sexta-feira, 29 de maio de 2009

Deputado Bolsonaro chama Tarso Genro de 'lambe-botas' de militares em imagem em seu gabinete



De Piero Locatelli

Do UOL NotíciasEm Brasília


Além do cartaz que ironiza a busca de corpos de guerrilheiros mortos pelas forças do governo no Araguaia, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) tem uma foto pendurada em frente ao seu gabinete com o ministro Tarso Genro (Justiça) marchando junto a militares. Sobre ela, está escrita a frase: "Lambe-botas ou borra-botas".

Imagem mostra Genro ao lado de militares. Segundo o ministro, durante sua gestão na prefeitura de Porto AlegreO cartaz que ironiza a guerrilha do Araguaia levou o PC do B a entrar com um processo contra Bolsonaro no Conselho de Ética da Câmara. Dentro do gabinete, o deputado não foi encontrado na quinta-feira (28) pela manhã. No seu lugar, a reportagem achou assessores que apoiam o regime militar e tratavam da tortura como motivo de piada.Após dizer que somente no Brasil os torturados não apresentavam marcas, eles falavam que ela foi somente "psicológica" e riam. "Nós sofremos tortura psicológica todo dia aqui nesse gabinete", ironizou um funcionário.

O cartaz está afixado no gabinete do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) desde 2005.
Do Rio de Janeiro, por telefone, Bolsonaro explicou para a reportagem do UOL a provocação a Tarso. "O ministro só vai atrás dos militares quando interessa", disse ele, o único congressista a defender abertamente a ditadura militar (1964-1985) .Ele diz que Genro foi salvo por militares quando fugiu para o Uruguai durante o período e precisou de favores deles.O deputado não sabe precisar de quando era a foto ou quem acompanhava Genro nelas, mas diz que ela comprova sua opinião - de que o ministro "chupa botas" e correria atrás dos militares, inclusive durante a ditadura, quando era necessário.Ao contrário do expositor, Genro lembrou a época em que ela foi tirada.


Sobre a foto, Tarso afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que ela é de uma solenidade oficial durante sua primeira gestão a frente da Prefeitura de Porto Alegre, entre 1993 e 1997, e não teria nenhuma relação com o regime militar.Apesar de o atual ministro ter sido um militante do MDB e do PRC (Partido Revolucionário Comunista), contrários à ditadura, Bolsonaro cita como exemplo do que chama de "traição" de Genro a condenação do coronel Ulstra. Entre 1970 e 1974, o coronel foi chefe do DOI-Codi, principal órgão de repressão da ditadura militar. Depois do fim dele, Ulstra foi mantido no governo enquanto Sarney estava na Presidência.
O que você acha de o deputado Jair Bolsonaro ironizar a busca de corpos do Araguaia?


Ulstra tornou-se o primeiro militar condenado por tortura no Brasil em 2008, quase 30 anos após ele ter assumido o DOI-Codi. Genro, defensor da punição aos torturadores do período, estava à frente do Ministério da Justiça e teve papel decisivo no processo.Para Bolsonaro, o homem responsável pelo departamento que torturou mais de 500 pessoas nunca deveria ter sido condenado. "Eu acho que ele deveria ser candidato a deputado federal. O povo gosta da gente, há muito tempo pede que nós voltemos ao poder", falou. "E agora muitos marginais daquela época, sequestradores e terroristas, são ministros."Bolsonaro explica a não volta ao poder porque o presidente Lula seria mantido por votos "burros e fáceis".Ao contrário dos funcionários do seu gabinete, Bolsonaro não chegou a fazer piada quando o assunto foi tortura. Sua conclusão sobre ela é: "Tortura existe desde quando o homem é homem. Hoje em dia tem tortura em delegacia, por que não se culpa o Lula por isso?", disse o deputado, filiado ao PP, partido cuja origem é a Arena, o partido de sustentação da ditadura militar.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Cotas para todos

O assunto “sistema de cotas nas universidades” ainda é um grande tabu para a sociedade brasileira, tanto na esfera política, quanto na universitária e até entre as pessoas comuns. Muitos são contra, por acharem a ação discriminatória, outros a favor, pois têm a opinião de que o Estado brasileiro possui uma grande dívida com a população negra, em detrimento da escravidão e da forma como ela terminou: famílias inteiras jogadas na rua, sem emprego, moradia, dinheiro, alimentação. Esse assunto funciona como torcida de futebol: você precisa escolher um lado. E o Babel Black é a favor das cotas. O conceito de “ação discriminatória” precisa mudar. O que as pessoas não entendem é que hoje a conquista das cotas é importante não só para a população negra, mas também para toda uma sociedade – inclui-se aí todas as raças e cores - há tempos à margem da educação no Brasil. Mas para chegar nesse nível, é preciso um início.

Na sociedade norte-americana os negros foram alfabetizados e as famílias ganharam o direito a um pedaço de terra no fim da escravidão, um incentivo para o início de uma nova fase em suas vidas (situação retratada, inclusive, no filme “A Cor Púrpura”, onde o ator Danny Glover vive um fazendeiro na época). Por aqui, a população afro-descendente não teve essa oportunidade: saiu das fazendas diretamente para as ruas, e depois, para os cortiços e as favelas. Fato que reflete diretamente na situação das camadas menos favorecidas hoje. Por isso as cotas são importantes. Ela precisa ser amplamente discutida por gente com representatividade nos diversos aspectos da sociedade, com conhecimento técnico, social, histórico. O que não é o caso do deputado estadual pelo Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro (PP), que entrou com uma liminar proibindo o sistema de cotas para estudantes negros, índios, egressos de escolas públicas e filhos de policiais, bombeiros e agentes penitenciários mortos em serviço, nas universidades públicas. A medida atingiu como uma bomba a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), primeira a adotar o sistema.

Mas afinal de contas, quem é Flávio Bolsonaro? Vamos começar pela filiação, ou seja, de onde ele veio. Flávio é filho de Jair Bolsonaro, militar e político que ficou famoso por suas frases truculentas. Uma delas é histórica. Após receber um copo d'água no rosto por uma das lideranças do sateré-maués em uma audiência na Câmara dos Deputados que tratava sobre a questão indígena em Roraima. "Eu acredito em Deus. Sou católico. Mas é coisa rara ir à Igreja. Eu já li a Bíblia inteirinha, com atenção. Levei uns sete anos para ler. Você tem bons exemplos ali. Está escrito: "A árvore que não der frutos, deve ser cortada e lançada ao fogo". Eu sou favorável à pena de morte". (Em entrevista à Isto É Gente). Quanto ao deputado Flávio Bolsonaro, é o mesmo quem criou um projeto de lei propondo que a caveira do Bope (Batalhão de Operações Especiais) e o uniforme preto do batalhão se tornassem patrimônios culturais do Rio de Janeiro. Acho que só por aí, dispensamos maiores apresentações.

Decisões sobre assuntos importantes não devem ser tomadas por apenas uma pessoa” (provérbio Chinês)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

TJ-RJ suspende cotas em universidades públicas


O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro concedeu hoje à tarde uma liminar que suspende os efeitos da lei estadual que estabeleceu cotas em universidades públicas estaduais. A ação contra as cotas para negros e estudantes de escolas públicas foi proposta pelo deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP), que entrou na Justiça com uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade). O deputado, que também é advogado, defendeu a ação no plenário do Órgão Especial.

Para ele, a lei é demagógica, discriminatória e não atinge seus objetivos. "O preconceito existe, não tem como negar, mas a lei provoca um acirramento da discriminação na sociedade. Até quando o critério cor da pele vai continuar prevalecendo? A ditadura do politicamente correto impede que o Legislativo discuta a questão", disse ele, durante sua defesa. A lei estadual tem o objetivo de garantir vagas a negros, indígenas, alunos da rede pública de ensino, pessoas portadoras de deficiência, filhos de policiais civis e militares, bombeiros militares e inspetores de segurança e administração penitenciária, mortos ou incapacitados em razão do serviço.

O relator do processo, desembargador Sérgio Cavalieri Filho, votou contra a liminar por achar que a política "de ação afirmativa tem por finalidade a igualdade formal e material". O Órgão Especial, no entanto, decidiu por maioria dos votos conceder a liminar, suspendendo os efeitos da lei. A decisão definitiva sobre o assunto ainda será analisada pelo Órgão Especial. A Uerj, a primeira instituição a adotar o regime de cotas, informou por meio de sua assessoria de imprensa que deverá se pronunciar nesta terça-feira sobre o tema.
Fonte: Agência Estado

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Especialistas querem que samba vire patrimônio da Unesco

Por Fabíola Ortiz, da Agência LusaRio de Janeiro

O samba, a maior manifestação popular do Brasil, já faz parte da realidade e da identidade brasileira, mas agora pode receber um plano de salvaguarda e ainda se tornar patrimônio imaterial da humanidade.São estas as ambições que conduzem os debates entre especialistas, autoridades, gestores culturais, carnavalescos e sambistas para assegurar o legado do samba num seminário que acontece até sábado no Centro Cultural Cartola, na Mangueira, coração de uma das mais importantes escolas de samba do Rio de Janeiro." Não há nada mais material do que a "imaterialidade do samba", defende o subsecretário de políticas de ações afirmativas da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, Martvus Antônio das Chagas.
Considerado patrimônio cultural do Brasil desde 2008, a criação da salvaguarda do samba, segundo Martvus, vai permitir conservar as suas raízes e não deixar que ele morra, parafraseando a letra de um samba canção famoso intitulado "Não deixe o samba morrer", de 1975, interpretado pela cantora Alcione."O samba, como foi criado no passado, corre o risco de se deteriorar, pode morrer", alerta."A nossa ideia é permitir que as gerações futuras conheçam esse legado dos negros no Brasil e tratar o samba não apenas simbólico, mas como uma coisa real. Entender o carnaval como um bem de todos é um dever nosso, mas saber que o carnaval foi uma criação quase que genuína dos negros no Brasil é também um direito."O samba é iminentemente fruto e produto genuíno da cultura brasileira", realça, lembrando que é um patrimônio com a cultura negra como baluarte.
Patrimônio mundial - Por outro lado, o superintendente do Instituto Histórico Artístico Nacional (IPHAN) no Rio de Janeiro, Carlos Fernando de Souza Andrade, defende a elevação do samba à categoria de patrimônio da Unesco e com isso promover intercâmbios culturais entre o mundo lusófono."É importante porque a gente teria a oportunidade de conversar com outros países de língua portuguesa que são, principalmente, os grandes formadores da nação brasileira, são as duas matrizes, a lusa e a africana, que conversam musicalmente", afirma.O samba, para Souza Andrade, é uma das formas musicais que "melhor interpretam" a identidade cultural: "O Brasil se caracteriza por essa multiculturalidade, a batida vem das matrizes da África, mas no Rio de Janeiro, em particular, ela se transforma e se apropria de outras formas musicais", considera. "O samba é uma invenção nossa, vem da África, mas é genuinamente brasileira e carioca". Contudo, ele destaca que a sonoridade também está influenciando música popular internacional.
Expressão - O samba em si não precisa ser salvaguardado, afirma, pois "é uma expressão muito forte, inclusive economicamente", mas deve ser preservado como "matriz" com seus fundamentos culturais.O processo de elaboração do plano de salvaguarda está sendo discutido neste seminário de onde surgirão propostas para orientar a criação de políticas públicas.Numa segunda etapa, a Secretaria da Igualdade Racial e o IPHAN deverão analisar as propostas e encaminhar à Unesco a fim de ter o projeto avaliado na categoria de patrimônio imaterial da humanidade.O Brasil tem dez patrimônios da humanidade, entre histórico culturais e naturais, registrados pela Unesco. Alguns deles ficam em São Luís, capital do Maranhão, onda se situa o maior conjunto de azulejos portugueses da América Latina; o Pantanal; as reservas na Costa do Descobrimento, no Sul da Baía e no Paraná, onde a Mata Atlântica ainda é preservada, e a cidade mineira de Ouro Preto.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Obras de Mestre Didi estão no Museu Afro


Na próxima quarta-feira, dia 13 de maio, data em que a comunidade Afro-descendente comemora 121 anos da abolição da escravatura, o Museu Afro Brasil, do guerreiro Emanuel Araújo, inaugura a exposição “Deoscorodes Maximiliano dos Santos - O Escultor do Sagrado”. Popularmente conhecido como o Mestre Didi, é artista plástico, escultor, ensaísta, curador é sumo sacerdote do culto aos ancestrais Egungun. Iniciado na arte desde os 8 anos de idade, seu trabalho concentra-se nos elementos naturais da cultura afro, como as contas, búzios, renda de couro e folhas de palmeira, elementos inspiradas nas lendas, objetos de culto aos orixás e mitos.


Nascido em 1917, é filho de Maria Bibiana do Espírito Santo, a Mãe Senhora e Arsenio dos Santos, pertencente a elite dos alfaiates baianos no começo do século. Mãe Senhora era uma típica descendente da família Asipa, originária de Oyo e Ketu, cidades relevantes do império Yoruba, na antiga África.


Após um juramente, Mestre Didi não fala em público sobre os segredos dos mitos e as tradições ancestrais, mas como o fazer artístico também é um sacerdócio, ele ilumina as mentes e os corações por intermédio de suas esculturas, integrantes de importantes acervos, como o Museu Picasso, em Paris e no MAM de Salvador e Rio de Janeiro, além de diversos museus espalhados pelo mundo.

Iniciou na escultura fazendo entalhes em madeira. Mais tarde surgiram os “exus”, todos esculpidos em cimento e barro. A literatura teve início com o Yorubá Tal Qual se Fala – o prefácio e as ilustrações eram de mais dois mestres Jorge Amado e Carybé.



Serviço

Exposição “Deoscorodes Maximiliano dos Santos - O Escultor do Sagrado”

Abertura - Quarta-feira, dia 13 de maio, às 19h

Museu Afro Brasil - Parque do Ibirapuera, Portão 10

Tel: (11) 5579-0593

Terça a domingo, das 10h às 17h

Entrada Franca

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Livro da jornalista Lina de Albuquerque conta como 26 pessoas lidaram com a mudança em suas vidas

Será lançado no dia 14 de maio de 2009, na livraria Saraiva do Shopping Higienópolis, em São Paulo, a partir das 19h30, o livro Recomeços, de Lina de Albuquerque. Em “Recomeços”, depoimentos de personalidades conhecidas, como Elza Soares, Barbara Paz, Lily Marinho, Dorina Nowill, Chico César, Paulo Borges, Adriana Bombom, DJ Zé Pedro e Lucinha Araújo convivem com relatos de pessoas anônimas, como o pedreiro Evando dos Santos, que se alfabetizou aos 18 anos e fundou 37 bibliotecas pelo Brasil. O livro traz também o relato contundente de Luislinda Dias de Valois Santos, primeira juíza negra do Brasil.
"Por ter me tornado juíza tão tarde, não queria perder tempo. Enfrentei ameaças no sertão, implantei juizados em comunidades distantes e causei espanto ao comparecer nas audiências com meu cabelo rastafári”, conta a juíza no livro. A juíza Luislinda Dias de Valois Santos tornou-se o símbolo da luta de cidadania para as comunidades pobres do estado da Bahia. Negra, afrodescendente de origem humilde, ela foi a idealizadora do Balcão de Justiça e Cidadania, que resolve conflitos entre os habitantes dos bairros mais carentes de Salvador, áreas remanescentes de quilombos e de comunidades indígenas.
A autora

Jornalista, Lina de Albuquerque formou-se na PUC-SP e cursou, sem terminar, Filosofia e o mestrado em Antropologia, ambos na USP. Trabalhou nas redações da revista Veja e dos jornais O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil. Foi subeditora da revista Isto É e editora de reportagem da revista Marie Claire, onde ganhou o primeiro Grande Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo, com a reportagem “A Dança das Severinas”. Continua colaborando com Marie Claire, além das revistas Claudia e do jornal Valor Econômico. Lina ainda é letrista de músicos como Fernanda Porto, e criou, com o parceiro Gedley Braga, um projeto de composições na internet batizado de Lavadeiras (myspace.com/lavadeiras), que será lançado no final do ano na voz da cantora carioca Helena Cutter (myspace.com/lavadeirashelenacutter).

SERVIÇO

O que Lançamento do livro “Recomeços”, de Lina de Albuquerque

Quando Dia 14 de maio de 2009, quinta-feira

Onde Livraria Saraiva do Shopping Higienópolis

Av. Higienópolis, 618 Loja 315 - Piso Higienópolis, São Paulo - SP

Telefone (11) 3662- 3060

Horário 19h30 às 22h

Preço R$ 29,00

Editoras Saraiva e Versar

Páginas 160