sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Governador pede exoneração de Relações Públicas da PM

Fonte: Globo.com

A assessoria de imprensa do governo do estado do Rio confirmou que o governador Sérgio Cabral pediu a exoneração do major Oderlei dos Santos Alves de Souza, do cargo de relações públicas da Polícia Militar.

Cabral considerou desrespeitosa a declaração que o major deu em entrevista à Globo News na quinta-feira (22).

"Ele não se comportou como um porta-voz da instituição. Ele se comportou como advogado de defesa dos policiais. Isso eu não admito. Eu não admito porque há registros contundentes de um mal comportamento de um capitão, policiais militares. Um porta-voz da PM não pode se comportar como um advogado da corporação. Isso é um desrespeito à população. Ele não merece ser porta-voz de uma instituição Polícia Militar", declarou o governador.

O major disse que os policais militares que não socorreram e liberaram os supostos assaltantes que assassinaram o coordenador social do AfroReggae, Evandro Silva, cometeram um "desvio de conduta".

Major minimizou descaso de policiais

A Polícia Militar informou que o depoimento dos dois policiais suspeitos de desvio de conduta terminou apenas na manhã de quinta-feira (22), no Rio. Eles estão presos administrativamente no 13º BPM (Praça Tiradentes) desde a noite de quarta-feira (21). Gravações feitas por câmeras de segurança de estabelecimentos do Centro do Rio, exibidas no "Jornal da Globo" de quarta-feira (21), mostram o assalto que terminou com a morte de Evandro João da Silva, de 42 anos, coordenador do grupo AfroReggae, na madrugada de domingo (18).

O major Oderlei afirmou ainda que os policiais prestaram depoimento separaradamente. Em entrevista à Globo News, ele disse também que foi instaurado um procedimento apuratório, e que a prisão disciplinar tem o limite de 72 horas. Após esse prazo, a comandante do batalhão vai deliberar sobre a necessidade deles permanecerem presos ou ficarem em liberdade enquanto transcorre o procedimento. "Qualquer pessoa que fosse identificada na Justiça num primeiro momento não seria presa já que não houve flagrante. Somente na esfera militar é possível realizar essa prisão domiciliar. A PM está sendo rigorosa, mas não pode haver abuso", disse Oderlei. O major Oderlei afirmou também que foram pedidas as imagens sem edição que comprovariam o provável desvio de conduta dos policiais. "Já tivemos exemplos de imagens que mostravam uma coisa e era outra; não quer dizer que seja esse caso", afirmou ele.
Comentário do Blog: A bomba estourou na mão do Relações Públicas. Não podemos esquecer que um Relações Públicas reporta o posionamento de uma instituição, no caso, a PM. Portanto, o porta-voz nunca poderia emitir opiniões próprias. Na verdade não são opiniões, são posicionamentos, pautados por intermédio de reuniões com o comando da PM. Quando um RP vai para frente das câmeras, vai pautado no que a instituição pensa. Sergio Cabral que nos desculpe, mas essa demissão tem cara de quem está enxugando gelo. Mas, por outro lado, mostra que está havendo movimentação nos bastidores deste caso, o que significa um bom sinal. Mais uma vez afirmamos, é preciso ficar de olho nesse caso. Em São Paulo, por exemplo, as pessoas já esqueceram que o tiro que matou uma inocente garota durante o tumulto na favela de Heliópolis, provavelmente saiu da arma de um policial. Ninguém mais fala do assunto, nem a imprensa.

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