segunda-feira, 20 de abril de 2009

Conferência da ONU discutirá Racismo


De hoje até dia 24 de abril acontece na Suíça a segunda conferência das Nações Unidas sobre o combate ao Racismo, um encontro boicotado por vários países, como os EUA, Itália, Alemanha e Holanda. Eles consideram que a reunião tem um carácter anti-semita e temem que a conferência de Genebra seja utilizada para criticar Israel de forma isolada. O motivo causador desse racha é a presença de Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã. Dirigentes temem que o político extremista utilize a conferência como palco para duras críticas a Israel, o que provocaria nervosismo e desconforto entre representações.
A divergência arrasta-se desde 2001, na primeira conferência da ONU sobre o Racismo realizada em Durban, na África do Sul, dois dias depois do atentado do 11 de setembro, nos EUA. Na oportundiade, EUA e Israel abandonaram a reunião após extremados debates com os Estados Árabes sobre anti-semitismo e o tratamento dado por Israel aos palestinianos. "Os discursos de ódio e as insultas de conotação racista serão proibidas na Conferência das Nações Unidas contra o Racismo e a Intolerância", disse Marie Heuzé, diretora do serviço de informação da ONU em Genebra. "Não podemos permitir uma reedição do que ocorreu em 2001 em Durban", explicou. Naquela ocasião, a Cúpula da ONU sobre o Racismo (cujas consequências serão avaliadas nesta semana em Genebra) foi palco de manifestações e declarações odiosas contra Israel, em particular durante o Fórum das ONGS que ocorreu ao mesmo tempo que a conferência de Durban, na África do Sul.
O que deveria ser uma oportunidade de discutir soluções para um problema que se arrasta por séculos e hoje ainda é um grande mal para o mundo - o racismo e a xenofobia - perde um tempo precioso com polêmicas e discussões unilaterais. Infelizmente, a conferência tem um estranho destino. Em sua primeira edição, ela acontece logo depois do pior atentado terrorista da história do planeta, que semeou a desconfiança e ódio racial pelo mundo. Agora, a organização da ONU dá voz a um chefe de estado que defende a utilização da bomba atômica e adepto a discursos incendiários, mesmo sabendo que a primeira reunião não terminou bem justamente pelo tema do anti-semitismo.
As divergência também existem entre os países participantes, que até a última semana ainda não haviam definido o documento preliminar a ser apresentado durante a reunião em Genebra. Até a escolha do presidente da conferência foi motivo de polêmica entre os países. Mesmo com um cenário tão confuso e que não traz muitas perspectivas para um problema crônico e de escala mundial, só nos resta torcer que a participação de alguns países, como a do Brasil, tragam luzes para o longo túnel da difença racial e religiosa. O ministro Edson Santos, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção de Igualdade Racial reinterou no começo deste mês a importância do Brasil no papel de mediador em Genebra.

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