sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O espetáculo premiado A Descoberta das Américas faz curtíssima temporada gratuita em São Paulo

Vigor, ceticismo, humor e visão crítica: o ator Julio Adrião dá voz ao homem do povo
Temporada popular na Caixa Cultural Sé, em São Paulo, entre 22/10 a 1º/11


Júlio Adrião faz uma rápida passagem de duas semanas (de 22 de outubro a 1º de novembro de 2009) na Caixa Cultural Sé, em São Paulo, para apresentar A Descoberta das Américas, com texto original de Dario Fo, Prêmio Nobel da literatura em 1997 e com direção de Alessandra Vannucci, ambos italianos.

Estreado pela cia leões de circo pequenos empreendimentos, da qual faz parte o ator Julio Adrião, a peça acaba de voltar de Portugal onde esteve representando o Brasil no festival Mito, realizado na cidade de Oieiras. Lá foi apontado como um dos destaques da mostra, com casa lotada e aplausos ininterruptos durante dez minutos. Da cidade lusitana saiu com dois convites para 2010: o festival MindelAct em Cabo Verde e o FITEI, Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica, importante encontro das artes cênicas na cidade de Porto. Segundo Adrião, ”A descoberta das Américas me levou a descobrir o Brasil e, mais recentemente, Portugal, abrindo nossas portas para Cabo Verde, Angola, Moçambique e Macau para 2010, fazendo agora o caminho de volta das grandes descobertas”.

Sinopse
Um Zé ninguém chamado Johan, rústico, malandro e fanfarrão, que se vira contando vantagens, sempre em fuga da fogueira da Inquisição, embarca em Sevilha numa das Caravelas de Cristovão Colombo. No Novo Mundo, o nosso herói sobrevive a um naufrágio, testemunha a matança, aprende a língua dos nativos, é preso, escravizado e quase engolido pelos índios antropófagos. Safa-se fazendo “milagres” com alguma técnica e uma boa dose de sorte. Venerado como Filho da Lua, ele treina e guia os índios num exército de libertação que acaba caçando os espanhóis invasores.

Concepção
Um ator só em cena, sem aparato (cenário, figurino, iluminação e até texto são reduzidos ao mínimo), atua num estado essencial, de emergência. O protagonista da Descoberta, acossado por uma cruel economia da fome que o faz engenhoso, quer sobreviver justamente para narrar sua história. Para dar vida a todos os personagens - índios, espanhóis, cavalos, galinhas, peixinhos, Jesus e Madalena - ele estabelece um pacto de cumplicidade com os espectadores. Cria com eles um código gestual, mímico e sonoro que substitui paulatinamente a fala. Cada detalhe provoca a lembrança do seguinte, como numa história contada de improviso e pela primeira vez. O desafio do ator é achar a forma, a cada noite, de jogar com a platéia e faze-la jogar junto. Jogar como? Decodificando cada imagem, cada som que o ator sugere. É o teatro em sua essência: uma ilusão de realidade que o ator projeta no espaço da cena e o público “vê”. Por isso, o espectador è indispensável nesse jogo.

Julio Adrião
Julio Adrião, 1960, é carioca, ator, produtor e diretor teatral. Formado pela CAL em 1986, trabalhou seis anos na Itália com o Teatro Potlach e outras companhias. De volta ao Brasil, em 94, dirigiu o espetáculo de circo-teatro Roda saia, gira vida do Teatro de Anônimo - Prêmio Mambembe de melhor espetáculo 1995 - e a ópera cômica O elixir de amor, de Donizetti, na escola de música da UFRJ, com direção musical de Ernani Aguiar. Integrou o trio cômico Cia. do público desde a sua formação até 2002, quando realizaram Ruzante. Nesta ocasião, criou com Sidnei Cruz e Alessandra Vannucci o núcleo de produção leões de circo pequenos empreendimentos. Em 2005, com o solo A Descoberta das Américas, de Dario Fo, ganhou o Prêmio Shell/RJ de melhor ator. Desde então foram mais de 400 apresentações, para mais de 100.000 pessoas em 20 estados brasileiros, Portugal e Itália. Em 2007, participou da minissérie Amazônia, da Rede Globo, no papel de Távora – professor de Chico Mendes criança. Em 2008 participou do Filme Verônica, de Maurício Farias, no papel do traficante Rui e, em 2009, foi convidado pela NatGeo (Inglaterra) para o papel do traficante John, na série Locked up abroad – Brazil.

Serviço
Onde: CAIXA CULTURAL SÃO PAULO - Grande Salão - Praça da Sé, 111 - São Paulo (SP) Telefone para informações: (11) 3321-4400
Quando: de 22 de outubro a 1º de novembro de 2009
Dias e horários: Quinta a sábado, 19h, Domingo: 18h
Quanto: Entrada Franca Lotação: 100 lugares
Recomendação de faixa etária: 14 anos Duração: 90 minutos
Comentário do Blog: Uma das interpretações mais impressionantes já vistas por este Blog. O ator tem a capacidade de levar o espectador em uma verdadeira viagem, contando incríveis histórias acontecidas na época das Grandes Navegações e do descobrimento da América. Quem for assistir, vai ficar pasmo em como um ator consegue prender a atenção das pessoas somente com seu talento de interpretação, sem cenário, com uma iluminação básica e sem trilha sonora.

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