sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Bem que os papéis poderiam estar invertidos......


Universidade pública não deveria ser acessível?

A USP abriu inscrições para a Fuvest 2010. Sabe qual o preço da inscrição? R$ 100,00. Apesar de o preço já fazer parte do cardápio há algum tempo, continua sendo um absurdo, se pensarmos que esse valor tira a possibilidade de muitos estudantes sem o benefício do "paitrocínio", "mãetrocínio", poupança, mesada, bons salários, ou qualquer outra ferramenta facilitadora no pagamento da inscrição, sem causar um rombo no orçamento. Esse valor só reforça uma visão construída nos últimos anos em relação à USP: a de uma universidade pública onde só ganha espaço estudantes oriundos da classe média alta e/ou famílias abastadas. A começar pelo preço da inscrição. O jornal O Estado de São Paulo divulgou em março deste ano uma matéria intitulada “Cresce número de alunos de renda alta na USP”, que aponta crescimento de 36,4% da proporção de calouros com renda superior a R$ 5 mil entre 2001 e 2009. Usando um pouquinho de ironia, talvez a Universidade tenha ficado animada com os últimos números da média dos rendimentos reais do trabalhador brasileiro. Eles subiram entre 2007 e 2008. Segundo o Ministério do Trabalho a média salarial no ano passado foi de 3,52% acima da inflação. Se alguém reclamar do preço da inscrição, eles tirarão a pesquisa da gaveta e dirão: "olha só, eles podem pagar, seus rendimentos não aumentaram?". Deixando o humor de lado, a realidade é crua no sistema educacional brasileiro. Só podemos contar com os milhares de guerreiros e guerreiras espalhados por aí e que simplesmente não entregam a situação de mão beijada.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Microsoft pede desculpas após mudar raça de personagem em anúncio



Da agência EFE

O gigante da informática americano Microsoft teve que pedir desculpas depois que sua divisão polonesa mudou a raça de um dos personagens que apareciam em um anúncio promocional.Nos Estados Unidos, os três personagens retratados sorrindo com o slogan "Dando poder a sua gente com os instrumentos de TI de que precisam" eram uma mulher - branca - e dois homens: um negro e outro asiático. Foto exibida no site norte-americano da Microsoft. Em sua versão para a Polônia, o rosto do negro, que ocupava o centro do anúncio, foi substituído pelo de um homem branco, sem mudar as roupas ou mesmo a mão do personagem que estava sobre a mesa, informa hoje o jornal britânico "The Guardian".

Os termos "cor" e "raça" são usados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no Censo Demográfico oficial do Brasil. O conceito de cor e raça classifica os brasileiros em: amarelos, brancos, indígenas, pardos e pretos. A imagem notadamente alterada começou a circular na internet na terça-feira, mas, depois que alguém advertiu a Microsoft da troca, a empresa retirou o anúncio e iniciou uma investigação para localizar o responsável."Estamos analisando o ocorrido. Apresentamos desculpas e estamos em processo de retirar a imagem", declarou a Microsoft, em comunicado.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Número de homicídios entre negros no Brasil é duas vezes maior que entre brancos - Violência policial é um dos fatores


Da Agência Brasil (Rio de Janeiro)


O número de negros assassinados no Brasil é duas vezes maior do que o de brancos, apesar de cada grupo representar cerca de metade da população do país. A constatação é de um levantamento feito pelo Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com base em dados do Sistema Único de Saúde (SUS) referentes a 2006 e 2007.Nesses dois anos, 59.896 negros foram assassinados. Entre os brancos, o número foi de 29.892. A diferença entre o número de homicídios de negros e brancos é maior entre as crianças e jovens de 10 a 24 anos. Entre os maiores de 40 anos, o número de homicídios é quase o mesmo nos dois grupos.


Segundo o coordenador do laboratório, Marcelo Paixão, os números mostram que os negros estão sujeitos a uma exposição maior de risco que os brancos, em várias partes do país. "Isso é determinado por razões que são sociais, ou seja, pelo modo de inserção das pessoas no interior da sociedade, e que fazem com que elas tenham maiores probabilidades de virem a sofrer um atentado violento contra suas vidas ao longo de seu ciclo de vida", explicou.


Um dos fatores sociais que poderia explicar esse risco maior é o local de moradia, já que muitos negros moram em áreas mais violentas, como as favelas do Rio de Janeiro, de São Paulo ou de Pernambuco. Além disso, de acordo com Paixão, há pesquisas que mostram que a letalidade policial - a morte provocada por policiais - é maior entre os negros do que entre os brancos.


Um terceiro fator seria a baixa auto-estima da juventude negra que vive em áreas pobres e que não vê alternativas para a sua vida, e que, por isso, teria mais probabilidades de se envolver em situações de risco.A maior desigualdade entre homicídios de brancos e negros é encontrada na região Nordeste. Enquanto a relação populacional da região é de 2,4 negros para cada branco, a relação de mortes é de 10 negros para cada branco. Já a região Sul é a única do país onde essa tendência não é sentida, visto que a relação populacional e a relação de homicídios por cor é igual: 0,2 negro para cada branco.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Lucidez de Suplicy irrita Sarney


O Congresso Nacional virou o quintal do Sarney. Nesta segunda-feira, ele teve a coragem (ou seria cara-de-pau?) de subir à tribuna do plenário e falar durante – pasmem – 40 minutos sobre o centenário da morte do escritor Euclides da Cunha. Para ele, está tudo bem, tudo tranqüilo. Em entrevista a Globonews, disse ao jornalista Carlos Monforte que vai até o fim do seu mandado. É de dar medo. A ladainha (longe de desmerecer Euclides da Cunha, mas o discurso foi totalmente fora de hora) só foi interrompida por uma das poucas pessoas que apresentam juízo e sanidade naquele Congresso, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que ressaltou, com todo o louvor, que a situação no quintal, ou melhor, no Congresso, ainda não estava resolvida. "Essa não é a solução que o Brasil espera e precisa. A situação do Senado não está tranquila, não está resolvida", disse Suplicy. "As pessoas desejam explicações, as dúvidas das representações precisam ser dirimidas. Eu mesmo ouvi suas explicações e fiquei com muitas dúvidas", disse.

Suplicy é um cara que escuta a voz que vem das ruas e que respeita quem votou acreditando em seu trabalho. Outro dia, lá estava ele fazendo Cooper em um dia da semana, em São Paulo, esquina da Av. Rebouças, com a Av. Faria Lima, falando ao celular e respondendo aos acenos do povo que passava nos ônibus e gritava “fala aê Suplicy!”. Cena inusitada e difícil de se repetir com outros políticos, que ficam encastelados em seus escritórios e cercados por seus assessores.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Digressões sobre um espancamento

O jornalista Caco Barcelos é odiado até hoje por membros da Polícia Militar. Rota 66 – A história da Polícia que Mata, livro impactante escrito por Caco, desvendou uma realidade há muito conhecida pela população: na visão de um policial, o pobre ou negro sempre tem culpa no cartório. O caso do espancamento de Januário Alves de Santana por seguranças nas dependências do hipermercado Carrefour, em Osasco, São Paulo, assina embaixo do diagnóstico traçado pelo livro, o de que a polícia tem uma atitude tendenciosa. O julgamento imediato de Januário baseou-se no que não se viu e no que ele (januário) é ou representa para seus algozes. Disseram, sem consultar arquivos e fichas, que ele teria no mínimo três passagens pela delegacia – prova maior de que o pensamento deles é tendencioso sim .
E os seguranças, bom, os seguranças gostam e têm prazer por uma pseudo-autoridade. O comportamento e a atitude são de policiais, só que sem farda. Pisaram na cabeça de Januário, apontaram uma arma para um homem que esperava sua família fazer compras e que tinha dentro de seu carro, a filha pequena dormindo no banco de trás. Dizer que o carro era seu virou combustível para tomar mais porrada.
Muita gente dá risada e até acha exagero das piadas infames, como aquelas que dizem que negro quando está correndo na rua foge da polícia. Ou aquela que negro dirigindo carro do ano é porque roubou ou está trabalhando de motorista.
Não podemos deixar de pensar que além de piada também é um conceito que pinta cores perigosas no trabalho de muito segurança e policial nesta e em outras capitais, do Brasil e do mundo. E isso, infelizmente, não exclui policiais e seguranças negros. A polícia ideológica (essa também implacável) pode até achar a última colocação um absurdo. Mas, caros, a realidade é esta. E é cruel. A vida é dura, e ficou muito mais depois do 11 de setembro, fato que trouxe um zumbi de volta à luz - o Xenofobismo. Vivemos em um país de dicotomias. Um país de minorias, de bolsões de riquezas. Um país onde, para muita gente, graúda ou não, negro e nordestino não pode ter carro do ano, porque é um troço que incomoda. Só artista famoso e jogador de futebol possuem essa aval da sociedade.
A esposa de Januário tem razão. Chorou diante das câmeras dizendo-se preocupada com o que virá no futuro depois de tal experiência, porque, nesse futuro estarão seus filhos. O meu e o seu também. Portanto, cabe a nós ter consciêcia e discernimento para mudar esse quadro.

Jean e Paulo Garfunkel tocam canções inspiradas no romance Grande Sertão: Veredas


O SERTÃO NA CANÇÃO E OFICINA CANTO LIVRO

O Sertão na Canção, que acontece no dia 29 de agosto, no Espaço Cachuera!, é um espetáculo formado por canções inspiradas no romance Grande Sertão: Veredas, do escritor João Guimarães Rosa, permeadas por trechos da narração da obra.

Usando essas duas linguagens de maneira conseqüente e cronológica, o roteiro permite a compreensão da saga do jagunço Riobaldo até pelo público que não teve acesso ao romance. Joana e Jean Garfunkel são acompanhados por Natan Marques (arranjos e viola). As canções, compostas especialmente para o espetáculo, são de autoria de Jean e Paulo Garfunkel.
Oficina

Das 14h às 18h será realizada uma oficina de técnicas de incentivo à leitura através da música, destinada a educadores, músicos, leitores e ao público em geral.

Joana, Jean Garfunkel e a educadora Beth Ziani têm como proposta tirar o livro da estante e levá-lo ao palco, adicionando ao texto falado um repertório de canções afinadas com a obra escolhida, e fazer da leitura uma experiência viva, emocionante e interativa.


Sobre os integrantes

. Jean Garfunkel (composições e voz) - Poeta, ator, cantor, compositor e publicitário, Jean tem quatro discos lançados em dupla com seu irmão, Paulo Garfunkel, e diversas composições gravadas por vozes importantes da MPB. Integra o grupo de estudos sobre a obra de Guimarães Rosa do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, que detém o acervo do autor. Realiza oficinas e palestras sobre música e literatura em bibliotecas, livrarias e espaços culturais.

. Joana Garfunkel (voz, contação de histórias) trabalha desde 2003 como contadora de histórias em diversos espaços. Desde 2007 é responsável pela programação de contação de histórias para adultos da Livraria Saraiva (Morumbi, SP). Na livraria Casa de Livros apresenta-se mensalmente com diferentes espetáculos que mesclam música e literatura. Ao lado de músicos renomados como Tavinho Moura, Natan Marques, Jean Garfunkel e Sérgio Bello, tem se apresentado também em teatros e eventos.

. Natan Marques (violão, guitarra, violão nylon e viola) é produtor, diretor musical, arranjador e músico. Em 2007, concebeu o show FELISIDADE em homenagem a Elis Regina, com quem trabalhou por oito anos em shows e discos. Neste show Natan relembrou o período em que ele e Elis dividiram os palcos e estúdios, contando sua trajetória musical e visitando o repertório da melhor fase de Elis em espetáculos marcantes, como Elis e Tom, Falso Brilhante e Trem Azul, em que Natan foi responsável pela direção musical e Fernando Faro pela direção artística.

. Beth Ziani - Mestre em Literatura Brasileira, coordenadora do Projeto Memória Viva do Sertão. Desenvolve oficinas e cursos com o objetivo de estimular a leitura, a criação de textos e de divulgar autores da literatura brasileira, em especial Guimarães Rosa. Participa do grupo Teia de Aranha, que recria obras literárias a partir do bordado.


O Sertão na Canção e Oficina Canto Livro no Espaço Cachuera!
Rua Monte Alegre, 1.094 . Perdizes . São Paulo
29/08/09 (sábado)

Oficina
. Horário: 14h às 18h
. Inscrição: R$ 20,00 e R$ 10,00 (professores, mediante comprovação)
. Número de vagas: 50
Apresentação
. Horário: 21h
. Ingressos: R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia entrada para estudantes, professores, músicos e aposentados)
. Capacidade: 100 pessoas

Informações e inscrições

(11) 3872 8113 . 3875 5563

cachuera@cachuera.org.br

www.cachuera.org.br

Carrefour afasta empresa de segurança que agrediu cliente negro

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Cliente negro diz que foi confundido com ladrão e agredido em hipermercado


Da Agência Estado

O segurança e técnico em eletrônica Januário Alves de Santana, de 39 anos, foi agredido por seguranças do supermercado Carrefour, em Osasco, na Grande São Paulo. Ele foi confundido com ladrões e considerado suspeito de roubar seu próprio carro. O caso foi registrado no 5º Distrito Policial da cidade.

Nos próximos dias, seu advogado, Dojival Vieira, vai ajuizar uma ação de indenização por danos morais contra o supermercado e o Estado. “Esse caso é emblemático e precisa ser punido com vigor para que outras situações de discriminação racial não venham a ocorrer.” Santana é negro. O Carrefour afirmou que acompanha a investigação policial.

Segundo o cliente, enquanto a família fazia compras, na noite do dia 7, ele esperava no carro com a filha de 2 anos. O alarme de uma moto disparou e ele viu dois homens correndo. O dono da moto chegou em seguida. Santana desceu do carro e achou que os bandidos tinham voltado. Um desses homens sacou uma arma e Santana correu. No chão, chegaram a lutar até que um terceiro homem, que se identificou como segurança da loja, retirou a arma e pisou na cabeça de Santana. Segundo ele, cinco homens, que não vestiam uniformes, o levaram até um quartinho onde o espancaram. “Eles falaram que eu ia roubar o EcoSport e a moto. Quando disse que o carro era meu, batiam mais.” Quando três policiais militares chegaram ao local, Santana explicou que seus documentos estavam no carro. “Eles riam e diziam: ‘Sua cara não nega. Você deve ter pelo menos três passagens pela polícia’.” De tanto insistir, foram até o automóvel, onde sua família o esperava. Após conferir a documentação, os policiais foram embora. “Já passei outros constrangimentos com esse carro. Acho que vou vender”, diz ele. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Com vocês, os Black Simpsons!


O canal africano Bué vai começar a exibir o seriado em Angola. Para comemorar, resolveram criar esta divertida versão de Os Simpsons como uma família negra.

Evento relembra a África como berço da civilização


Um dia todos nós fomos negros
“A África é Mãe. Mãe da humanidade.
Matriz de culturas dispersas pelo mundo.
A voz primordial da África ecoa hoje ao longo das Américas,
nos terreiros de candomblé e santeria,
nas alegres avenidas por onde desfilam as escolas de samba,
nas rodas de capoeira ou nos bares de jazz”
José Eduardo Agualusa

De 28 a 30 de agosto, o Rio de Janeiro recebe a primeira edição do Back2Black Festival, na histórica estação da Leopoldina (em Brasília, de 28 a 31 de agosto, no Museu da República – www.back2blackfestival.com.br). O Back2Black Festival será um evento de proporções internacionais com o objetivo de relembrar a África como berço da civilização e celebrar o continente como pólo de discussão política e difusor de cultura.
Serão três dias de conferências, shows musicais, apresentações de dança, projeções de filmes, enfim, diversas manifestações político-culturais que evidenciam as particularidades do continente africano. Não se trata de um festival étnico. “O Back2Black Festival procura resgatar a importância da África em termos globais, para muito além dos eventos específicos do continente. Nossa abordagem vai desde a aparição do homem em tempos remotos naquela área até a miscigenação e os desdobramentos políticos e multiculturais ocorridos a partir de então, porque um dia todos nós fomos negros”, contextualiza Connie Lopes, diretora da Zoocom Eventos, empresa responsável pela concepção e realização do festival.

O Back2Black Festival pretende estimular a discussão e a reflexão a partir de temas que abrangem desde a atual situação no continente até o futuro da África, passando pelo desenvolvimento político-social a partir das artes. O que pode a África fazer para recuperar seu papel de continente produtor de cultura? O que podem os americanos afro-descendentes fazer para apoiar o continente africano no combate pela pacificação, a democratização e o desenvolvimento? Como criar pontes de afeto, estabelecer parcerias, criar as bases para um comércio mais justo? Essas são algumas das questões que serão abordadas durante o evento. As consequências desse processo, inevitavelmente, serão acompanhas e sentidas pelo resto do mundo.
Para os painéis de debate, foram escaladas personalidades de várias gerações, como a ativista política moçambicana, esposa de Nelson Mandela, Graça Machel e o músico senegalês Youssou N'Dour. O escritor e pintor sul-africano Breyten Breytenbach, um dos nomes mais fortes de resistência ao apartheid nos anos 1960, também estará presente. O Back2Black Festival traz, ainda, de um lado, o humanista popstar irlandês Bob Geldof, organizador dos concertos Live Aid e Live 8, criados para angariar fundos para os países da África e, do outro, a economista zambiana Dambisa Moyo, autora do recém-lançado livro “Dead Aid”, no qual defende a polêmica tese de que a ajuda internacional piora a vida dos africanos. Completam a lista o cineasta sul-africano vencedor do Oscar Gavin Hood (pelo filme Tsotsi), o escritor angolano José Eduardo Agualusa - curador das conferências do evento - e os brasileiros Gilberto Gil, Alberto da Costa e Silva, Kátia Lund e MV Bill.

Não menos importantes são os nomes dos artistas que compõem os quadros musicais. Logo na estreia, dia 28, o Back2Black Festival traz shows de Gilberto Gil e Youssou N’Dour, “a maior voz da África”, com participação de Marisa Monte. No sábado, 29, se apresentam MV Bill e a banda Black Rio (com Ed Motta e Mano Brown e MC Ice Blue, ambos do Racionais MCs) numa homenagem a Tim Maia. No domingo, 30, Mart´nália comanda uma celebração do samba que traz, do lado brasileiro, D. Ivone Lara, Marina Lima, Luiz Melodia, Maria Gadu, Margareth Menezes e Rodrigo Maranhão; Angelique Kidjo (Benin), Paulo Flores (Angola) e Mayra Andrade (Cabo Verde) representando a África; e a abrilhantada bênção da cubana Omara Portuondo.

Destaque também para intercâmbio inédito de ritmos característicos das chamadas periferias globais: no sábado, em um só palco, o funk carioca do DJ Sany Pitbull encontra o kuduro de Angola, representado pelo DJ Znobia, e o krumping de Los Angeles (DJ Goofy, Miss Prissy, Deuce, Bad Newz e Out Law); em comum entre eles, a influência dos ritmos da África. Projeções de imagens de tribos africanas vão amarrar as apresentações.
Para um evento desse porte, a Estação da Leopoldina será especialmente adaptada pela consagrada cenógrafa Bia Lessa, que transformará o local em uma pequena África no Rio de Janeiro, a partir de mapas, textos e fotos estrategicamente distribuídos pelo espaço, com a montagem da instalação permanente “Somos todos Africanos. Somos todos Humanos. Back to Black”. “A cenografia vai apresentar parte da diversidade cultural e geográfica do continente africano. Como berço da civilização, a África abriga de alguma forma um pouco de cada povo - na África encontramos todo o mundo. Não temos a pretensão de apreender o que esse continente pode nos oferecer de melhor, podemos expor algumas de suas contradições e riquezas”, comenta Bia Lessa. As galerias e espaços de conveniência terão capacidade para receber cinco mil pessoas por dia, com estacionamento para 1500 veículos. As estações também serão repaginadas para abrigar os bares, lojas e sala de imprensa. Instalações vão explorar possibilidades tecnológicas e multi-sensoriais, unindo iluminação e som, fragrâncias, texturas e sabores das culinárias afrocreole e afrobrasileira.
Todo o evento será documentado e dará origem, no fim do ano, ao Back2Black Manifesto, um conjunto que compreende livro, exposição e um documentário cinematográfico. Parte desse material será destinada a escolas de ensino médio e fundamental em todo o país. Jornalistas brasileiros e estrangeiros serão co-autores das conclusões a serem publicadas no Back2Black Manifesto.
Nesses três dias, o Back2Black Festival se propõe, sobretudo, a ser um ponto de encontro: da política com a cultura; da consciência social com a música; da dança com o cinema; da literatura com o consumo; da tradição histórica com o pensamento contemporâneo; do homem consigo mesmo. Daí a característica única e ao mesmo tempo abrangente do Back2Black Festival. Afinal, um dia, todos nós fomos negros.
28 DE AGOSTO (SEXTA-FEIRA)
20 às 21h30- conferência - “Construindo Utopias”
Bob Geldof
Cantor, compositor e ativista irlandês, o ex-Boomtown Rats (e Cavaleiro da Coroa Britânica) Sir Bob Geldof é o responsável pelo megafestival Live Aid, em benefício da Etiópia - e posteriormente, com o Live 8, de toda a África.
Breyten Breytenbach
O artista sul-africano Breyten Breytenbach nasceu na cidade de Western Cape, e foi um dos grandes nomes na luta contra o Apartheid. Pintor e escritor, foi preso por retornar a África do Sul após se casar com uma francesa de origem vietnamita - contrariando a proibição vigente à época. Foi preso e libertado após forte mobilização internacional, retornando para a França, onde ajudou a fundar a Okhela - um grupo de resistência ao Apartheid composto por exilados. Atualmente, preside o Gorée Institute, no Senegal.
mediador: José Eduardo Agualusa
Agualusa é um premiado escritor e cronista Angolano, de grande sucesso em Portugal - onde estudou agronomia. Já teve sua obra traduzida para diversos países, encontrando reconhecimento internacional em 2007 ao se tornar o primeiro escritor africano a vencer o cobiçado Prêmio de Ficção Estrangeira do jornal britânico The Independent.
Shows: “As Vozes da África e do Brasil”
22h - Gilberto Gil (show acústico)
23h30 - Youssou N’Dour (participação: Marisa Monte)
Cantor e percussionista senegalês, nascido em Dacar, N'Dour é figura central na cultura africana e na política de seu país. Possivelmente o cantor mais conhecido da África, começou ainda nos anos 70, ao lado da Star Band. Ao final daquela década e começo dos anos 80, o músico já havia desenvolvido estilo próprio e começava a formar o conjunto que o acompanha até hoje. Já gravou com nomes como Neneh Cherry, Bruce Springsteen, Paul Simon, Sting, Peter Gabriel e Tracy Chapman, além de ter vencido o Grammy de Melhor Álbum de World Music Contemporânea em 2005 por "Egypt".

29 DE AGOSTO (SÁBADO)
20 às 21h30 – conferência: “Cultura e Desenvolvimento”
Gavin Hood
O cineasta sul-africano Gavin Hood tem uma trajetória interessante: educado em Direito em Johanesburgo, e em cinema em Los Angeles, Hood começou dirigindo curtas-metragens para o Ministério da Saúde de seu país. Depois de poucos longas (um deles em polonês) e uma indicação como “Top 10 Cineastas Promissores” pela revista Variety, venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por “Tsotsi” (de 2005). Seu passo seguinte foi ousado: assumiu o comando de uma das franquias mais lucrativas da história do cinema – e um dos personagens mais queridos dos quadrinhos – ao dirigir o filme “X-Men Origins: Wolverine”.
Youssou N’Dour
MV Bill
mediador: Kátia Lund
Shows
22h – Mv Bill
23h30 – Banda Black Rio – show em homenagem a Tim Maia
convidados especiais:
Ed Motta
Mano Brown (Racionais Mcs)
Ice Blue (Racionais Mcs)
01h – Encontro das Periferias:
Funk Carioca:
- DJ Sany Pitbull e bailarinos
Kuduro de Angola:
- DJ Znobia e bailarinos
Cria do Bairro do Rangel, na capital da Angola, Luanda, o DJ Znobia é considerado um dos maiores nomes da produção musical local. Alcançou popularidade ao mesmo tempo em que seu estilo de escolha, o Kuduro, começava a ganhar espaço pelo mundo – através de nomes como M.I.A., Diplo, e Buraka Som Sistema. O produtor auto-didata começou como dançarino, imitando passos de Michael Jackson. Depois de tentar uma carreira de cantor sem ser levado a sério, resolveu aprender a produzir observando outros DJs atuarem. Hoje, é referência na cena, com canções e remixes em alta nas pistas européias.
Krumping de Los Angeles
- DJ Goofy
- Miss Prissy
Estrela do filme “Rize”, de David LaChapelle. Também já trabalhou com Madonna.
- Deuce
- Bad Newz
- Out Law

30 DE AGOSTO (DOMINGO)
17h às 18h30- conferência: “A África na Construção do Mundo. O Futuro”
Dambisa Moyo
A economista pós-graduada pelas Universidades de Harvard e Oxford Dambisa Moyo nasceu em Lusaka, na Zâmbia. Após trabalhar no Banco Mundial e no banco de investimentos Goldman-Sachs, Moyo tornou-se diretora de uma fundação que atua na área de microfinanciamentos na África. Causou polêmica recentemente com a publicação do livro "Dead Aid" ("Ajuda Morta"), onde condena o envolvimento de celebridades com a causa Africana, afirmando que a única chance do continente para o desenvolvimento é o investimento interno e a conscientização dos governos locais. Foi escolhida em maio deste ano pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.
Graça Machel
Graça Machel é moçambicana, nascida em 1945, e uma respeitada defensora dos direitos das mulheres e das crianças. Terceira esposa de Nelson Mandela, Graça também é viúva do ex-presidente de Moçambique, Samora Machel. Foi Ministra da Educação e da Cultura em sua terra natal, e seu trabalho humanitário já foi premiado diversas vezes.
Gilberto Gil
mediador: Alberto da Costa e Silva
Show: “Celebração do samba” - conduzido por Mart’nalia
19h - Mart’nalia
Brasil:
- Dna. Ivone Lara
- Luiz Melodia
- Marina Lima
- Maria Gadu
- Margareth Menezes
- Rodrigo Maranhão
África:
- Angelique Kidjo (Benin)
Nascida no Benin, a cantora Angélique Kidjo é uma das maiores estrelas da música no continente africano. Vencedora do Grammy de Melhor Álbum de World Music Contemporânea em 2008, com “Djin Djin”, Kidjo apresenta no disco convidados do naipe de Peter Gabriel, Alicia Keys, Joss Stone, e o guitarrista Carlos Santana.
- Paulo Flores (Angola)
Paulo Flores começou a gravar no final dos anos 80, e hoje é um dos músicos mais populares de Angola. Nascido em Luanda, Flores possui forte envolvimento político, tratando em suas letras de temas como guerra civil e corrupção. Seu estilo é o Semba - que apesar de não ser Samba, também canta as belezas da mulher e do povo Angolano.
- Mayra Andrade (Cabo Verde)
Nascida em Cuba e criada em Cabo Verde, a cantora Mayra Andrade hoje vive na França, onde lançou seu último álbum, "Stória, stória...". Sua conexão com a música brasileira vai além da língua portuguesa: influenciada por nomes como Elis Regina e Caetano Veloso, parte de seu trabalho mais recente também foi gravada no Brasil. Recombinando referências multiculturais, Mayra atingiu um som bastante individual, mas ao mesmo tempo, familiar a todos nós latinos.
Cuba:
- Omara Portuondo
Uma das mais notórias cantoras na história da música latino-americana, Omara foi redescoberta pelo resto do mundo no documentário do cineasta Wim Wenders, "Buena Vista Social Club" - que resgatou vários e geniais artistas cubanos relegados ao ostracismo. Durante os anos 50, a cantora teve breve sucesso nos Estados Unidos gravando ao lado de Nat King Cole com o Quarteto D'Aida, do qual fazia parte. Em carreira solo, apresentou-se diversas vezes na Europa e Estados Unidos, combinando de forma única a música cubana e o jazz. Ativista de forte preocupação social, Omara Portuondo gravou canções em que saúda o líder chileno Salvador Allende e o mito socialista Che Guevara. Sua carreira ganhou nova força com o sucesso de "Buena Vista", e desde então a artista já lançou mais de 10 novos álbuns, incluindo um em dueto com a cantora brasileira Maria Bethânia.
Instalação – permanente – autoria Bia Lessa
“Somos todos Africanos. Somos todos Humanos. Back to Black”


Back2Black Festival
www.back2blackfestival.com.br
Local: Estação Leopoldina Endereço: Rua Francisco Bicalho s/n Telefone: (21) 2535-9848
Dias: 28, 29, 30 de agosto Horário: sex/sab 19:00 abertura dos portões, 20:00 palestra, 22:00 show; Dom: 16:00 abertura dos portões, 17:00 palestra, 19:00 show Preços (cheios e promocionais): palestra e show: R$80,00; show: R$60,00 combo 2 dias (palestras + shows): R$130,00 combo 3 dias (palestras + shows): R$160,00 (estudantes e professores de rede pública pagam meia)
Capacidade de público: 5000 Classificação etária: 16 anos Forma de pagamento: Cartões de crédito e débito aceitos para pagamento de ingresso: FNAC – Barra (Todos os cartões) Piraquê – Lagoa (Amex) Modern Sound – Copacabana (Mastercard e Visa) Bougainville – Tijuca (somente em dinheiro) São Bento – Niterói (somente em dinheiro) Três Pontos – Campo Grande (somente em dinheiro) Alfa Brasil – Jacarepaguá (Visa) Call Center (todos os cartões) Internet (todos os cartões) Funcionamento de bilheteria para vendas antecipadas e na hora: No dia do evento a partir das 12:00 Estacionamento: 10 reais Manobrista: sim Venda de Ingresso por site: www.ingressorapido.com.br
Pontos-de-venda de ingresso:
FNAC – Barra Piraquê – Lagoa Modern Sound – Copacabana Bougainville – Tijuca São Bento – Niterói Três Pontos – Campo Grande Alfa Brasil – Jacarepaguá

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Festival de Woodstock completa 40 anos em agosto; conheça o evento da forma que foi


GARY GRAFF
The New York Times Sindycate
(Fonte: UOL)


Foram três dias de paz, amor e música. E chuva, lama e caos. O Festival de Música e Artes de Woodstock completa 40 anos neste ano, montado em uma onda renovada de lembranças –frequentemente seletivas– sobre o que aconteceu entre sexta-feira, 15 de agosto, e segunda-feira, 18 de agosto de 1969, na fazenda de Max Yasgur em Bethel, uma cidade no interior de Nova York. Alguns lembram da desorganização, dos campos repletos de sujeira, das tempestades pesadas e da programação aparentemente aleatória de música, que esticou o festival previsto para três dias até uma inesperada quarta manhã, na qual Jimi Hendrix tocou sua famosa versão de “The Star-Spangled Banner”. Outros, entretanto, lembram de outras coisas: o espírito comunal de uma geração de jovens que mostrava ao mundo que era capaz de se reunir, ouvir sua música, protestar contra a guerra e, sim, tomar drogas, tudo com resultados genuinamente positivos. Foi, como o “Boston Globe” escreveu em um editorial na época, “um evento de massa de grande e positiva importância na vida do país (...) Em uma nação acossada por uma violência crescente, este é um sinal vibrante de esperança”.


Para o guitarrista Carlos Santana, que tocou no sábado, Woodstock foi “um oceano de colares, cabelos, dentes, olhos e mãos... um oceano de carne em movimento”. “Se fechar os olhos, é possível esquecer o impacto de ver um oceano de carne em movimento”, prossegue Santana. “Então é possível apenas sentir o som, que tinha uma reverberação diferente quando rebatia nas pessoas e voltava para você.” Tantos anos depois, o co-fundador de Woodstock, Michael Lang, ainda se alegra com seu contínuo impacto e notoriedade. “É sempre interessante o quanto repercute atualmente e quão presente ainda está nas vidas de tantas pessoas”, diz Lang, 64 anos, que também produziu as sequências de Woodstock em 1994 e 1999. “Foi como um encontro de tribos, se quiser, os jovens do mundo se reunindo para ouvir ótima música e estar juntos, pacificamente. Foi uma espécie de utopia, e acho que as pessoas ainda anseiam por isso.” Lang e outros com uma participação em Woodstock certamente esperam que ainda exista um apetite pelas lembranças do festival original, porque possuem uma série de souvenires sendo lançados nos próximos meses para comemorar o aniversário. “Foi um ponto crítico no tempo”, diz Cheryl Pawelski, uma vice-presidente da Rhino Records, cuja empresa relançou os álbuns originais “Music From the Original Soundtrack and More: Woodstock” (1970) e “Woodstock 2” (1971), e em 18 de agosto lançará “Woodstock -- 40 Years On: Back to Yasgur's Farm”, uma caixa com seis CDs contendo 38 gravações não lançadas anteriormente.“Meio milhão de jovens se reuniram pacificamente para curtir sua música”, diz Pawelski, “e tudo deu certo e ninguém se machucou. Eu sinto que esse é o atrativo. Foi um momento no tempo que meio que validou todo o movimento jovem de contracultura da época. Foi histórico”.


A divisão Legacy da Sony BMG está se juntando à festa dos CDs, com as edições “Woodstock Experience” de álbuns de 1969 de cinco atrações do festival –Jefferson Airplane, Janis Joplin, Santana, Sly & the Family Stone e Johnny Winter– cada um acompanhado de um segundo CD contendo pela primeira vez a apresentação completa do artista em Woodstock. Uma nova edição em DVD de “Woodstock: 3 Dias de Paz, Amor e Música” saiu no início de junho, ao mesmo tempo em que um novo site Woodstock.com foi lançado. Uma série de livros –incluindo o livro de memórias de Lang, “The Road to Woodstock”, “Roots of the 1969 Woodstock Festival: The Backstory of Woodstock”, da editora Woodstock Arts, e um livro infantil chamado “Max Said Yes!: The Woodstock Story”, de co-autoria da prima de Yasgur, Abigail– estão sendo lançados ou sairão ao longo da celebração. Parte da fazenda de Yasgur agora abriga o Bethel Woods Center for the Arts, um anfiteatro que se tornou um espaço ativo de concertos assim como lar do Museum at Bethel Woods, que celebra o festival e também a experiência geral da contracultura dos anos 60. O local também receberá um concerto “Heróis de Woodstock” em 15 de agosto, com a participação de veteranos do festival como Country Joe McDonald, Mountain e Ten Years After. O Rock and Roll Hall of Fame + Museum, em Cleveland, também está planejando uma exposição especial para o aniversário de Woodstock, e a documentarista premiada Barbara Koppel criou um novo filme para os canais VH-1 Classic e History Channel. Até mesmo Hollywood está participando: “Taking Woodstock” de Ang Lee, que será lançado nos Estados Unidos em 14 de agosto, vê de modo cômico Elliot Tiber, um artista e designer de interiores que ajudou a levar Woodstock para Bethel após o festival ser expulso da vizinha Walkill, Nova York. Mas alguns sentem que toda a badalação é desnecessária, é claro. “Foi ótimo, mas foi há 40 anos”, diz Graham Nash, que tocou no festival com a então nova banda Crosby, Stills & Nash (& Young). “Quem é que ainda se importa?”Resposta: muita gente, principalmente Lang. Ele teve a idéia de Woodstock após se mudar para o interior de Nova York vindo de Coconut Grove, Flórida, onde dirigia uma loja para usuários de drogas e produziu o festival Miami Pop, em 1968. Em Woodstock, ele foi ao regular Sound-Outs, encontros de música ao ar livre que ocasionalmente contavam com grandes nomes que viviam na área. “Eu pensei: ‘Este é o modo de ver música. É simplesmente o paraíso’”, lembra Lang. “Não havia restrições. Não havia pressão, nem policiais nem nada. Era apenas curtição, estar junto com ótimas pessoas ouvindo ótima música.” Lang, que diz que seu instinto é “sempre busque algo maior”, conheceu Artie Kornfeld, um executivo da Capital Records, que ficou intrigado com a visão de Lang. “Conversando”, lembra Lang, “ele e eu simplesmente dissemos certa noite: ‘Por não nos unimos, trazemos todo mundo que gostaríamos de ver e trazemos todas as pessoas com as quais nos sentimos conectados para ver o que acontece?’” Seus futuros parceiros, o jovens empresários de formação universitária, John Roberts e Joel Roseman, eram estranhos parceiros, mas o festival de Woodstock se tornou uma realidade, mesmo após ser forçado a encontrar um novo lar restando apenas seis semanas para a data marcada para o evento. Os organizadores superaram um problema aparentemente intransponível atrás do outro, da retirada de último minuto dos policiais fora de serviço de Nova York que tinham sido contratados para compor a segurança do evento –eles acabaram sendo contratados sob pseudônimos– até batalhas com as fornecedoras de alimentos e os problemas contínuos com a construção do espaço, que no final fez com que o festival fosse gratuito, simplesmente porque os portões e catracas não foram concluídos. “Foi um caos, não foi?” diz Pete Townshend, do Who. “Quero dizer, o que aconteceu fora do palco foi simplesmente além da compreensão –macas, corpos, pessoas vomitando e pessoas tendo viagens ruins. E tudo o que diziam era: ‘Isto não é fantástico? Isto não é lindo?’” “Eu achei que toda a América tinha enlouquecido naquele momento.”“Eu simplesmente fiquei nervoso o tempo todo em que estive lá”, diz John Fogerty, do Creedence Clearwater Revival. “Não havia regras. Não havia profissionais de verdade organizando aquilo, nenhuma segurança real preparada. Eu me lembro de ver um sujeito vendendo água, cinco galões por um dólar. Eu considerei a coisa mais comercial e repulsiva que já tinha visto.” Steve Bartley, que estava se preparando para seu último ano na Universidade de Michigan quando foi a Woodstock, concorda que certamente teve um lado negativo.“Eu não gosto quando leio artigos que dizem que era o melhor lugar do planeta”, diz Bartley. “As pessoas esquecem que a maioria das pessoas não levou comida ou água, que estava quente, úmido e lamacento, e não havia toaletes suficientes.”


“Mas todo mundo se entendeu”, ele acrescenta. “Talvez seja o que o tenha tornado tão mágico. Mas não foi o Jardim do Éden.” A música foi o legado mais duradouro de Woodstock, vinda de superastros como Joan Baez, Creedence Clearwater Revival, Grateful Dead, Hendrix, Jefferson Airplane e Janis Joplin, ou artistas emergentes como Joe Cocker, Melanie, Santana, Sha Na Na e Ten Years After, cujas carreiras foram impulsionadas por sua participação no festival e, frequentemente, no filme lançado posteriormente.Quando Crosby, Stills & Nash (& Young) subiram ao palco em Woodstock, aquela era apenas a segunda apresentação pública da banda. “Todo mundo que conhecíamos ou com que nos importávamos na indústria da música estava lá”, lembra David Crosby. “Eles eram heróis para nós, The Band, Hendrix e o The Who (...) Todos eles estavam atrás de nós em um círculo, tipo, ‘Ok, vocês são os novos garotos no pedaço. Mostrem’.” Até mesmo Townshend, que famosamente expulsou o ativista Abbie Hoffman do palco quando ele tentou falar para o público durante a apresentação do Who, reconhece que Woodstock ajudou sua banda. “Ele nos enriqueceu”, ele diz. “‘Tommy’ (1969) já tinha encerrado seu ciclo, tinha vendido talvez um milhão e meio de cópias. Woodstock nos colocou de volta nas paradas e então saiu o filme, e ‘Tommy’ vendeu outras 4 milhões de cópias.” Richie Havens teve a honra duvidosa de abrir o festival em 13 de agosto. Apesar de programado como a quinta apresentação do dia, ele foi transferido para primeiro quando a banda prevista para abrir o festival, o Sweetwater, não pôde porque seu caminhão de equipamento ficou preso no enorme congestionamento causado pelo tráfego para o festival. Quando a notícia se espalhou de que poderiam ser requisitados a se apresentarem antes do programado, outros artistas fugiram de cena, mas Havens foi lento demais e acabou tendo que se apresentar primeiro.“Eu pensei: ‘Deus, três horas de atraso! Eles vão atirar latas de cerveja em mim. Eles vão me matar’” diz Havens, que na verdade subiu ao palco quase uma hora após o horário de início planejado. “Felizmente a reação foi ‘Graças a Deus, alguém finalmente vai fazer algo’ e ficaram felizes.”


Baez, que fechou a primeira noite do festival, posteriormente fez uma aparição surpresa no palco livre, em outra área do festival. “Aquilo foi muito engraçado”, ela lembra. “A pessoa que estava anotando os nomes oficialmente e colocando as pessoas em ordem de apresentação não me reconheceu. Eu era apenas mais uma. Eu acho que apenas disse que meu nome era ‘Joan’.” Os músicos ficaram pasmos com o tamanho do festival, que a maioria percebeu ao ser trazida ao local por helicóptero. “Era como formigas em um morro ou algo assim”, lembra o tecladista do Santana, Greg Rolie. “Era difícil conceber. Todo mundo já tinha tocado em vários festivais mas... nada como aquilo.” Quando o Creedence Clearwater Revival tocou na madrugada de domingo, diz o baixista Stu Cook, os membros da banda não conseguiam enxergar além da beira do palco. O público estava na total escuridão. “Nós subimos e tocamos”, ele diz, “e após as primeiras canções, nós ainda não sabíamos ao certo se havia alguém lá. Ocasionalmente alguém acendia um isqueiro lá longe. A certa altura um sujeito muito, muito longe, gritou: ‘Nós estamos com vocês!’ e sentimos, tipo, ‘Ok, o concerto é para aquele sujeito’.” A apresentação do Grateful Dead foi atrapalhada pelo técnico de som –e famoso químico e fabricante de LSD– Owsley Stanley, que decidiu mudar os cabos do palco para a apresentação do grupo. Não apenas foram necessárias três horas para isso, lembra o guitarrista Bob Weir, mas ele estragou tudo. “Ele fez tudo errado, o mais errado que já vi”, diz Weir. “Nada estava aterrado, assim toda vez que um dos guitarristas encostava no seu instrumento, eles recebiam um choque de baixa voltagem, cerca de 15 volts. Era o suficiente para sacudir seu sistema nervoso.” “E toda vez que me aproximava do meu microfone, havia uma grande descarga azul que me erguia do chão e me atirava para trás contra meus amplificadores. Quando eu voltava eu estava com o lábio inchado, mas simplesmente voltava e continuava cantando a canção, mas eu não estava 100% enquanto estava lá.” O restante do festival foi mais do agrado de Weir, entretanto. “Nós ficamos acampados lá por vários dias e realmente relaxamos com a lama, música e tudo aquilo”, diz Weir, que nadou nu nos lagos existentes no local. “Foi muito divertido.” Arlo Guthrie também curtiu a experiência fora do palco. “Eu caminhei em meio à multidão e subi até o lado de trás do morro”, ele lembra. “Eu fiquei estupefato simplesmente por estar na multidão. Não havia para onde ir, nada a fazer exceto estar lá.”


Antes de sua morte em 2002, o baixista do The Who, John Entwistle lembrou de ter bebido uísque e Coca-Cola com cubos de gelo batizados com LSD. “Eu passei um tempinho viajando”, ele disse. “Eu bebi o restante do uísque e desmaiei. Quando acordei eu estava bem grogue, mas em condição suficiente para tocar... Nós finalmente tocamos e a parte mais incrível foi que, enquanto cantávamos ‘I’m Free’, o sol nasceu, e foi o máximo.” Os artistas se recordam dos bastidores como “um bom local onde estar”, segundo o baterista Mickey Hart, do Grateful Dead. “Todos estavam curtindo as coisas que gostavam e batendo papo com todos seus pares”, ele recorda. “Era um clima bem amistoso e todo mundo estava feliz por estarmos vendo uns aos outros.” “As coisas transcorreram muito bem nos bastidores”, concorda Cook. “Havia muitos confortos. Havia amigos, comida, bom fumo, álcool, de tudo. Nós não estávamos experimentando o mesmo ambiente que as demais pessoas.” Santana lembra de ter chegado ao local e ter visto Jerry Garcia, o guitarrista do Grateful Dead, “tocando sua guitarra no morro, com um belo sorriso feliz em seu rosto”. Mas ocorreram alguns problemas com o abastecimento. Leslie West, o guitarrista do Mountain, reclama que Janis Joplin “matou o último bagel antes que eu chegasse aos bastidores”, e Alvin Lee, do Ten Years After, que foi imortalizado pela versão de 10 minutos de “Goin’ Home” que aparece no filme, passou por uma crise de abstinência de tabaco. “Nós ficamos sem cigarros nos bastidores”, lembra Lee. “Então alguém disse: ‘Eu vou até lá ver se descolo alguns do público’. E ele voltou com uns 20 baseados! Ninguém tinha cigarros.” A apresentação de encerramento de Hendrix, diante de um público estimado de apenas 40 mil que permaneceram até a manhã de segunda-feira, se tornou um dos momentos icônicos do festival, mas Lang tentou ao máximo colocar o guitarrista diante de um público maior. “Àquela altura Jimi era o maior astro de rock do mundo”, diz Lang, que pagou US$ 5 mil a Hendrix para se apresentar no Miami Pop e US$ 50 mil para Woodstock. “Eu queria que ele abrisse o show com um set acústico e fechasse com a banda.”O set acústico nunca aconteceu e, quando ficou claro que o festival estava bastante atrasado, Lang ofereceu a Hendrix tocar à meia-noite de domingo, em vez de ser a última apresentação. “O empresário dele disse, ‘Não, não, não. Jimi tem que encerrar o show’”, conta o promotor. “E eu disse: ‘Tem certeza que você quer fechar o show?’ E ele disse: ‘Absolutamente’.” “Então ele se apresentou às 9 horas da manhã”, diz Lang, “e o que me impressionou em sua apresentação foi que ele não se alterou. Aquilo não o incomodou nem um pouco”.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Maria Preá lança o cd AVESSO no Villaggio Café dia 19 de agosto


A expressão ‘Morreu Maria Preá’, em alguns estados do Nordeste, significa ‘tá resolvido, combinado’. É com esse espírito que a Maria Preá apresenta o show do CD Avesso (Elo Music/Tratore), produzido pelo instrumentista André Magalhães (A Barca), o álbum faz um song-book não intencional de compositores do Maranhão, entre eles, Josias Sobrinho, César Teixeira, Sérgio Habibe, Erasmo Dibel e João do Vale.


Laeticia é ‘maranhense’ na raça. Filha de um belga com uma maranhense, nasceu em Belo Horizonte durante uma temporada da mãe naquela cidade. Em seguida mudou-se para o Rio de Janeiro e depois para São Luís do Maranhão. Adulta, foi morar em Florianópolis, onde montou o projeto músico-teatral Maria Preá, que tomou corpo de banda em São Paulo: “Morar em vários lugares serviu para expandir meu horizonte, mas o meu embrião artístico é maranhense. Foi lá que comecei no teatro e depois na dança. Os ritmos, as manifestações artísticas, tudo é muito forte e rico. A diferença cultural que encontrei em Florianópolis me fez perceber quem eu era e o que havia trazido na bagagem. E brotou em forma de música, canto, som.”


Além de Laeticia, a banda é formada por nomes da cena paulistana como André Bedurê (baixo), que também integra o Dona Zica; Gustavo Souza (bateria e percussão), que faz parte do Jumbo Elektro; Marquinhos Mendonça (guitarra e cavaquinho) e Filpo Ribeiro (violão, viola e rabeca).
Laeticia explica o título do CD: “É o caos, a inversão dos valores no mundo, a falta de moral e ética de nossa época. Em todas as canções do disco, há o ‘avesso’. São músicas que conheço desde muito, mas acho que não são conhecidas como deveriam, então venho fazer esse trabalho. O que as amarra são os temas que falam da valentia do brasileiro, do destemor e do desejo de ser mais feliz.”


Outro trunfo da Maria Preá e a força no palco. Com uma sonoridade que pode ser tradicional e moderna ao mesmo tempo e a persona intensa de Laetícia, o envolvimento entre palco e platéia torna-se inevitável. Somam-se a isso, ritmos como coco, samba, baião, bumba-meu-boi, reggae e maracatu, devidamente misturados como compete a uma geração que cresceu sem preconceitos.
Carcará, retoma João do Vale e José Cândido com riffs de guitarra, muita percussão. Vidente (Erasmo Dibel) é um reggae modernizado enquanto Ponteira (Sérgio Habibe) exibe a face doce dessa Maria Preá. Circo dos Horrores (Josias Sobrinho), tem clima teatral e onírico.

Ficha Técnica
Direção e Produção Musical: André Magalhães
Músicos: Laeticia, voz e percussão / Marquinhos Mendonça, guitarra e cavaquinho / André Bedurê, baixo / Gustavo Souza, bateria e percussão / Filpo Ribeiro, violão, viola e rabeca.
http://www.mariaprea.com/
www.myspace.com/mariaprea

Show Banda Maria Preá
Villaggio Café
Dia 19 de Agosto às 21h
Couvert: R$ 10,00
ENDEREÇO: Rua Teodoro Sampaio, 1229 - Pinheiros (esq. Av. Henrique Schaumann), reservas tel. 11 - 3571-3730 ou e-mail villaggiocafe@terra.com.br (Estacionamento sugerido: R. Teodoro Sampaio, 1355 (R$ 5,00 o período)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Baile do Simonal anima noite carioca


Morto em 2000, o polêmico Wilson Simonal deixou seu legado com os filhos Max de Castro e Simoninha, que fazem questão de relembrar a vida e carreira do pai em diversos projetos. Após o sucesso do documentário “Ninguém sabe o Duro que Dei”, dirigido pelo humorista do Casseta & Planeta Cláudio Manoel, além de Micael Langer e Calvito Leal, a bola da vez é a gravação de um CD e DVD.

O trabalho terá a participação de diversos artistas e acontece hoje, 11 de agosto, no Rio de Janeiro. O evento que dá origem ao disco é o Baile do Simonal, com discotecagem do DJ Corello e participação de nomes que vão de Ed Motta e Maria Rita a Marcelo D2. “Este ano é importante para o Simonal, com o filme entre os mais vistos, e o público está buscando a música dele. Faz também 40 anos do show histórico no Maracanãzinho, numa época onde as pessoas começaram a mudar seu comportamento nos shows. Os artistas que escolhemos deveriam manter alguma relação com o Simonal, mas de gerações diferentes. Escolhemos alguns com afinidade maior e outros com menor”, conta Simoninha.

O palco do Vivo Rio vai receber Ed Motta interpretando uma versão com mais jazz de ‘Lobo Bobo’, enquanto Samuel Rosa canta ‘Carango’, Maria Rita fica com ‘Que Maravilha’, Mart’nália traz ‘Mamãe passou açúcar em mim’ e Marcelo D2 canta ‘Nem vem que não tem’. ‘Remelexo’ fica com o próprio autor, Caetano Veloso, já ‘Meia Volta Ana Cristina’ é interpretada por Rogério Flausino, ‘Vesti Azul’ por Roberto Frejat e ‘Mustang cor de sangue’ pelos Paralamas do Sucesso. Tem ainda Orquestra Imperial (Terezinha), Sandra de Sá (Balanço Zona Sul), Exaltasamba (Na ganha do cajueiro), Alexandre Pires (Sá Marina), Seu Jorge (País Tropical) e Diogo Nogueira (Está chegando a hora). Lulu Santos não comparece ao Baile por causa de sua agenda, mas gravará uma participação no DVD com "Zazueira".

“Tem ainda dois livros, discos inéditos, uma compilação da Universal, entre muitos outros projetos que serão lançados para homenagear Simonal. O documentário teve uma sessão em Nova York que arrebentou, o pessoal aplaudiu de pé”, completa Simoninha, dizendo ainda que o resgate artístico é muito bom para o Brasil e essa redescoberta do Simonal é essencial para a música. “O Simonal ia da sofisticação ao popular e é muito difícil ver isso hoje”, diz.

Simonal apareceu nos anos 60 e fez grande sucesso, até que acusações de ser informante do Dops, em 1971, fizeram com que caísse no ostracismo. Agora, não apenas o Baile do Simonal, como o documentário e outros materiais que estão chegando querem trazer de volta essa importante figura da música brasileira. “Achei o documentário muito bom, eles foram muito corajosos. Há muito tempo, houve um tabu sobre essa história e eles fizeram esse projeto por oito anos. Trabalharam com muito afinco, mas o sucesso da obra fala por si só”, finaliza Simonal.

Serviço: Baile do Simonal - Gravação de CD/DVDDia 11 de agosto (terça-feira), 21h.Preços:- Inteira R$ 40,00 - meia R$ 20,00 (pista)- Inteira R$ 60,00 - meia R$ 30,00 (camarotes e frisas)Abertura da Casa - 19h30minVivo Rio

(Fonte: MTV)

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Imagem indigesta


Quem pega ônibus sabe muito bem que mesmo atrasado para chegar ao trabalho é irresistível parar durante 1 minuto que seja na frente da banca de jornal e dar uma olhada nas manchetes. Mas essa mania, por vezes, é bastante indigesta. Isto quando a foto que estampa a capa de um jornal é esta acima deste texto. Indignação, saco cheio, sensação de desânimo, um filme que parece se repetir sempre na história do Brasil fazem o café e o pão embrulharem o estômago. E o gostinho da pasta de dente dá lugar a um azedume. Dentro do ônibus, em meio a pessoas que escutam mp3 e cantam alto junto com a música (vício irritante este!), gente que boceja ou fala da vida dos outros, do jogo de ontem, da novela, da gripe suína, e do marido que ronca muito, meus devaneios trouxeram alguns personagens de desenho animado e do cinema que formam uma conjectura interessante com o momento clicado pelos repórteres, após o discurso-defesa de Sarney no plenário:

Tropa de Elite

Os três Porquinhos

Quadrilha de Morte

Os Cavalheiros do Apocalipse

Manda Chuva e seus Camaradas

As Meninas Superpoderosas

Os Impossíveis

Os Intocáveis

Homem de Ferro

Liga da (in) Justiça

O Poderoso Chefão

O Cangaceiro

Ação entre Amigos






terça-feira, 4 de agosto de 2009

O morto-vivo da terra dos que nunca foram


Depois de ver um bate-boca pífio entre o Pedro Simon e o Collor de Melo, só nos resta rir. Rir até chorar. É tão ridículo, tão banal, ver esses homens (?!) que se tratam por “vossa excelência”, quebrando o pau - não por questões justas e de abrangêcia nacional, mas por seus próprios interesses políticos – e por algo que poderia ser facilmente resolvido, caso o Sr. Sarney largasse o osso e deixasse de se comportar como criança que não quer ir embora nem com reza brava do parque de diversões.
Custeados pela nossa grana, que sai suada do nosso bolso todo mês, dão sérias demonstrações de que o Congresso mais parece uma daquelas mesas redondas em programa esportivo de domingo. Aí, culpa-se fulano, cicrano, beltrano... mas no fundo no fundo a culpa é do povo, que permite ter suas calças arriadas em público e não faz absolutamente nada. Assistem a essas cenas na TV e até esboçam alguma reação durante o noticiário, entre uma garfada e outra. Mas logo esquecem de tudo - como se passassem uma borracha - após o começo da novela. E na próxima eleição, reclamarão do horário político e, na votação, colocarão os mesmos caras para nos representar. Inclusive Elle, um morto-vivo, da terra dos que nunca foram.

Frida Baranek volta a São Paulo com exposição EXTERIORES

A partir do dia 8 de agosto, sábado, 12h, o Gabinete de Arte Raquel Arnaud abre a exposição da arquiteta, gravadora e escultora carioca Frida Baranek. Há 17 anos vivendo e trabalhando em países como Alemanha, França e EUA, a artista volta ao Brasil para realizar a exposição EXTERIORES, mostrando ao público trabalhos inéditos. As obras foram concebidas em um momento extremamente singular de sua trajetória: a construção de esculturas especialmente voltadas para áreas externas, criando, além de um objeto físico, um espaço de interação e contemplação. O texto crítico da exposição foi assinado por Camillo Osório, Doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e Professor de Estética e História da Arte no Departamento de Teoria do Teatro da Universidade do Rio de Janeiro. Exteriores fica aberta até 19 de setembro de 2009.

A idéia de trabalhar objetos focados em exteriores sempre atraiu a artista. Suas novas obras retratam justamente a necessidade de Frida em aprofundar-se no assunto. A principal fonte de inspiração foram as árvores, mais precisamente a relação do vento com elas, o que Frida chama de “tensão entre flexibilidade e resistência”. Concentrada nestas impressões, Frida criou, por exemplo, um deck de madeira sobre uma estrutura de ferro, apoiado de forma fixa sobre um tubo, proporcionando um movimento como o de uma gangorra (para cima e para baixo ao girar do tubo).

Nessa escultura, com formato retangular de 2x4 metros, o tubo está exatamente no meio, criando um ponto de equilíbrio, onde a peça parece flutuar, movendo-se apenas com o vento. A partir do momento em que o público interage e sobe na peça (sentadas ou deitadas), a tensão da procura do equilíbrio se transfere para as pessoas. Seria esta uma forma quase plástica de transferir ao público a sensação das árvores sendo tocadas pelo vento? “Quando o corpo se equilibra ele se entrega e aproveita. Gosto do aspecto da tensão e do prazer, pois é interessante provocar esses sentimentos através de um objeto”, pontua a artista. Uma das características mais marcantes do trabalho de Frida Baranek é a capacidade de transformar seu pensar artístico em esculturas ou em uma nova realidade. Artista da Geração 80, como Ana Maria Tavares, Angelo Venosa, Nuno Ramos, Paulo Monteiro e Sergio Romagmolo, Frida trabalha com freqüência as questões relacionadas ao equilíbrio e o desequilíbrio. Um dos trabalhos mais emblemáticos e que ilustram esse pensamento data de 1985, na qual um balão vermelho sustenta uma pedra, dando a impressão de desafiar a gravidade.

Biografia

Frida Baranek (Rio de Janeiro/1961) é escultora, arquiteta e gravadora. Durante os 17 anos em que esteve no exterior, viveu e trabalhou em países como a França e Alemanha. Atualmente mora EUA, em Nova Iorque. Representada no Brasil pelo Gabinete de Arte Raquel Arnaud desde 1990, seu trabalho marcou presença nas feiras em que a galeria participou, além das exposições de acervo realizadas em São Paulo. Estudou escultura, entre os anos de 1982 e 1984 com João Carlos Goldberg e o artista plástico Tunga na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Formou-se em arquitetura pela Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro, em 1983. Em 1984, iniciou pós-graduação em escultura pela Parsons School of Design, em Nova York. Atua com gravura e predominantemente escultura. Em suas obras emprega materiais industrializados, como placas, hastes e fios de ferro ou aço, que muitas vezes são previamente expostos à ação do tempo, de maneira a perder sua aparência original. Suas obras integram o acervo de importantes instituições, como o National Museum of Women in the Arts (EUA- Washington), o Washington University Art Museum (St.Louis, EUA), o Ministére de La Culture e Fonds National d´Art Contemporain (França), o Pusan Metropolitan Art Museum (Coréia do Sul), além dos Museus de Arte Moderna do Rio de Janeiro e de São Paulo. Frida Baranek mostrou sua arte em eventos de expressão, como a 20ª Bienal Internacional de São Paulo (1989) e na 49ª Bienal de Veneza (1990).


Exposição “EXTERIORES”

Gabinete de Arte Raquel Arnaud. A partir de 8 de agosto, 12h, até 19 de setembro de 2009. Horário: Segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábado, das 12h às 16h. Grátis. Rua Arthur Azevedo, 401 - Pinheiros, São Paulo, SP. Fone: 011 3083 6322http://www.raquelarnaud.com/

Os titeriteiros e clowns Seres de Luz, comemoram 15 anos com mostra de repertório no CCSP


Entre os dias 8 e 30 de agosto de 2009, o grupo de teatro de bonecos Seres de Luz Teatro, radicado na cidade de Campinas, comemora 15 anos de existência com uma grande mostra de seu repertório no projeto “Mostra Seres de Luz Teatro: 15 anos”, contemplado pelo Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2008. O evento acontecerá no CCSP (Centro Cultural São Paulo) e os espetáculos que fazem parte das comemorações, entre adultos e infantis, são: Espalhando Sonhos (1994), Pipistrello (1998), O Acrobata (1998), Cuando Tú No Estás (2000), A-la-pi-pe-tuá!! (2000) e Convocadores de Estrelas (2007), além de duas oficinas e uma mostra fotográfica. Toda a programação tem entrada franca.


Lily Curcio e Abel Saavedra fundaram, em 1994, a companhia Seres de Luz Teatro que durante sua trajetória representou o Brasil em festivais na Noruega, Suíça, República Tcheca, Espanha, Itália, Bolívia México, Colômbia, Argentina, Equador, Peru, e foi o único representante da América Latina em Taiwan no Festival International de Kaosiung.
No destaque da programação, Cuando tú no estás, prêmio de melhor criação artística no 13º World Festival of Puppet Art Praga 2009, festival internacional ocorrido em maio de 2009 na República Tcheca. O grupo foi seleccionado entre mais de 370 inscritos para representar o Brasil.
Além dos espetáculos, duas oficinas serão ministradas gratuitamente ao público: A presença do Inerte (oficina de técnicas de manipulação nos dias 11 e 12 de agosto) e Várias couraças e um nariz (oficina de clown nos dias 13 e 14 de agosto). A mostra fotográfica reunirá várias fotos da trajetória do grupo, como espetáculos, viagens, imagens de seus principais mestres, etc.


Seres de Luz Teatro


Formado por Lily Curcio e Abel Saavedra o grupo diferencia-se pela pesquisa e utilização de duas linguagens: teatro de animação e clown. Essas seis montagens presentes na Mostra refletem o trabalho de pesquisa destes dois universos. O encontro e o trabalho com mestres como Nani Colomabioni e Leris Colomabioni, Phillipe Genty, Philippe Gaulier, Angela de Castro e Sue Morrisson marcaram a história do grupo.

PROGRAMAÇÃO MOSTRA SERES DE LUZ 15 ANOS
Dias 8 e 9 de agosto
Espalhando Sonhos
Sábado e domingo, 16h
Duração: 50 minutos Recomendação: Para todas as idades
Sinopse: Com títeres de tamanho natural, Espalhando Sonhos, primeiro espetáculo da companhia, utiliza cinco histórias curtas para envolver as crianças em imagens impactantes de manipulação de bonecos.

Cuando tú no estás
Sábado, 21h e Domingo, 20h
Duração: 50 minutos Recomendação: 14 anos
Sinopse: Por meio do tango e da ópera dramática, sem palavras, Cuando… conta a história de três mulheres vítimas da violência, do machismo, que sofrem com a perda e o abandono.

Dias 15 e 16 de agosto
Pipistrello
Sábado, 16h
Duração: 50 minutos Recomendação: Para todas as idades
Sinopse: Pipistrello teve sua estréia em Berna, Suíça, em 1998, e depois foi apresentado em Taiwan, Noruega, Itália, Espanha, Colômbia, Brasil, Argentina e Peru e conta sobre um amor não correspondido de um títere e as artimanhas (engraçadas) para conquistá-lo.

Cuando tú no estás
Sábado, 21h
Duração: 50 minutos Recomendação: 14 anos
Sinopse: Por meio do tango e da ópera dramática, sem palavras, Cuando… conta a história de três mulheres vítimas da violência, do machismo, que sofrem com a perda e o abandono.

Convocadores de Estrelas
Domingo, 16h e 20h
Duração: 50 minutos Recomendação: 14 anos
Sinopse: Com trilha sonora especialmente criada e executada pela musicista Badi Assad, Convocadores de Estrelas conduz o público infantil por diferentes climas e sensações para contar a saga de Pedro, Lola e a luz de uma estrela.

Dias 22 e 23 de Agosto – Sábado e Domingo
O Acrobata
Dia 22, Sábado, 16h
Duração: 45 minutos Recomendação: Para todas as idades
Sinopse: estreado em 1998, em Berna, Suiça, é um clássico trabalho de clown, numa tradicional saga de domadores de feras, tentando inutilmente fazer com que o seu insólito mascote Pippo realize “perigosas” proezas acrobáticas.

Pipistrello
Dia 22, Sábado, 18h, dia 23, Domingo, 16h
Duração: 50 minutos Recomendação: Para todas as idades
Sinopse: Pipistrello teve sua estréia em Berna, Suíça, em 1998, e depois foi apresentado em Taiwan, Noruega, Itália, Espanha, Colômbia, Brasil, Argentina e Peru e conta sobre um amor não correspondido de um títere e as artimanhas engraçadas para conquistá-lo.

A-la-pi-pe-tuá !!
Dia 23, Domingo, 18h
Duração: 60 minutos Recomendação: Para todas as idades
Sinopse: inspirado na obra L’estrada de Federico Fellini, A-la-pi-pe-tuá!! transporta o clima da chegada dos artistas mambembes, e toda a sua parafernália, a um picadeiro.

Dias 29 e 30 de Agosto – Sábado e Domingo
O Acrobata
Dia 29 e 30, Sábado e Domingo, 16h
Duração: 45 minutos Recomendação: Para todas as idades
Sinopse: estreado em 1998, em Berna, Suiça, é um clássico trabalho de clown, numa tradicional saga de domadores de feras, tentando inutilmente fazer com que o seu insólito mascote Pippo realize “perigosas” proezas acrobáticas.

A-la-pi-pe-tuá !!
Dia 29, Sábado, 21h, dia 30, Domingo, 20h
Duração: 60 minutos Recomendação: Para todas as idades
Sinopse: inspirado na obra L’estrada de Federico Fellini, A-la-pi-pe-tuá!! transporta o clima da chegada dos artistas mambembes, e toda a sua parafernália, a um picadeiro.

Serviço
Local: Centro Cultural São Paulo – Rua Vergueiro, 1000, Paraíso – São Paulo
http://www.centrocultural.sp.gov.br/
Sala Paulo Emilio – lotação: 100 lugares
Entrada Franca – ingressos distribuídos 2h antes do espetáculo
Fone: 011 3397 4002
Ar-condicionado/Acessibilidade para pessoas com necessidades especiais