansacroma leva ao palco a vida de Pagu


A Sansacroma está com um novo espetáculo: “Angu de Pagu”, uma leitura coreográfica da vida e obra de Pagu, mulher de inúmeras matizes e libertária por excelência. Sob direção de Gal Martins, este projeto de pesquisa da Companhia Sansacroma faz parte da Trilogia Militantes do Ideal e tem o apoio do Programa de Fomento a Dança para a cidade de São Paulo. O espetáculo conta a história de diversas “Pagus” através de informações que não seguem uma linha cronológica, formando um esqueleto que traça a sua trajetória em seis momentos mais marcantes, que vão, entre outros, da militância política, maternidade até agitação cultural.

Sobre Pagu

Patrícia Redher Galvão fez de sua vida um campo de batalha contra a intolerância, os desmandos e os grilhões impostos por senhores de uma sociedade retrógrada e injusta, nos seus mais diversos aspectos. Mais do que isso, ela se fez mulher, materna e artista. Um espírito batalhador que foi capaz de ir muito além dos limites impostos por seu corpo físico. Bem adiante de nossa época, ela inovou e revolucionou costumes..

Sobre a Sansacroma

A Companhia atua diretamente na região do extremo sul da cidade de São Paulo, propondo uma descentralização e difusão da produção da dança contemporânea na cidade, onde sua sede, o Ninho Sansacroma, oferece para a região uma programação de espetáculos de diversas companhias buscando esse elo entre a produção central e a local. Com apoio dos parceiros, a Cia tem a oportunidade de mostrar seus trabalhos, em diversos locais para inúmeras pessoas “vivenciarem” a arte contemporânea, através de uma leitura sensível e assim construírem novas diretrizes sobre conceitos e preconceitos embutidos na sociedade. Dentre os trabalhos em destaque estão: Negro Por Brasil, Orfeu Dilacerado e Identifique-se, uma intervenção urbana em feiras públicas da Cidade de São Paulo.

Serviço
“Angu de Pagu”
De 02 a 30 de maio
Sábados 21h e domingos às 20h
Duração: 60 minutos
Espaço Ninho Sansacroma
R. Dr. Luís da Fonseca Galvão 248
Parque Maria Helena – Capão Redondo
www.ciasansacroma.wordpress.com
ciasansacroma@gmail.com

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Jornalista pleiteia indenização para proprietário de escravos


(matéria publicada no portal Afropress)
Às vésperas das comemorações dos 122 anos da abolição da escravatura no Brasil, uma proposta de Lei, realizada pelo jornalista carioca Eduardo Banks visa restaurar parte do sistema escravocrata brasileiro. A proposta, criada em nome da Associação Eduardo Banks, busca a garantia de indenização aos descendentes de proprietários de escravos, por terem sido, segundo a proposta, "lesados" quanto ao seu direito de posse.

Segundo o jornal O Globo, uma das justificativas dadas pela Associação e seu dirigente para o pedido de indenização foi uma comparação entre a Lei, que garantiu a liberdade a mais de 700 mil pessoas que ainda viviam sob o regime da escravidão e os animais, ao afirmar que a maneira que a Lei Áurea foi aprovada sem nenhum direito aos proprietários, pode se comparar a possibilidade de nos dias de hoje, fosse aprovada uma lei para a "libertação" de todo o gado, sem indenização aos donos.

Considerada inconstitucional, a proposta foi rejeitada pelo presidente da Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados, deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS).
De acordo com a matéria, o deputado Paulo Pimenta, além de arquivar o processo, afirmou ainda que “a escravidão foi um imenso erro cometido pela humanidade e que reconhecer o direito à indenização seria um retrocesso à legislação vigente e um ataque à dignidade humana”.

O arquivamento do processo gerou polêmica na Câmara por ter acontecido, sem que a proposta fosse posta em votação. Alguns deputados, mesmo discordando dos argumentos da proposta, acreditaram que o projeto deveria ter sido submetido à comissão antes de ser vetado, já que a comissão visa à participação popular da sociedade.
A possibilidade de pedidos de indenização por parte de proprietários de escravos, não é novidade. Ainda no dia 14 de dezembro de 1890, o então ministro da Fazenda, Ruy Barbosa, ordenou a queima dos registros de matrículas do escravos, que existiam em cartórios brasileiros, para evitar pedidos de indenizações feitos pelos antigos senhores .

Em entrevista concedida ao portal Afropress, Eduardo Banks afirmou que não tem nada contra os direitos dos negros, mas que quer o reconhecimento dos direitos dos proprietários, já que alguns estados, como São Paulo, por exemplo, foram arruinados pela Lei Áurea.
Banks, afirma ainda que pretende procurar outros deputados ou senadores que aceitem apresentar a proposta com o próprio nome, como um projeto de Lei Ordinária.
Essa não é a primeira vez, entretanto, que o jornalista entra em pauta na mídia brasileira. Eduardo Banks, que já foi candidato a deputado federal e vereador e se classifica como membro da extrema direita, se coloca contra a união civil de homossexuais, o direito ao aborto para mulheres e já defendeu a permanência de um nazista renomado no Brasil.

Catarse coletiva no concurso da Caixa


Um erro ridículo deixou muita gente na mão neste final de semana durante as provas para o concurso da Caixa Econômica Federal: o endereço do local da prova estava errado! Somente em São Paulo, pelo menos 300 pessoas pagaram, estudaram em cursinhos ou em casa, vieram de outros locais, como Goiania e Brasília e simplesmente ficaram a ver navios. Não conseguiram fazer a prova que poderia mudar suas vidas.
A Cespe, empresa ligada a Universidade de Brasília foi a responsável pela organização do concurso, e afirmou, sem pestanejar, que o erro foi dos candidados. Resposta de alguém que não vê os candidatos como pessoas à procura de oportunidades de trabalho, mas como meros números. Cerca 300 pessoas (fora o pessoal que prestou em Osasco e Rio de Janeiro) errando, ao mesmo tempo, o local da prova. Explicação, no mínimo, estúpida e inconsequente. Muitos candidados, barrados por não ter seus nomes inclusos nas listas, exibiam seus comprovantes de pagamento. A confusão foi geral. Erros existem, ninguém está livre deles. Mas alegar que os candidatos erraram o endereço seria afirmar que houve uma espécie de catarse coletiva, onde todo mundo pensou a mesma coisa ao mesmo tempo. Nem Hollywood foi tão criativa....

terça-feira, 27 de abril de 2010

Radiografia da periferia


Rappin'Hood e Nelson Triunfo fazem nesta terça-feira, dia 27 de abril, o primeiro show de uma programação especial que vai de hoje a dezembro. O projeto Radiografia Cultural: Periferia e Underground em SP, reunirá em encontros mensais artistas de diferentes áreas, como grafite, música, cinema, teatro, literatura e dança.

Logo depois do show, haverá um debate sobre o tema periferia e cultura de resistência, com a participação de Triunfo e King Nino Brown, fundador da Casa do Hip-Hop de Diadema. "A ideia é mapear as diferentes manifestações artísticas da periferia, valorizar o trabalho dessa rapaziada toda e possibilitar uma troca de experiências entre os artistas e o público", explica Luiz Nunes, um dos idealizadores do evento.


Radiografia Cultural: Periferia e Underground em SP Hoje, às 18h (retirar ingresso a partir das 10h). No Centro Cultural Banco do Brasil (r. Álvares Penteado, 112, centro, tel. 0/xx/11 3113-3651). Grátis. 12 anos.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Hoje é Dia Nacional do Choro. Hoje é dia de Pixinguinha

Pixinguinha, de chinelo e pijama, num típico boteco de bambas.
Foto histórica do Instituto Moreira Salles
Hoje é Dia Nacional do Choro. Estilo genuinamente brasileiro e carioca e com uma história de 150 anos recheados com músicos considerados pioneiros, como Anacleto de Medeiros, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Garoto, Jacob do Bandolim e Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha, o maior chorão de todos os tempos. O Dia Nacional do Choro é comemorado no dia 23 de abril por ser uma data especial, é o dia do nascimento do Pixinguinha. Tenor, pianista, saxofonista, arranjador, e compositor de música popular brasileira. Responsável direto por firmar o Choro como um gênero musical. Pixinguinha inovou o ritmo, acrescentou leveza, ritmo, graça, improviso.

O Choro entra na cena musical brasileira em meados e finais do século 19. Inicialmente, o gênero mesclava elementos da música africana e européia e era executado principalmente por funcionários públicos, instrumentistas das bandas militares e operários têxteis. Segundo José Ramos Tinhorão, “o termo choro resultaria dos sons plangentes, graves das modulações que os violonistas exercitavam a partir das passagens de polcas que lhes transmitiam os cavaquinistas, que induziam a uma sensação de melancolia". Voltando a Pixinguinha, o músico deixou um legado de inúmeros clássicos, arranjos e interpretações como flautista e saxofonista. Carinhoso, Lamento, Rosa, 1 x 0, Ainda Me Recordo, Proezas de Solon, Naquele Tempo, Vou Vivendo, Abraçando Jacaré, Os Oito Batutas, Sofres Porque Queres, Fala Baixinho, Ingênuo, figuram entre as suas principais composições.

O apelido Pixinguinha veio da união de pizindim – menino bom – como sua avó o chamava, e bexiguento, por ter contraído a varíola, que lhe marcou o semblante. Mário de Andrade registrou a presença do mestre na cena carioca, criando em seu livro “Macunaíma”, um personagem: “um negrão filho de Ogum, bexiguento e fadista de profissão” (Andrade, 1988). A passagem se dá quando o “herói sem nenhum caráter” freqüenta uma “macumba” em casa de tia Ciata.

segunda-feira, 19 de abril de 2010



COREOGRAFIAS DA CIA. SANSACROMA NARRAM


VIDA E OBRA DO POETA SOLANO TRINDADE


O TD - TEATRO DE DANÇA (instituição vinculada à Secretaria Estadual de Cultura de São Paulo, gerenciada pela Associação Paulista de Amigos da Arte - APAA) traz para o seu palco o espetáculo “SOLANO EM RASCUNHOS”, da Cia. Sansacroma, que se apresenta entre os dias 23 e 25 de abril de 2010.

O espetáculo retrata vida e obra do poeta negro Solano Trindade. Com direção e concepção da atriz, dançarina e coreógrafa Gal Martins, “Solano em Rascunhos” faz parte do projeto“Trilogia Militantes do Ideal e une teatro e dança para contar a história do poeta do povo, que foi tema da escola de samba da paulistana Vai-Vai e um dos artífices do pólo cultural do Embu das Artes. Solano ganhou notoriedade no mundo da poesia por escrever sua obra sob inspiração de suas preocupações relativas à valorização da cultura negra e à luta contra a desigualdade social e racial no Brasil.

Gal Martins usou como base a coreodramaturgia para desenvolver a narrativa deste espetáculo. Este processo interpretativo criou infinitas possibilidades de expressar as poesias da obra “Cantares ao Meu Povo”, acompanhado de algumas adaptações. Para transmitir o poder dos versos que narram a realidade dos morros e as mazelas do país adepto de um racismo cordial, Gal Martins focou, para a construção do espetáculo, em diversas técnicas da dança e teatro contemporâneo. Projeções de imagens, somadas a uma trilha sonora realizada ao vivo com instrumentos percussivos, fazem de Solano em Rascunhos um momento de homenagem e reflexão sobre essa figura histórica que foi Solano Trindade.

SOLANO TRINDADE
Solano nasceu no bairro de Bom Jesus, em Recife, Pernambuco. Filho da quituteira Emerenciana e do sapateiro Manoel Abílio, viveu em um lar católico, apesar de seu pai incorporar entidades às escondidas. Solano chegou ao cargo de diácono na Presbiteriana, mas abdicou da vida cristã ao perceber que a instituição religiosa não se preocupava com as dificuldades enfrentadas pelos negros, nem com os problemas sociais. De cristão presbiteriano o poeta passa a militante comunista assim que chega ao Rio de Janeiro, em meados da década de 40. Após filiar-se ao partido de Luiz Carlos Prestes, Solano Trindade fez em Caxias a célula Tiradentes na qual se reuniam operários e camponeses. Por sua poesia carregada de significado e em virtude de seu engajamento político, Solano foi preso duas vezes pela ditadura militar do Estado Novo. Além de poeta, Solano Trindade era artista plástico, teatrólogo, ator e com a primeira de suas três esposas, Margarida da Trindade, aprendeu o ofício de folclorista. Foi na companhia de Margarida, e do etnólogo Edson Carneiro que, em 1950, ele funda o Teatro Popular Brasileiro – TPB.
O casal Trindade ainda ajudou Aroldo Costa a montar o Teatro Folclórico, rebatizado posteriormente como Brasiliana. Em 1961, recém-chegados da Europa, Solano e um grupo com mais de trinta bailarinos estavam em São Paulo para a apresentação de um espetáculo, quando receberam do escultor Claudionor Assis Dias, o Assis do Embu, um convite para visitar a cidade paulistana. Com a chegada de Solano, montou-se um movimento artístico coletivo no “Barraco do Assis”. Eles começaram a fazer festas que duravam três dias, faziam espetáculos na rua, exposições na rua, tudo isso em 1961. Essas manifestações ajudaram a dar origem ao nome Embu das Artes, que fez do município paulistano um lugar conhecido internacionalmente. Solano faleceu em 1974, aos 66 anos, no Rio de Janeiro, para onde voltou já doente. Foi sepultado no Cemitério da Pechincha, em Jacarepaguá.



A CIA. SANSACROMA
A Cia. Sansacroma é um grupo da cidade de São Paulo, criado em 2002 pela atriz, dançarina e coreógrafa Gal Martins, que desenvolve trabalhos baseados na interdisciplinaridade artística, através de técnicas e vivências em teatro contemporâneo e dança contemporânea. Tem como foco fomentar temas que são pertinentes na sociedade atual, mediadas principalmente, por questões que afetam a todos diretamente, seja na rua, conceitos, relações pessoais, mídia e na própria arte. Atua diretamente na região do extremo sul da cidade de São Paulo, propondo uma descentralização e difusão da produção da dança contemporânea na cidade, onde sua sede, o Ninho Sansacroma, oferece para a região uma programação de espetáculos de diversas companhias buscando esse elo entre a produção central e a local.
Com apoio dos parceiros, a Cia tem a oportunidade de mostrar seus trabalhos, em diversos locais para inúmeras pessoas “vivenciarem” a arte contemporânea, através de uma leitura sensível e assim construírem novas diretrizes sobre conceitos e preconceitos embutidos na sociedade. Dentre os trabalhos em destaque estão: Negro Por Brasil, Orfeu Dilacerado e Identifique-se, uma intervenção urbana em feiras públicas da Cidade de São Paulo.

“Solano em Rascunhos” - 23 a 25 de abril
Sexta às 21h, sábado às 20h, domingo às 18 h
50 minutos de duração, classificação 12 anos


Solano em Rascunhos
Cia. Sansacroma/SP
Direção e Concepção: Gal Martins
Coreografia: Gal Martins e Intérpretes-Criadores Assistência de Coreodramaturgia: Rodrigo Cândido e Siva Nunes Produção Executiva: Marina Hohne Adaptação de Textos: O elenco Trilha Sonora: Cláudio Miranda Percussão ao Vivo: Alan Bernardino Edição de Imagens: Rodrigo Cândido Intérpretes-Criadores: Bárbara Santos, Cléia Varges, Felipe Santana, Jean Valber, Lenny de Sousa, Marcela Teixeira, Mazé Soares, Mirela Pizani, Rodrigo Cândido e Welton Silva

TD - Teatro de Dança - Secretaria de Estado da Cultura
APAA - Associação Paulista dos Amigos da Arte
Avenida Ipiranga, 344 - Subsolo, Edifício Itália - São Paulo, SP, Brasil - Metrô República - Email:
mailto:inf.teatrodedanca@apaa.org.br Telefone da bilheteria: 2189 2555 /// Informações: 2189 2557 Capacidade: 278 lugares/Ar-condicionado ///Acessibilidade para pessoas com necessidades especiais /// Ingresso: R$ 4,00 e R$ 2,00 (meia) /// Estacionamento: R$ 15,00 com manobrista /// Bilheteria, abertura: Vendas para o dia do espetáculo - 4ª a domingo, a partir das 14h/// http://www.apaacultural.org.br/


quarta-feira, 7 de abril de 2010

Osso roído é mais gostoso


Sarney é um homem cheio de tentáculos. Vinte e cinco anos após assumir a presidência da República com a morte de Tancredo Neves, José Sarney voltará a responder pelo cargo. Ele deve assumir interinamente a presidência da República no próximo domingo, quando o presidente Lula embarcará para os Estados Unidos. O vice Alencar e Michel Temer saltaram de banda, porque, se aceitassem o cargo temporário, tornariam-se inelegíveis nas próximas eleições. Pensando bem, é preferível ter o Sarney como presidente interino por uns dias do que suportar aquele bigode de Sancho Pança cravado nas telas das tvs pedindo votos mais uma vez naquele velho discurso mais batido que chão de terra no interior: "brasileiros e brasileiras!"...Deus me livre e guarde!!

Feridas abertas

Dizem que feridas cicatrizam. Mas as feridas da alma não. Elas permanecem, e, vez em quando são abertas. O assassinato do líder segregacionista Eugene Terreblanche, 69, na África do Sul, que foi morto a pauladas em sua fazenda, perto da cidade de Ventersdorp, no noroeste do país, por dois empregados em uma disputa sobre falta de pagamento, colocou o continente que vai receber a próxima Copa do Mundo de futebol em estado de atenção. Após ameaças de vingança de seus companheiros de partido, o AWB, defensores da supremacia branca, vemos que o caldeirão não deixou de ferver, mesmo depois do fim do Apartheid e da libertação de Nelson Mandela. Percebemos que as diferenças raciais na África ainda são latentes e que esse acontecimento é apenas o pico do iceberg de uma série de conflitos armados, guerras étnicas, genocídios, seca, fome, entre outros fatores, que assolam o continente e passam de forma desapercebida aos olhos do mundo.
Sim, porque os grandes jornais, a TV e a mídia no geral não se preocupa com que acontece na África. Esquecem ou se fazem de esquecidos. É fato isolado, não reflete aqui mesmo, né? A verdade é que a situação política e social da África não vende jornal. Só que eles (a mídia, os políticos, a ONU e os países de primeiro mundo) esquecem que esta situação é o espelho da nossa sociedade, do que pensamos ou nos preocupamos. È o espelho da fome do poder econômico e da lei do mais forte. O custo econômico que os conflitos armados que explodiram entre 1990 e 2005 tiveram para o desenvolvimento africano foi de pelo menos de US$ 300 bilhões - cerca de R$ 600 bilhões, segundo um relatório da Oxfam (grupo não-governamental) e outras duas organizações. O custo econômico de uma guerra que teve início lá atrás, assim que as grandes potências perceberam o filão africano e passaram a explorá-lo indiscriminadamente. A Copa do Mundo não pode servir apenas como mero perfume, diversão. Ela precisa ser uma oportunidade para que os africanos contem ao mundo a sua realidade. Alô correspondentes e enviados internacionais, editores, pauteiros, produtores! Não façam como a ONU, não fechem os olhos diante do problema.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Em 2002, morria 1,7 negro entre 15 a 24 anos para cada jovem branco da mesma faixa etária. Em 2007, essa proporção saltou para 2,6 para 1


Para quem acompanha a vida nas cidades no seu dia-a-dia, a matéria publicada nesta semana pelo jornal O Estado de São Paulo não é novidade. Mas como o sociedade tem uma necessidade quase paranóica por números, ela torna-se necessária. Uma oportunidade de reflexão....


Fonte: Agência Estado

O risco de um jovem negro ser vítima de homicídio no País é 130% maior que o de um jovem branco, segundo o Mapa da Violência - Anatomia dos Homicídios no Brasil, estudo que compreende o período de 1997 a 2007 e que está sendo divulgado hoje em São Paulo pelo Instituto Sangari, com base nos dados do Subsistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde. A desigualdade entre as duas populações, que já era expressiva, aumentou de forma assustadora em cinco anos. Em 2002, morria 1,7 negro entre 15 a 24 anos para cada jovem branco da mesma faixa etária. Em 2007, essa proporção saltou para 2,6 para 1.O abismo entre os índices de homicídio é resultado de duas tendências opostas. Nos últimos cinco anos, o número de mortes por assassinato entre a população jovem branca apresentou uma redução significativa: 31,6%. Entre negros, o movimento na direção contrária, um aumento de 5,3% das mortes no período. "Brancos foram os principais beneficiados pelas ações realizadas de combate à violência. Temos uma grave anomalia que precisa ser reparada", diz Julio Jacobo, autor do estudo.O trabalho revela que em alguns Estados as diferenças de risco entre as populações são ainda mais acentuadas.

Na Paraíba, por exemplo, o número de vítimas de homicídio entre negros é 12 vezes maior do que o de brancos. Em 2007, a cada cem mil brancos, eram registrados 2,5 assassinatos. Entre a população negra, no mesmo ano, os índices foram de 31,9 homicídios para cada cem mil."As diferenças sempre foram históricas no Estado. Mas as mudanças nesses últimos cinco anos foram muito violentas", avalia Jacobo. Paraíba seguiu a tendência nacional: foi registrada a redução do número de vítimas entre brancos e um aumento do número de assassinatos entre negros.Pernambuco vem em segundo lugar: ali morrem 826,4% mais negros do que brancos. Rio de Janeiro ocupa a 13ª posição, com porcentual de mortes entre negros 138,7% maior do que entre brancos. São Paulo vem em 21º lugar, onde morrem 47% mais negros do que brancos.

O Paraná é o único Estado do País onde a população branca apresenta maior risco de ser vítima de homicídio - proporcionalmente morrem 36,8% mais brancos do que negros.População masculinaA esmagadora maioria dos assassinatos no País ocorre entre a população masculina. Em 2007, 92,1% dos homicídios foram cometidos contra homens. Na população de jovens, essa proporção foi ainda maior: 93,9%. O Espírito Santo foi o Estado que apresentou maior taxa de homicídios entre mulheres: 10,3 por cem mil, seguida de Roraima, com 9,6. O Maranhão foi o Estado com o menor indicador. Foram registradas 1,9 morte a cada cem mil mulheres.O estudo conclui ainda que não é a pobreza absoluta, mas as grandes diferenças de renda que forçam para cima os índices de homicídio no Brasil. O trabalho fez uma comparação entre índices de violência de vários países com indicadores de desenvolvimento humano e de concentração de renda. "Claro que as dificuldades econômicas contam. Mas o principal são os contrastes, a pobreza convivendo com a riqueza", afirma Jacobo

sexta-feira, 26 de março de 2010

Cinema na Favela, Favela no Cinema


V Festival Cine Favela de Curta-Metragem


O V Festival Cine Favela de Curta-Metragem acontece no período de 2 de abril a 8 de maio. A abertura será na sede do Cine Favela (Comunidade de Heliópolis) com exibição, às 20 h, do longa-metragem convidado “Sonhos Roubados”, de Sandra Werneck com Nanda Costa, Marieta Severo, Daniel Dantas, Kika Farias, Nelson Xavier e MV Bill.
O lançamento no Sesc Santana acontece no dia 6 de abril, terça-feira, às 20 h, com exibição do cultuado curta-metragem Carolina, de Jeferson De (diretor do longa “Bróder”, lançado recentemente no Festival de Berlim) e a última produção do Projeto Cine Favela, “Se Não Acontecesse”, coordenado pelo cineasta Luiz Adriano Daminello, além de show com o rapper Lui MR.

A Mostra Competitiva é formada por 22 títulos, dos quais um será escolhido por voto popular como Melhor Filme, recebendo prêmio de R$ 2.000 em dinheiro. Várias outras atrações movimentam a programação do Festival: Mostra Itinerante (exibição ao ar livre em três pontos da Comunidade), Cine Recreio (exibição de uma grade infantil em 12 escolas públicas), debates e Oficina de Cinema para 30 jovens, com a realização de um curta, ministrada por Luiz Adriano Daminello e participação de outros renomados profissionais do cinema (Braulio Mantovani, Thais Canjani, Monica Palazzo, Luciana Canton e Kira Pereira).


Veja a programação completa no site:

Lixo 2

Sergio Castro/Ag.Estado


Para comemorar a Semana da Água e também para incentivar postura decente perante o meio ambiente, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), em parceria com o Instituto da Criança Cidadã e com a agência Lew'Lara Propaganda, criou uma ação de intervenção urbana, às margens do Rio Pinheiros, na zona sul de São Paulo.

Bem ao lado da Ponte Eusébio Matoso, na região de Pinheiros, foram colocados duas intervenções, que podem ser vistas por terra ou pelo ar. Duas palavras, Bem-vindo e Adeus, um feita com resíduos retirados do rio e outro composta por plantas. Uma espécie de manifesto.
Para compor a palavra Bem-vindo, numa referência à adoção de uma nova postura, com menos lixo e mais verde, foram utilizadas cerca de 10 mil mudas de plantas.
Aproximadamente uma tonelada de resíduos retirados das margens do Rio Pinheiros, devidamente esterilizados e limpos, serviu de matéria-prima para mais de 40 crianças formarem a palavra Adeus, simbolizando o desejo de melhoria das águas dos rios Tietê e Pinheiros.



Programa de tv caça porquinhos na rua

A cena é comum na cidade, mas não deveria ser

Nem sempre a TV aberta vive em clima desértico de ideias. O programa VideoNews, da Band, tem um quadro ótimo: "Esse Lixo é Seu". Os produtores seguem as pessoas em locais de grande movimentação na cidade de São Paulo à caça de algum porquinho acostumado a jogar lixo no chão. Assim que o ato é flagrado pela câmera, um produtor pega o lixo, coloca no saquinho e inicia uma caçada ao porco. A pessoa é abordada e o lixo devolvido a seu devido dono. Alguns jogam na lata mais próxima, outros, negam descaradamente ou até fogem da câmera. Tocando em um assunto já abordado neste blog, o programa mostra onde mora mais da metade dos motivos das inundações que atingem São Paulo.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Quando isso muda???

No último domingo, 21 de março, foi o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial. Um dia que passou batido, com excessão das reuniões e encontros promovidos por entidades em todo o país e o show que reuniu vários artistas como Sandra de Sá, Thaíde, entre outros, no centro de São Paulo. Na mídia, também passou batido. Zero de matérias para um tema tão importante em tempos de xenofobismo exacerbado, seja aqui ou em qualquer parte do mundo. É realmente um contracenso, porque todos sabemos (ou não?) que o mundo mudou depois dos atentados de 11 de setembro. Brasileiros ainda são barrados na Espanha, mesmo portando todos os documentos, dinheiro suficiente para permanecer no país e local fixo para ficar.
Árabes são alvos ambulantes e vistos como reproduções de Bin Laden. A guerra entre Israel e Palestina não muda nunca e deixa um rastro de cadáveres a cada ano que passa. Argentinos são sempre inimigos dos brasileiros no futebol, menos, é claro, nos negócios. Uma parcela dos brasileiros que mora no sul do país continua querendo a separação do resto do país. E muitos paulistas permanecem culpando os nordestinos por nossos problemas econômicos. Os negros, são maioria absoluta nos índices de analfabetismo e pobreza. E os índios ainda têm suas terras achacadas por multinacionais sedentas por terras e poder. Enquanto esses fatos não forem encarados dentro de uma dimensão real, o dia 21 de março, estabelecido pela ONU para lembrar o massacre de Shapervile, quando a polícia sul-africana matou 69 negros que protestavam contra a lei do passe (eram obrigados a carregar cartões de identificação) na Àfrica do Sul, vai sempre passar batido. E as coisas sempre ficaram na mesma.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Daime em foco

Agora o Santo Daime é a bola da vez. Quero ver quem vai defendê-los, pois eles não tem representantes no Congresso Nacional e nem emissora de TV.....

sexta-feira, 12 de março de 2010

Paga Pau

Todo mundo ficou sabendo da palhaçada que o Axl Rose aprontou, deixando um monte de endinheirados esperando um show secreto, em uma boate badaladíssima de São Paulo. Brigas e discussões deram lugar ao que seria um show histórico. Não deixa de ser engraçado aquela gente bem vestida e cheirosa esperando um cara que não tinha a mínima condição de subir no palco. Um show "secreto" que os colunistas sociais passaram o dia tentando descobrir o local. Pô, com tanta coisa legal acontecendo por aí. Tanta importância e perda de tempo em torno de um cara que está pouco se lixando para o nosso país, ou, para qualquer outro lugar.. Na periferia diriam "é para aprender e deixar de ser paga pau".

Pedaço de adolescência perdida agora


Um pedaço da minha adolescência se foi com a morte do cartunista Glauco. O que o Henfil representou para a geração 1970, Glauco, ao lado do Laerte e do Angeli, representaram para mim na geração 1980. Lembro-me de fazer coleção da Chiclete com Banana. Geraldão e Bob Cuspe eram os meus prediletos. Se naquela época (idos de 1985/1986) existisse Avatar, certamente, os dois seriam os meus. Eles eram tudo o que eu não tinha coragem de ser. O Bob cuspia na sociedade e o Geraldão era escroto e mal-educado. Eram os meus ídolos, ao lado dos Titãs (que na época eram os Titãs do Iê-Iê), da Plebe Rude e dos Replicantes.

O Glauco tinha medo que seu traço morresse, porque, segundo ele, poderia com o tempo não mais fazer a cabeça da moçada. Talvez isso realmente aconteça (espero que não). Do jeito que as coisas andam, tanta babaquice, caretice, jovem que já tem até cabelo branco.. O que quero dizer é que esses caras oxigenavam nossas mentes com criatividade e modernidade em formato de quadrinho. Antes de frequantar o meio underground (com excessão de umas idas e vindas no Madame Satã), eu já conhecia o comportamento dos seres que habitavam esse universo. Conhecia as gírias, o clima cool dos bares. E fiquei sem fôlego quando reconheci cada personagem, retratado pelo trio Glauco-Angeli-Laerte, caminhando por aí durante minhas primeiras incursões pela madrugada paulista (a velha Lira Paulista). Quem nunca trabalhou ao lado de uma D. Marta na vida? Ou nunca encontrou um Faquinha pelas ruas de SP....Glauco foi e deixa seu legado. Seus personagens são reais e vamos continuar encontrando muitos deles no nosso dia-a-dia. É só deixar de pensar somente nos problemas comuns e prestar atenção nas pessoas, principal matéria-prima dessa geração de cartunistas.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Jeferson De exibe o filme "Bróder" no Festival de Berlim


Foi exibido nesta semana no Festival de Berlim o primeiro longa metragem do diretor Jeferson De. Em uma sessão quase lotada no Zoo Palast, na praça central da capital alemã, brasileiros e estrangeiros se reuniram para presenciar o que talvez seja um dos maiores acontecimentos para um cineasta negro - e brasileiro: a exibição de uma obra que discute as relações humanas existes dentro de um bairro periférico brasileiro, no caso, o Capão Redondo, em São Paulo. Não que esse tema já não tenha sido discutido e reunido em uma obra cinematográfica. Mas o longa Bróder é diferente. É a visão de dentro para fora. A visão de um artista negro, que conhece não somente a questão da violência, do tráfico de drogas, do crime.. é a visão, como já foi dito, das relações humanas. Só por esse fato o filme já é uma vitória. As filmagens mobilizaram personagens verdadeiros, gente que mora no próprio Capão e que conhece de perto o que é morar na periferia, as dificuldades, a realidade como ela é.

A fonte da pesquisa foi o próprio olhar, as lembranças das histórias vividas e contadas. Não foi somente fruto de teses de mestrado, da opinião de sociólogos. É a visão do povo como ele é. O longa recebeu até a benção do emblemático Mano Brown, dos Racionais. E as bençãos do povo do Capão, que espera ansiosamente as exibições em praça pública prometidas por Jeferson De. Apesar dos ares positivos que o longa pode trazer para outros cineastas negros que estão na batalha (e há muitos, isso é sabido), a língua ferina da elite não perdoa.

Em matéria publicada no Caderno 2, do jornal O Estado de São Paulo, o crítico de cinema Luis Carlos Merten diz que nos bastidores da exibição alguns espectadores viram o filme com desconfiança, por causa da participação da Sony, da Lereby (de Daniel Filho) e da Globofilmes. Classificaram o filme de suspeito devido aos nomes envolvidos na produção e também pelos atores globais, como Cássia Kiss e Caio Blat. A vigília ideológica está em todos os lugares e não perdoa nem um cineasta negro, que lança um filme seu em um dinossauro do mundo do cinema, como o festival de Berlim. Enquanto Jeferson era curtametragista estava tudo bem. Mas foi só figurar entre grandes marcas que já desconfiam do cara? Se ele não conquistasse parceiros assim, seria impossível tamanha repercurssão e exibir um filme que fala sobre algo mais além da violência nas nossas periferias em um festival como o de Berlim, que tem olhos e ouvidos para o mundo inteiro. Talvez o problema deles (os policiais ideológicos) seja mais difícil acreditar que finalmente um cineasta negro possa ter chegado lá. Possivelmente esse é o embrião da desconfiança. A mesma desconfiança que gerou as desconfianças em torno de Zezé Mota, Ruth de Souza, Milton Gonçalves, entre tantos outros que foram protagonistas de grandes filmes. Dizem eles que o fato de Bróder utilizar atores globais o torna um filme de mercado. E se for, qual é o problema? Qual é problema em um filme dessa natureza ser exibido para os intelectuais. O mais importante é que ele não é hermético (aqueles filmes cabeças que ninguém entende) e o povo pode se enxergar na tela. Há uma incongruência nesse pensamento. Para falar a verdade, um precipício. Talvez eles nunca entendam que o artista negro também precisa da indústria, e não somente, de programas sociais.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Enchente é excesso de lixo e falta de Educação

Meu filho tem 7 anos. Qualquer papel de bala ele joga no lixo ou, se não encontra (o que é muito comum em uma cidade como São Paulo) guarda no bolso ou dá para eu guardar. Nunca, nunca joga no chão. Expliquei para ele uma vez que todo o lixo acumulado nas ruas vão parar nos bueiros e daí são dois os possíveis destinos: ou aquele lixo se junta a centenas de milhares de outros lixos jogados por outras pessoas e acaba entopindo toda a rede de esgoto ou vai parar no pobre do Rio Tietê. Certa vez, passando pela ponte Bernardo Goldfarb, que cruza o Rio Tietê e a Marginal Pinheiros, ele ficou espantado com o cinturão de lixo que formava uma ilha no meio do rio. Perguntou o que era aquilo e respondi que se tratava do resultado da falta de consciência e educação das pessoas. "O Rio tem peixe?", perguntou. "Não, ele está morto, infelizmente". "Ahhh" lamentou.. Desde então sempre quando vê alguém sujundo a rua reclama da porquice e conta o que viu sobre o rio..
Ver a situação das enchentes em São Paulo hoje me sugere algumas perguntas: será que as pessoas que jogam toda sorte de lixo nas ruas e nos córregos tiveram a mesma sorte de ter a mesma orientação? E se tiveram, onde foi parar essa informação? Esqueceram? Desprezaram? Acham uma tremenda besteira? A imprensa vem questionando nas últimas semanas o que fazer para melhorar, culpam a população que tratam a cidade porcamente, culpam os políticos que não tomam atitudes concretas, pedem verbas, culpam a empresas de lixo que atrasam o recolhimento, culpam as indústrias, culpam São Pedro que vem mandando muita, muita chuva, os reservatórios que não comportam tanta água.... mas até agora não ví ninguém falar de EDUCAÇÃO. Esse seria o foco. Preocupação ambiental deveria fazer parte do repertório dos professores nas redes públicas e particulares (sabemos que isso já acontece em muitas escolas, mas ainda não é unanimidade); o assunto teria de ser parte integrante de um orçamento fixo para educação da população, com agentes ambientais agindo nas periferias da cidade, fazendo corpo-a-corpo com a população, orientando e educando. Há uma difusão das idéias de "Salve o Planeta" por parte das ongs ambientalistas, mas nunca vi um slogam como "Salve seu bairro, depois o seu planeta". É tudo uma questão filosófica. Primeiro o micro (os bairros), depois o macro (o país, o mundo).
Sem Educação fica impossível resolver algo. Pelo menos por agora. Neste momento não há o que fazer, a não ser assistir, todos os anos, gente morrendo afogada, perdendo seus bens materiais, trânsito caótico...É Lei da Causa e do Efeito.. se o prefeito Gilberto Kassab tivesse a Educação como prioridade em sua pauta, não daria uma resposta tão óbvia e abusurda, culpando (ai, de novo) o crescimento mal planejado de São Paulo.. Pô, isso todo mundo já sabe, Kassab! (isso daria até um belo slogam). É como ir para Brasília e dizer para um cidadão local que tudo aquilo foi planejado... O que é preciso, gente, é Educação, a começar pelos pequenos, que são nosso futuro, e também, porque não, para os marmanjos. Essa estória de pau que nasce torto, morre torto, eu não acredito. Se houver ação, e positiva, podemos mudar qualquer coisa. Até o Zé Ruela que joga lixo na rua..