sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Digressões sobre um espancamento

O jornalista Caco Barcelos é odiado até hoje por membros da Polícia Militar. Rota 66 – A história da Polícia que Mata, livro impactante escrito por Caco, desvendou uma realidade há muito conhecida pela população: na visão de um policial, o pobre ou negro sempre tem culpa no cartório. O caso do espancamento de Januário Alves de Santana por seguranças nas dependências do hipermercado Carrefour, em Osasco, São Paulo, assina embaixo do diagnóstico traçado pelo livro, o de que a polícia tem uma atitude tendenciosa. O julgamento imediato de Januário baseou-se no que não se viu e no que ele (januário) é ou representa para seus algozes. Disseram, sem consultar arquivos e fichas, que ele teria no mínimo três passagens pela delegacia – prova maior de que o pensamento deles é tendencioso sim .
E os seguranças, bom, os seguranças gostam e têm prazer por uma pseudo-autoridade. O comportamento e a atitude são de policiais, só que sem farda. Pisaram na cabeça de Januário, apontaram uma arma para um homem que esperava sua família fazer compras e que tinha dentro de seu carro, a filha pequena dormindo no banco de trás. Dizer que o carro era seu virou combustível para tomar mais porrada.
Muita gente dá risada e até acha exagero das piadas infames, como aquelas que dizem que negro quando está correndo na rua foge da polícia. Ou aquela que negro dirigindo carro do ano é porque roubou ou está trabalhando de motorista.
Não podemos deixar de pensar que além de piada também é um conceito que pinta cores perigosas no trabalho de muito segurança e policial nesta e em outras capitais, do Brasil e do mundo. E isso, infelizmente, não exclui policiais e seguranças negros. A polícia ideológica (essa também implacável) pode até achar a última colocação um absurdo. Mas, caros, a realidade é esta. E é cruel. A vida é dura, e ficou muito mais depois do 11 de setembro, fato que trouxe um zumbi de volta à luz - o Xenofobismo. Vivemos em um país de dicotomias. Um país de minorias, de bolsões de riquezas. Um país onde, para muita gente, graúda ou não, negro e nordestino não pode ter carro do ano, porque é um troço que incomoda. Só artista famoso e jogador de futebol possuem essa aval da sociedade.
A esposa de Januário tem razão. Chorou diante das câmeras dizendo-se preocupada com o que virá no futuro depois de tal experiência, porque, nesse futuro estarão seus filhos. O meu e o seu também. Portanto, cabe a nós ter consciêcia e discernimento para mudar esse quadro.

2 comentários:

  1. excelente texto Lau, Parabéns!!!!

    Rodrigo

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  2. Veja que interessante texto do Nando Reis minha amiga Márcia Fraguas postou no seu Blog:
    http://misteriosgozosos.blogspot.com/2009/08/estadao-nando-reis-intolerancia.html

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