quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Vai ou não vai essa reforma ortográfica?


O Brasil tornou-se o primeiro país de língua portuguesa a adotar as novas regras ortográficas. Mas, enquanto isso, no resto do mundo lusófono, o acordo ainda cria muita discussão, causando incertezas sobre sua adoção. Países como São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Portugal já ratificaram o acordo, mas nenhum deles tem data marcada para implementar a nova ortografia. Timor Leste, Guiné-Bissau, Moçambique e Angola - estão interessados em aprovar o acordo, mas até agora, nada de decisão. Sobre o assunto, ainda há muita polêmica. Em Portugal, corre uma petição com milhares de assinaturas que pede a suspensão do acordo. Um dos representantes do pessoal do contra é o deputado Vasco Graça Moura. Diz ele que o acordo “ é uma capitulação aos interesses brasileiros. No dia em que a grafia brasileira puder ser utilizada em todos os espaços em que se fala a língua portuguesa, é evidente que os interesses econômicos brasileiros, muito em especial os ligados às edições escolares, estarão altamente beneficiados”. E completa: "não há nada de anti-brasileirismo nesta opinião. O que há é a constatação de que com a adoção do acordo ortográfico – se é que ele chegará a entrar em vigor – é evidente que as entidades produtoras de material impresso sediadas no Brasil tirarão daí grandes vantagens.”

Apesar das incertezas, é da Africa que ecoa o coro a favor. O premiado escritor angolano José Eduardo Agualusa acredita que os maiores beneficiados pelo acordo ortográfico serão justamente os países africanos de língua portuguesa. O escritor afirma que “neste momento, em Angola, o que acontece é que no mesmo território existem livros com duas grafias, do Brasil e de Portugal. Portanto, temos, na prática, duas ortografias vigentes. Ainda por cima em um país cujo grande desafio é a alfabetização das populações”, diz Agualusa. O acordo vai facilitar a circulação do livro neste espaço de língua portuguesa. (fonte: BBC Brasil)

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