sexta-feira, 22 de maio de 2009

Especialistas querem que samba vire patrimônio da Unesco

Por Fabíola Ortiz, da Agência LusaRio de Janeiro

O samba, a maior manifestação popular do Brasil, já faz parte da realidade e da identidade brasileira, mas agora pode receber um plano de salvaguarda e ainda se tornar patrimônio imaterial da humanidade.São estas as ambições que conduzem os debates entre especialistas, autoridades, gestores culturais, carnavalescos e sambistas para assegurar o legado do samba num seminário que acontece até sábado no Centro Cultural Cartola, na Mangueira, coração de uma das mais importantes escolas de samba do Rio de Janeiro." Não há nada mais material do que a "imaterialidade do samba", defende o subsecretário de políticas de ações afirmativas da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, Martvus Antônio das Chagas.
Considerado patrimônio cultural do Brasil desde 2008, a criação da salvaguarda do samba, segundo Martvus, vai permitir conservar as suas raízes e não deixar que ele morra, parafraseando a letra de um samba canção famoso intitulado "Não deixe o samba morrer", de 1975, interpretado pela cantora Alcione."O samba, como foi criado no passado, corre o risco de se deteriorar, pode morrer", alerta."A nossa ideia é permitir que as gerações futuras conheçam esse legado dos negros no Brasil e tratar o samba não apenas simbólico, mas como uma coisa real. Entender o carnaval como um bem de todos é um dever nosso, mas saber que o carnaval foi uma criação quase que genuína dos negros no Brasil é também um direito."O samba é iminentemente fruto e produto genuíno da cultura brasileira", realça, lembrando que é um patrimônio com a cultura negra como baluarte.
Patrimônio mundial - Por outro lado, o superintendente do Instituto Histórico Artístico Nacional (IPHAN) no Rio de Janeiro, Carlos Fernando de Souza Andrade, defende a elevação do samba à categoria de patrimônio da Unesco e com isso promover intercâmbios culturais entre o mundo lusófono."É importante porque a gente teria a oportunidade de conversar com outros países de língua portuguesa que são, principalmente, os grandes formadores da nação brasileira, são as duas matrizes, a lusa e a africana, que conversam musicalmente", afirma.O samba, para Souza Andrade, é uma das formas musicais que "melhor interpretam" a identidade cultural: "O Brasil se caracteriza por essa multiculturalidade, a batida vem das matrizes da África, mas no Rio de Janeiro, em particular, ela se transforma e se apropria de outras formas musicais", considera. "O samba é uma invenção nossa, vem da África, mas é genuinamente brasileira e carioca". Contudo, ele destaca que a sonoridade também está influenciando música popular internacional.
Expressão - O samba em si não precisa ser salvaguardado, afirma, pois "é uma expressão muito forte, inclusive economicamente", mas deve ser preservado como "matriz" com seus fundamentos culturais.O processo de elaboração do plano de salvaguarda está sendo discutido neste seminário de onde surgirão propostas para orientar a criação de políticas públicas.Numa segunda etapa, a Secretaria da Igualdade Racial e o IPHAN deverão analisar as propostas e encaminhar à Unesco a fim de ter o projeto avaliado na categoria de patrimônio imaterial da humanidade.O Brasil tem dez patrimônios da humanidade, entre histórico culturais e naturais, registrados pela Unesco. Alguns deles ficam em São Luís, capital do Maranhão, onda se situa o maior conjunto de azulejos portugueses da América Latina; o Pantanal; as reservas na Costa do Descobrimento, no Sul da Baía e no Paraná, onde a Mata Atlântica ainda é preservada, e a cidade mineira de Ouro Preto.

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